Bailarina brasileira Ingrid Silva é convidada a palestrar na Universidade de Harvard

Divulgação/Ingrid Silva Ballet
Divulgação/Ingrid Silva Ballet

Ingrid Silva é primeira-bailarina do Dance Theatre of Harlem –companhia reconhecida globalmente por priorizar a presença de corpos negros em sua composição

De palco em palco, entre a transpiração e a inspiração: assim é a vida da bailarina clássica Ingrid Silva, que divide seu tempo entre a dança, o ativismo e os cuidados com a filha recém-nascida, a pequena Laura, de apenas seis semanas de vida. Com residência fixa há 12 anos em Nova York, nos Estados Unidos, para viver o sonho da carreira internacional, a brasileira é primeira-bailarina do Dance Theatre of Harlem –companhia reconhecida globalmente por priorizar a presença de corpos negros em sua composição– e uma voz potente que angaria e adentra cada vez mais espaços nas lutas antirracistas e de empoderamento da mulher.

Essa voz que sempre disse muito desta vez conquistou mais um espaço grandioso de fala: Ingrid será a palestrante de fechamento da 14ª Conferência de Empoderamento e Desenvolvimento de Mulheres Latino-Americanas (LEAD Conference) promovida pela Universidade de Harvard entre hoje e domingo (17), que contará com outros nomes de peso como a CEO da Pepsico para a América Latina, Paula Santilli.

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Nascida no Rio de Janeiro, Ingrid entrou no mundo da dança ainda criança, aos oito anos de idade, sem pretensões profissionais, por meio de um projeto social local chamado “Dançando para Não Dançar”. O começo do sonho da carreira no mundo artístico começou aos 12 anos, quando o desempenho da artista começou a ser percebido por pessoas com vivência na área. “Sempre falo que a dança me achou, e não eu achei a dança”, comenta a bailarina.

A participação ativa de Ingrid nas pautas antirracistas e feministas teve início em 2014, quando a artista passou pelo processo de transição capilar. “Me descobri enquanto pessoa e encontrei minha voz. Às vezes, quando a gente não se descobre, é difícil conseguir se expressar. Voltar para o meu cabelo naturalmente crespo foi como nascer de novo: pude entender o lugar que eu ocupava com o corpo de uma mulher negra em um mundo branco, o do balé clássico”.

O ativismo da brasileira não fica só no papel. Em 2017, Ingrid criou a plataforma de empoderamento feminino EmpowHer NY, para mulheres dividirem suas histórias no mundo digital e em encontros presenciais. “Trouxemos o diálogo para lugares onde as pessoas não se sentiam confortáveis em falar sobre determinados assuntos. Se não conhecemos essas histórias, não podemos progredir”, diz a bailarina que conclui: “Ser ativista e mulher não é revolta, é lugar de fala. Quando sentimos que há espaço para falar e ter um ouvido atento, diminui o peso do trabalho cansativo que é educar pessoas todos os dias sobre problemas estruturais e costumes sociais ultrapassados”.

Ingrid também é cofundadora do projeto Blacks in Ballet (BIB), que busca trabalhar as pautas antirracistas no mundo majoritariamente branco da dança clássica. “Levo toda a minha vivência e percepção para o lado da dança. Sei que não sou a única a fazer isso, mas certamente sou a única com visibilidade aqui”, pontua Ingrid. “É um universo muito machista e preconceituoso, que nao vê o corpo negro como um corpo para dança classica”.

Sobre sua participação como palestrante na 14ª Conferência de Empoderamento e Desenvolvimento de Mulheres Latino-Americanas da Universidade de Harvard, a bailarina diz que seu foco é bater na tecla do sonho, da coragem e da diversidade para inspirar e influenciar positivamente minorias como negros, mães solteiras e todas as comunidades social e economicamente marginalizadas. “Ser a primeira brasileira, mulher negra e bailarina a fazer isso já é histórico, é onde a gente vê que as oportunidades são importantes para que as coisas floresçam. Também é um momento de potência: minha figura representa diversas lutas e estar lá significa que somos muitos, merecemos respeito e que estamos chegando nos lugares para ocupar espaços.”

Aos 32 anos e com uma filha recém-nascida, Ingrid diz que a experiência de ser mãe tem mudado sua forma de pensar e voltado suas reflexões para questões sociais que envolve a vivência da criança e do ativismo infantil, como a descoberta da sexualidade e o abuso dentro de casa. “Soube da minha gravidez no meio da pandemia. Neste período, comecei a ver e rever meu conceito sobre ser mãe: não sou apenas responsável por um ser, mas também pela educação, pelo jeito que vou trazer e apresentar ela ao mundo, em como posso proteger essa criança e como deixo ela enfrentar suas vivências e se proteger sozinha.”

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Apesar das dificuldades ainda existentes, a bailarina brasileira acredita que sua filha, Laura, vai se desenvolver em um mundo diferente do qual ela cresceu pelas possibilidades e educação. “Por ter uma avó como minha mãe e uma mãe como eu, ela vai crescer sem questionamento sobre o espaço que ocupa e o que a figura dela representa”, diz Ingrid, que finaliza: “Cada vez mais vejo que as montanhas podem ser movidas. Existe um mundo de possibilidades infinitas, quero que ela ocupe espaços e que saiba a importância e grandiosidade da própria voz”.

A palestra de Ingrid Silva na 14ª Conferência de Empoderamento e Desenvolvimento de Mulheres Latino-Americanas (LEAD Conference) da Universidade de Harvard está programada para domingo, às 19h00 no horário de Brasília. O credenciamento para o evento não tem custo e pode ser feito pelo site do evento www.harvardleadconference.org.

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