Lideranças devem ser o exemplo na questão da saúde mental

Os líderes são as melhores pessoas para identificar questões de sofrimento nas equipes por causa do contato diário .

Dr. Arthur Guerra
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Lucy Lambriex/Getty Images
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É preciso começar a pensar nos possíveis desdobramentos a longo prazo que o distanciamento social causará nos funcionários

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Nós vivemos tempos de incerteza. Quando, afinal, a vacina chegará à maior parte da população brasileira? Quando os escritórios e o comércio vão reabrir de vez, sem o abre-fecha que hoje presenciamos? Quando a vida voltará a entrar no prumo? Tempos de incerteza são o combustível perfeito para o aparecimento de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.

Algumas pesquisas realizadas no início da quarentena, em 2020, quando precisamos adotar a regra do distanciamento social, já davam conta do rápido aumento de casos de ansiedade e de consumo abusivo de álcool. A startup Pulses realizou um levantamento semelhante no ambiente organizacional. Depois de ouvir mais de 80 mil funcionários de 261 empresas, a Pulses encontrou índices de ansiedade média e alta na faixa de 54%.

Esses são alguns dos resultados óbvios do impacto da pandemia na saúde mental dos empregados. No entanto, esses são impactos de curto prazo. Ainda não sabemos o que está por vir no longo prazo.

Não por acaso, as organizações estão se dando conta de como será importante daqui para frente enfrentar esse tema. Como as lideranças podem contribuir para isso?

Em primeiro lugar, elas são as melhores pessoas para identificar questões de sofrimento mental em seus times, mais até do que médicos do trabalho ou gerentes de RH, pois são elas que convivem diariamente com suas equipes e as conhecem profundamente.

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O líder – ou o supervisor imediato – é alguém capaz de saber se um membro do time está se atrasando para reuniões repetidas vezes, se manifesta grande irritabilidade ou se a expressão facial está diferente. Mas, boa parte das vezes, essa liderança precisa ser treinada a detectar problemas de saúde mental e a fazer o encaminhamento daquele empregado a um especialista ou ao RH.

Em segundo lugar, as lideranças precisam assumir as suas próprias vulnerabilidades. A pandemia, de certa forma, normalizou problemas de saúde mental. Quer dizer, todo mundo sentiu e ainda sente algum desconforto.

A diminuição do estigma que ainda cerca os transtornos mentais no ambiente corporativo só se dará se as pessoas, principalmente aquelas que ocupam posições de poder, compartilharem as suas experiências.

Nunca foi tão importante humanizar a relação líder-liderado. O líder que se abre para assumir que também tem enfrentado desafios de toda ordem é o líder capaz de inspirar confiança e de engajar o seu time.

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

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