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C-Suite: Nelmara Arbex é a nova líder de ESG da KPMG

Acompanhe também a movimentação de outros 50 executivos C-Level na última quinzena

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DivulgaçãoNova sócia e líder da KPMG: Nelmara Arbex fala sobre incorporação de normas sustentáveis nas operações do grupo

O C-Suite desta quinzena traz movimentações de executivos C-Level em várias áreas, com destaque para o setor alimentício. A International Meal Company, que detém os direitos do Frango Assado, Pizza Hut, KFC e Margaritaville, entre outras, nomeou o ex-presidente da rede Popeyes, Alexandre Santoro, como CEO Global. Já a BRF, empresa multinacional brasileira fruto da fusão entre Sadia e Perdigão, anunciou a chegada de Marcel Sacco como vice-presidente de novos negócios, área determinante para a estratégia de crescimento sustentável prevista pelo grupo em 2020.

Ainda no segmento alimentício, a Cargill Inc. contratou Jamie Miller como sua nova CFO. A norte-americana, formada em contabilidade pela Miami University em Oxford, atuava como CEO da GE Transportation. No mercado financeiro, Guilherme Benchimol anunciou que está deixando a liderança da XP para ocupar a posição de presidente do Conselho de Administração da corretora. Seu lugar será ocupado pelo administrador Thiago Maffra, que por mais de dois anos ocupou o cargo de diretor de tecnologia da investidora e acumula passagens pela Bulltick Capital Management e Souza Barros.

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Em tecnologia, o destaque vai para Laércio Albuquerque, novo vice-presidente da Cisco para América Latina. O executivo, que já liderava a empresa no Brasil, vai comandar as vendas do grupo na região, além de ajudar os clientes e parceiros na transformação digital.

Nesta edição, o C-Suite conversou com Nelmara Arbex, nova sócia e líder de ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança) da KPMG. Com 20 anos de experiência internacional, a executiva é doutora em física teórica pela Universidade de Marburg, Alemanha, e pós-graduada em negócios e sustentabilidade pela Universidade de Cambridge, Reino Unido.

Leia, a seguir, os planos de Nelmara para o comando da área de ESG da KPMG:

Forbes: Qual é a importância de incentivar regulamentações voltadas à prática ESG nas empresas?

Nelmara Arbex: Regulamentações servem para definir o mínimo esperado em termos de processos e performance da empresa. Nesse sentido, definir o que seria considerado minimamente esperado na gestão de aspectos sociais, ambientais e de governança é de grande importância para mantermos as empresas competitivas e resilientes, mais preparadas para operar e ser bem-sucedidas num contexto que muda constantemente. Isso vale para qualquer empresa, de qualquer setor ou tamanho, ainda que essa agenda tenha intensidade e cores diferentes em cada grupo. O mesmo aconteceu com o movimento pela qualidade décadas atrás, quando o que era minimamente esperado foi regulamentado.

F: Como argumentar com aqueles que encaram essas práticas como mais uma despesa em suas operações?

NA: Essa é uma forma arriscada de pensar. Hoje em dia, isso equivale a dizer que esses executivos consideram investir em qualidade um custo e, por isso, poderiam abrir mão disso. Um negócio com esse tipo de pensamento não vai longe, mesmo em tempos de crise. Perder a reputação durante uma crise não significa que será mais fácil recuperá-la depois. Além disso, estudos mostram que investimentos em gestão ESG, muitas vezes, levam a reduções de gastos e mitigação de penalidades e multas. Esses fatores têm sido os impulsionadores para muitas empresas no início dessa jornada da implementação de formas de gestão de aspectos ESG. Também sabemos que esses investimentos levam à entrada em mercados, acesso a capitais, atração e retenção de talentos. A associação da implementação de gestão de aspectos ESG com custos é limitante e arriscada.

F: Como está o mercado brasileiro atualmente no que diz respeito ao mindset e também à implementação na prática?

NA: Vamos começar pela liderança. Eu comecei a trabalhar com gestão responsável dos negócios no Brasil há cerca de 20 anos. Todos os setores empresariais e seus representantes, em algum momento, já se envolveram com esses temas. Com isso, quero dizer que a liderança – executivos e conselhos – conhece essa agenda. Não é um tema novo. Alguns líderes podem ter decidido, nos últimos anos, adiar a implementação de uma gestão robusta sobre os aspectos ESG, monitorar alguns indicadores somente para publicar um relatório ou para mitigar penalidades. Mas, sem dúvida, não é uma novidade.

Do ponto de vista da prática, temos, e teremos sempre, muito para fazer. Essa também difere se você pensar em empresas listadas na Bolsa, que atuam com business to consumer (B2C) ou pequeno porte, por exemplo. Elas têm se conectado a essa agenda por razões bem diferentes, como regulamentação específica, expectativas de investidores e de consumidores, participação em cadeias de negócio mais exigentes. Mas todos estão sendo empurrados na direção de terem algum tipo de gestão ESG, sejam empresas grandes e pequenas, sejam abertas ou familiares.

O mercado brasileiro está entendendo, nesse momento, que tem que se preparar para o próximo nível. Em muitos casos, as práticas atuais não são suficientes para que as empresas se mantenham competitivas e atraentes. Há um reconhecimento de que uma gestão robusta de aspectos ESG torna os negócios mais resilientes e competitivos, elementos fundamentais para o sucesso nos tempos atuais. Nessa nova fase que se iniciou nos últimos anos, vemos que será necessário estruturar, profissionalizar, digitalizar e inserir aspectos ESG no desenvolvimento e implementação da estratégia do negócio.

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F: Quais suas expectativas para os primeiros seis meses como nova líder de ESG da KPMG?

NA: A minha decisão de me tornar sócia da KPMG com foco em gestão ESG foi tomada exatamente com o objetivo de movermos essa agenda e darmos um passo para um nível mais avançado. A KPMG está equipada e tem a intenção de continuar se aprimorando para fazer isso.

Temos a ambição de contribuir para a transformação dos negócios no país, para que estejam cada vez mais alinhados com um modelo de desenvolvimento que tem futuro. Um modelo que tem em sua base a economia circular e de baixo carbono, a inclusão econômico-social, a regeneração dos ecossistemas, a transparência e a inovação. Essa transformação passa, necessariamente, pela implementação de estratégias e práticas que estão conectadas com os aspectos ESG, de forma estruturada e, às vezes, inovadora.

Nos próximos seis meses, espero ter uma visão clara dos temas críticos para essa transformação das empresas nos vários setores. Vamos estar prontos para apoiá-las e motivá-las na construção dessa forma de fazer negócios com gosto de futuro.

Veja, abaixo, outras movimentações C-Level que ocorreram nos últimos 15 dias:

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