É real: homens também podem ter depressão pós-parto

Doença costuma se expressar na forma de agressividade, de enorme irritabilidade, de grande tensão e ansiedade.

Dr. Arthur Guerra
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Para uma parcela significativa dos homens, o período após o nascimento do bebê é bastante desafiador

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“Triste est omne animal post coitum, praeter mulierem et gallum”. Esta frase em latim, que é atribuída ao médico e filósofo Galeno, um especialista em anatomia da época do Império Romano, diz o seguinte em português: “Depois do coito (relação sexual), todos os animais são tristes, exceto a mulher e o galo”.

Evidentemente, a frase tem os seus equívocos, mas tem algo de verdade. Alguns animais, como é o caso do homem, tendem a se sentir melancólicos depois da relação sexual.

Digo isto para tratar de uma outra verdade. Muitos homens vão desenvolver uma forma de depressão depois do nascimento do filho – e não necessariamente do primeiro filho. A depressão pós-parto masculina é, sim, uma realidade.

Para uma parcela significativa dos homens, o período após o nascimento do bebê é bastante desafiador, do ponto de vista financeiro e emocional. Fica mais difícil equilibrar compromissos profissionais com pessoais e, além disso, apoiar a mulher, ela mesma envolvida nos seus próprios desafios da maternidade. O estresse e a exaustão físico-emocional podem levar ao desenvolvimento de depressão.

Só que, ao contrário da depressão que muitas mulheres que deram à luz vão experimentar, a do homem se manifesta de forma bem diferente. Nelas, geralmente surge uma tristeza profunda, uma sensação de desânimo com relação à vida que pode, inclusive, levá-las a abandonar os cuidados do bebê. É um quadro gravíssimo e que precisa ser tratado e acompanhado de perto.

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Neles, a depressão não é aquela clássica. Ela costuma se expressar na forma de agressividade, de enorme irritabilidade, de grande tensão e ansiedade. Os homens com esse tipo de depressão também estão mais suscetíveis ao aumento do consumo de álcool e drogas, por exemplo.

 

Muitos homens, particularmente os mais velhos, ainda relutam em buscar ajuda – e aqui eu não me refiro apenas a homens com essa condição. Parte desse comportamento está ligado à ideia de uma masculinidade à moda antiga, de que o homem deve ser o provedor da família, ser o lado forte da balança. O mundo mudou, e não foi hoje.

Some-se a isso o fato de que a paternidade/maternidade ainda é cercada de tabu. É difícil, para muitas pessoas, admitirem estar deprimidas em um momento que deveria ser de grande felicidade.

Felizmente, homens das gerações mais jovens – os mais afetados, segundo apontam alguns estudos – geralmente estão mais abertos a procurar auxílio profissional, até para demonstrar à companheira ou companheiro que existe parceria, até nesse momento que é difícil para eles.

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

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