Conheça os tipos de vinho que fogem do tamanho convencional

Spiderstock/Getty Images
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Com boa parte dos nomes vindos da Bíblia, diferentes tamanhos de garrafa de vinho podem ser encontrados além da tradicional de 750ml

As garrafas têm um papel fundamental no envelhecimento do vinho. Antes de formato esférico, as garrafas evoluíram para o cilíndrico no século 18, o que facilita a estocagem e a conservação. No geral, quanto maior o tamanho, maior o tempo de conservação. O mesmo acontece ao contrário: as meias garrafas, de 375ml, envelhecem mais rápido e, por isso, é sempre bom se informar sobre a idade das meias garrafas e optar pelas mais jovens.

O formato de 750ml tem duas versões de origem. A primeira é de que, como as garrafas eram feitas no sopro, a capacidade de soprar era de 750ml, de acordo com a potência do pulmão do soprador. A outra versão é de que como os ingleses eram os principais consumidores de vinhos, e continuam sendo até hoje, eles determinaram uma medida de tamanho baseada nas barricas de 50 galões, que tem 225 litros, que equivalem a 300 garrafas de 750ml. Um galão equivale a seis garrafas de 750ml e é por isso que, até hoje, vende-se caixas com 6 garrafas.

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Além da meia garrafa, de 325ml, quais são os outros formatos acima de 750ml?

Magnum

Uma Magnum equivale a duas garrafas, ou seja 1.5 litros. O nome vem do latim Magnum que significa grande. É um dos formatos mais práticos e eficientes em termos de estocagem e conservação do vinho. A quantidade de ar é proporcionalmente menor do que uma garrafa de tamanho tradicional, em relação ao líquido contido. Isso faz com que a oxigenação seja menor e a conservação do vinho melhor.

Jéroboam

São quatro garrafas de 750ml. Em Bordeaux a chamam de double-magnum. Seu nome vem do rei bíblico Jéroboam I (931-909 a.C.) que foi o primeiro rei do norte de Israel. Ele recebeu a coroa de 10 tribos que se revoltaram contra Réhoboam, filho de Salomão.

Réhoboam

Contém seis garrafas de 750ml. Seu nome vem do filho do rei Salomão, um rei tirânico.

Matusalém

Contém oito garrafas de 750ml. Pode ser chamada de Imperial em Bordeaux. Segundo Gênesis, Matusalém era o filho de Enoque, neto de Noé, que viveu 969 anos. Por isso a brincadeira de chamar alguém assim quando é mais velho e parece não envelhecer.

Salmanasar

Contém 12 garrafas de 750ml, ou seja, nove litros. Esse formato não existe em Bordeaux, só em Champanhe, Borgonha e Rhône. Nome dado ao rei Salmanasar que comandou a Assíria e foi um grande conquistador. Algumas Maisons e Domaines se especializaram nesse formato.

Balthazar

Contém 16 garrafas de 750ml. É um dos três reis magos que vieram prestar homenagem no nascimento de Jesus.

Nabucodonossor

20 garrafas!! Seu nome vem do famoso rei da Babilônia que governou entre 605 e 562 a.C. Geralmente feita sob encomenda, assim como a maioria dos outros grandes formatos.

Salomão

Contém 24 garrafas.

Na região de Jura não existem grandes formatos, mas tamanhos e formatos diferentes: Demi Clavelin tem 0.365L e Clavelin 0.63L

Os nomes bíblicos têm uma razão de ser, claro. No início, os vinhedos eram sempre geridos pelos monges. A igreja controlou, por muitos anos, essa cultura do vinho e era de se esperar que essa influência permanecesse.

Mas qual o apelo do grande formato?

Primeiro, o preço. Uma garrafa maior tem um custo menor se comparado ao tamanho tradicional. Isso pode mudar, claro, de acordo com a raridade da garrafa. Os grandes formatos de vinhos finos acabam sendo mais caros pois são produzidos em pequenas quantidades. São uns dos melhores investimentos porque eles atingem preços estratosféricos no mercado.

Outra questão é a longevidade da garrafa.

Ano de nascimento e datas comemorativas em geral têm um grande apelo pois, pode-se comemorar no futuro com a garantia de que um grande formato entrega em relação a conservação do vinho.

Outro motivo é a questão humana e do ego. Quem não vira o pescoço pra um formato grande? É também excelente para festas. Os grandes formatos fazem parte da cultura do vinho e tem sempre um lugar para elas na vida das pessoas.

Se não quiser as muito grandes e quiser contribuir para a não emissão de carbono, as magnuns são a melhor opção por serem mais fáceis de transportar, de servir e a conservação é excelente. O que não exclui a possibilidade de brincar, de vez em quando, com um formato maior que aparecer na sua frente.

A melhor opção é sempre o bom senso e o tal do equilíbrio, que nos ensina a ponderar as nossas atitudes para uma harmonia entre todas as coisas.

Tchin tchin

Carolina Schoof Centola é fundadora da TriWine Investimentos e sommelière formada pela ABS, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

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