Flávia Camanho: Os 7 passos da governança familiar

Klaus Vedfelt/Getty Images
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A falta de alinhamento prévio frente à complexidade que advém do avanço dos negócios e do crescimento das famílias irá desafiar a perenidade do próprio negócio e a harmonia do ambiente familiar

Se você foi atraído(a) pelo título, teve um motivo genuíno: imaginou que iria encontrar uma fórmula simplificada para sua governança, algo de fácil aplicação ou que trouxesse, de forma objetiva, o que deve ser feito. Sinto dizer que, quando se trata de governança familiar, não existe fórmula, segredo ou jeitinho. O que se aplica é a “lei da colheita

Essa é uma lei bem simples de entender. É um princípio universal que respeita o tempo e a correlação entre o que oferecemos ao mundo – as sementes – e o que recebemos – a colheita.

Sob esse prisma, o que seria então a governança familiar?

De forma simplificada, é a implantação de um sistema pelo qual a família empresária se relaciona com seus negócios e seu legado. Para iniciar um processo de governança, os membros da família empresária deverão dedicar um tempo de qualidade para identificar qual filosofia os donos adotaram como relação de interdependência entre a família e a empresa. Quando digo identificar (e não criar) é porque todas as atitudes tomadas nessa inter-relação já atuaram formando regras de ouro, conscientes ou inconscientes, que determinarão como a família entende o papel do seu negócio ao longo do tempo. Dentro do conceito de governança familiar, cada regra estabelecida é uma semente que será plantada e trará frutos para a história.

A partir da lucidez dessa relação já estabelecida, existem algumas definições que irão dar base sólida para a construção do processo: identificar quais são seus valores, qual é sua missão como negócio e como família e responder a algumas perguntas que são extremamente relevantes no entendimento do seu contexto.

“As estruturas das famílias não são iguais, os contextos dos negócios são múltiplos, os vínculos familiares são multifacetados e permitem inúmeras configurações.”

Quantos proprietários existem? Quantas gerações convivem na família? Quantos estão envolvidos no negócio? Os proprietários estão servindo em funções de gestão/ operação do negócio? Quantas gerações estão efetivamente atuando nos negócios? Existem executivos não familiares? Qual é o tamanho do negócio? Que recursos estão disponíveis para os membros da família? Os membros da família se conhecem? Estão de acordo sobre os principais pontos do negócio? Existe margem para um potencial desacordo? Quem está ou estará envolvido na tomada de decisões da família? Como as decisões serão tomadas?

Como você pode perceber, a amplitude das respostas possíveis a tantas perguntas não permite a formulação de uma solução única, com etapas predeterminadas que poderiam levar todas as famílias aos mesmos procedimentos e resultados. As estruturas das famílias não são iguais, os contextos dos negócios são múltiplos, os vínculos familiares são multifacetados e permitem inúmeras configurações. Soma-se a isso o importante fato de que o propósito de cada família é um dos principais fatores a direcionar seu caminho.

No entanto, essas questões devem ser previstas e respondidas o quanto antes por todas as famílias empresárias. Como acionistas responsáveis, sabemos que a falta de alinhamento prévio frente à complexidade que advém do avanço dos negócios e do crescimento das famílias irá desafiar a perenidade do próprio negócio e a harmonia do ambiente familiar.

O único passo que não pode mudar em nenhuma família é o primeiro: a decisão de começar.

Flávia Camanho Camparini é consultora em governança familiar e estratégia de desenvolvimento humano, fundadora do Flux Institute e partner facilitator dos programas do Cambridge Family Enterprise Group do IBGC

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