Simone Biles ensina a importância do autocuidado

Dylan Martines/Reuters
Dylan Martines/Reuters

Simone Biles, considerada um dos grandes nomes desta edição dos Jogos Olímpicos, desistiu de competir nas provas em equipe e individual geral

A desistência da ginasta norte-americana Simone Biles de participar das provas em equipe e individual geral na Olimpíada de Tóquio para cuidar da sua saúde mental é uma poderosa lembrança do quanto o autocuidado é importante e como, às vezes, precisamos jogar a toalha e dizer “eu não estou bem, preciso parar”.

Considerada a grande estrela desta Olimpíada, a atleta admitiu que a enorme cobrança por resultados era como carregar o peso do mundo nos ombros. Ela não aguentou.

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Atletas olímpicos de fato carregam um fardo grande sobre os ombros. Não é só o fato de que realmente desejam representar da melhor maneira possível os seus países, superar-se, mas também a pressão de ter um bom desempenho porque são pagos para isso. Quanto dessa carga que levam nas costas vem de fora (depositada pelos outros) e quanto é autocobrança?

Quando uma atleta da importância e da estatura de Simone decide pisar no freio para cuidar dela mesma, ela nos ensina que é impossível viver para atender às expectativas dos outros. A agulha da bússola que guia o nosso caminho deve estar dentro de nós.

Igualmente, ela ensina que é impossível dar conta de todas as expectativas que criamos para nós mesmos. Muitas vezes, elas são grandes demais; por isso, precisamos nos olhar com mais generosidade. Autocuidado também é sermos menos duros com nós mesmos.

Mas quantos de nós se colocam em primeiro lugar quando enfrentam algum problema? Quantos de nós impõem limites às cobranças muitas vezes irreais de metas? Quantos de nós têm a coragem de reconhecer que precisam de ajuda?

A norte-americana também nos ensina que pressão e cobranças, quando incessantes, funcionam como combustível para o desenvolvimento de problemas de saúde mental, como são a ansiedade e a depressão. Ela declarou que sempre fez parecer que a pressão não a afetava, mas que, às vezes, era muito difícil. Quantos de nós não fazemos isso regularmente no ambiente de trabalho?

Essa imposição permanente levou o nadador brasileiro Bruno Fratus a ficar deprimido por um longo tempo. Sábia foi a mulher dele quando, ao pé do ouvido do atleta antes da prova, disse a ele: “Independentemente do que acontecer, permita-se ser feliz”. Autocuidado é nos permitirmos ser felizes.

Simone Biles disse que a atitude dela ao admitir que estava enfrentando questões de saúde mental foi inspirada na da tenista japonesa Naomi Osaka. No último torneio de Roland Garros, ela abriu o jogo, dizendo sofrer com crises de depressão.

O que os atletas olímpicos nos ensinam, ainda, é que é preciso falar mais sobre esse tema, que é preciso que aprendamos a nos abrir com nossa família, nossos amigos, nossas lideranças quando não estivermos bem. Como escreveu Naomi: “Espero que as pessoas possam entender que está tudo bem não estar bem”.

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

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