Como a pandemia ameaça o futuro dos esportes

Mike Lawrie/Getty Images
Mike Lawrie/Getty Images

Ameaça do coronavírus atinge desde os esportes juvenis até grandes tradições

Os norte-americanos estão correndo para voltar aos esportes que amam. Os jogadores querem jogar, os treinadores querem treinar e as equipes querem ver os torcedores nas arquibancadas, mais cedo ou mais tarde. Mas e se o retorno aos esportes (da maneira como eram antes) acabar sendo mais uma maratona do que uma corrida?

Embora as autoridades de saúde pública afirmem que uma vacina aprovada pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) deve estar pronta no início de 2021, essa estimativa se baseia mais no otimismo médico do que em evidências científicas. Quase todas as vacinas levam cinco anos ou, geralmente, muito mais. O recorde mundial de tempo recorde para a produção foi estabelecido em 1967, quando a farmacêutica Merck desenvolveu a vacina contra caxumba em apenas quatro anos.

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Cientistas apontam que atingir a “imunidade de rebanho”, a ponto do vírus não se espalhar mais, exigirá que pelo menos 50% dos Estados Unidos (165 milhões norte-americanos) seja vacinado ou adquira o vírus e se recupere dele. Isso significa que a vacina precisa ser altamente eficaz e que as pessoas precisam se sentir seguras para tomá-la. Nenhum dos resultados é definitivo e, de qualquer forma, chegar lá pode levar vários anos. Mesmo a linha de estudo mais otimista assume que as pessoas desenvolverão imunidade duradoura ao vírus, mas também não é comprovado cientificamente.

Veja na galeria de imagens as cinco grandes ameaças que o futuro dos esportes enfrenta.

  • 1. Ameaça financeira

    Os esportes representam a 11ª maior indústria dos Estados Unidos, entre comunicações (10) e produtos químicos (12). Com um valor estimado em US$ 750 bilhões, os jogos são um negócio sério.

    Estima-se que a Major League Baseball perderá vários bilhões durante sua temporada encurtada –uma temporada que apenas 49% dos fãs da MLB acreditam que resultará na coroação de um campeão da World Series. Já a NBA, que está mantendo seus jogadores em Orlando, espera perder cerca de US$ 500 milhões nesta temporada apenas na venda de ingressos.

    Com inúmeros ingressos, mercadorias e espaços publicitários não vendidos, a saúde da indústria do esporte está em declínio. A questão é: até onde vai cair? Enquanto os comissários da liga e presidentes de faculdades lutam para fazer as temporadas de 2020 e 2021 funcionarem, ninguém analisou um plano para tornar as temporadas futuras lucrativas se estádios e arenas forem forçados a permanecer vazios.

    Todd Kirkland/Getty Images
  • 2. Ameaça médica

    Os atletas que competem nos níveis mais altos tendem a ser jovens e em ótima forma física. Mas eles não são invencíveis.

    Eduardo Rodriguez, o arremessador do Boston Red Sox, foi diagnosticado com Covid-19 em 7 de julho e estava programado para retornar 11 dias depois. Uma ressonância magnética mostrou miocardite (inflamação do coração), uma consequência potencialmente mortal do coronavírus. Rodriguez disse que os sintomas “me fizeram sentir como se tivesse 100 anos”. Mais 12 jogadores da NCAA foram diagnosticados com o mesmo problema.

    Ainda não se sabe tudo sobre os efeitos persistentes do vírus na saúde. No entanto, pesquisas iniciais indicam que os problemas podem incluir danos a longo prazo ao coração, pulmões, rins e cérebro.

    Os mais vulneráveis, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), incluem pessoas com índice de massa corporal (IMC) acima de 30. Há mais de 300 jogadores nas escalações da NFL que têm 136 kg ou mais. Embora a Liga não tenha divulgado nenhuma informação sobre a taxa de infecção, o sindicato dos jogadores anunciou 95 testes positivos em julho.

    Embora alguns atletas tenham optado por não participar, os jogadores em grupo de risco (e técnicos de meia-idade) que escolheram continuar estão jogando roleta russa com uma arma invisível parcialmente carregada. Se a NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional, na sigla em inglês) e a NFL continuarem com os jogos nos próximos meses, a previsão é de sérias consequências para a saúde, incluindo pelo menos uma morte.

    Jared C. Tilton/Getty Images
  • 3. Ameaça a tradição e normalidade

    Visite os sites de quase todas as equipes do Big Ten ou PAC-12 e você encontrará algumas postagens que preocupam qualquer psicólogo. Torcedores fanáticos em ambas as conferências estão emocionalmente angustiados com o cancelamento da temporada de futebol americano.

    Isso é compreensível. O futebol Big Ten existe há mais de 125 anos, com equipes jogando inclusive durante as duas guerras mundiais. Serão os primeiros fins de semana sem futebol para milhões de ex-alunos e fãs.

    Mas a perda da tradição terá repercussões graves, além de intensificar interesses. O sustento de muitos funcionários e empresas, que dependem da receita do turismo e da presença de torcedores durante os jogos, também será comprometido. Essa ameaça se será reforçada se outros eventos da FBS (Taça Futebol americano, na sigla em inglês) não conseguirem completar suas temporadas sem contratempos.

    Joe Robbins/Getty Images
  • 4. Ameaça ao esporte amador

    A linha entre amador e profissional esteve indefinida por décadas. Com processos judiciais sobre a semelhança de atletas universitários em videogames e a ameaça contínua de protestos de atletas-estudantes sobre pagamentos, a morte do chamado amadorismo nos esportes está chegando há muito tempo.

    No nível universitário, os esportes lucrativos de futebol e basquete continuam a parar e recomeçar à medida que presidentes e diretores de atletismo discutem a pandemia. Para algumas escolas, uma temporada cancelada significará mais de US$ 100 milhões em receita perdida. A Universidade de Stanford já interrompeu 11 programas universitários como resultado das perdas estimadas. Não será a última instituição a descartar esportes não lucrativos.

    Uma pandemia prolongada reduzirá drasticamente o tamanho dos departamentos de esportes das faculdades e, por extensão, diminuirá ainda mais o movimento olímpico, diz a jornalista esportiva Sally Jenkins. Ela prevê: “Alguns esportes não sobreviverão. Alguns vão voltar às raízes de clube”.

    Embora atletas universitários sejam considerados “alunos em primeiro lugar”, isso raramente ocorre nos níveis mais altos de competição. No futebol e no basquete masculino, especialmente, a faculdade é uma pista de decolagem para os profissionais. Cancelar uma temporada inteira (e talvez a seguinte) poderia fazer com que atletas de elite aumentassem na busca por alternativas além da experiência universitária.

    Philip Pacheco/Getty Images
  • 5. Ameaça aos esportes juvenis e à saúde infantil

    Desde o surgimento dos esportes organizados, as ligas extracurriculares e as equipes de viagem ocupam o tempo livre das crianças desde o jardim de infância ao colegial. Mas com dezenas de times de beisebol da Little League e de futebol da Pop Warner estão cancelando temporadas e torneios, a decepção (ou alívio) inicial dos pais deu lugar a uma longa lista de perguntas e preocupações.

    Como mantemos nossos filhos ativos e se exercitando? Como replicamos ou substituímos as habilidades que as crianças aprendem por meio do esporte e da educação física: comprometimento, foco e trabalho em equipe? Na ausência de uma programação de atividade física, o que fazemos a respeito da ameaça do sedentarismo?

    Citando estudos que mostram que as crianças mantêm um peso estável durante o ano letivo, mas ganham peso durante o verão, especialistas em saúde pública prevêem que o fechamento das escolas, combinado ao cancelamento dos esportes em equipe, irão aumentar os níveis de obesidade infantil no país. Além disso, eliminar as interações sociais e o tempo de jogo enquanto aumenta o isolamento social e o tempo no celular e televisão pode ser uma receita para problemas de saúde mental, aponta pesquisadores pediatras.

    Tais problemas existem após apenas cinco meses de bloqueios parciais. Mas imagine as consequências se a pandemia se arrastar por anos. Pais, jogadores, treinadores e fãs estão depositando suas esperanças em uma solução para a crise atual. A realidade, no entanto, será altamente decepcionante para muitos. O coronavírus não vai desaparecer tão cedo.

    Diante de uma pandemia viral, pode parecer bobagem a preocupação com esportes. Mas perder jogos e tais eventos irá prejudicar a saúde e o bem-estar das pessoas, tornando os problemas atuais muito piores no futuro.

    Scott Olson/Getty Images

1. Ameaça financeira

Os esportes representam a 11ª maior indústria dos Estados Unidos, entre comunicações (10) e produtos químicos (12). Com um valor estimado em US$ 750 bilhões, os jogos são um negócio sério.

Estima-se que a Major League Baseball perderá vários bilhões durante sua temporada encurtada –uma temporada que apenas 49% dos fãs da MLB acreditam que resultará na coroação de um campeão da World Series. Já a NBA, que está mantendo seus jogadores em Orlando, espera perder cerca de US$ 500 milhões nesta temporada apenas na venda de ingressos.

Com inúmeros ingressos, mercadorias e espaços publicitários não vendidos, a saúde da indústria do esporte está em declínio. A questão é: até onde vai cair? Enquanto os comissários da liga e presidentes de faculdades lutam para fazer as temporadas de 2020 e 2021 funcionarem, ninguém analisou um plano para tornar as temporadas futuras lucrativas se estádios e arenas forem forçados a permanecer vazios.

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