Fake news sobre alimentação também podem ser prejudiciais

Entender o que é mito ou verdade é essencial para fazer as escolhas certas na hora de comer.

Eduardo Rauen
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Wojciech Kozielczyk/Getty Images
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Quando tratamos de algo tão valioso quanto a saúde e a alimentação, não podemos deixar as fake news prevalecerem

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Promessas de emagrecimento fácil, comida para comer e não engordar, alimentos superpoderosos. Não são poucas as fake news que rondam nosso cotidiano quando o assunto é alimentação saudável. Entender o que é mito ou verdade é essencial para fazer as escolhas certas na hora de comer.

Na busca por informações fáceis, é comum vermos uma divisão rígida entre os alimentos “proibidos” e os que são “salvadores”, muitas vezes sem confirmações científicas.

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Um dos “vilões” da moda é o carboidrato, que acaba sendo injustamente responsabilizado pelo excesso de peso. As ideias que reduzem os alimentos de forma simples, como as falas comumente vistas: “carboidrato engorda”, “açúcar engorda”, entre outras, costumam ser falhas de informação, já que esses critérios dependem de outros fatores, como a quantidade consumida, por exemplo.

Outro que vem sendo indevidamente generalizado como prejudicial é o glúten. Com exceção das pessoas que realmente têm intolerância a ele, não faz sentido a decisão de tirar totalmente o ingrediente da dieta sem uma recomendação médica. É mais um dos mitos que se amplificam com a difusão de informações falsas especialmente pelas redes sociais.

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Diante de uma opinião extrema sobre as vantagens ou desvantagens de um alimento, vale redobrar a atenção, porque junto com uma inverdade costumam surgir outras. Vemos, por exemplo, o caso dos sucos naturais.

Muitas pessoas têm retirado da dieta os refrigerantes, os quais são prejudiciais à saúde. Porém, no lugar do refrigerante, estão incluindo sucos naturais e/ou de caixinha, com a falsa ideia de que estão sendo mais saudáveis. Contudo, isso não passa de uma inverdade.

O ideal é sempre comer as frutas e não tomar o suco delas. Isso porque o suco da fruta tem um alto teor de glicose e se tomado em excesso, pode causar ganho de peso e risco aumentado de diabetes tipo 2. Isso também não significa que devemos abolir da nossa vida os sucos naturais. Tudo que for realizado com moderação e equilíbrio estará dentro da normalidade. Siga sempre essa premissa: prefira comer as frutas a fazer o suco delas!

As proibições taxativas também devem passar por um exame mais apurado. Deve-se buscar a origem da informação e, na dúvida, confirmar com um profissional qualificado. Volta e meia vemos circular as notícias recheadas de exageros, como a proibição do café, do sal e do açúcar, entre outros. O melhor posicionamento é a moderação: tudo em demasia pode fazer mal.

O fato é que alimentos superpoderosos ou milagrosos não existem.

Sabemos sim da existência de alimentos ruins e maléficos à saúde, e por isso, devemos evitá-los. O que deve existir, na verdade, é uma alimentação balanceada, embasada na quantidade, qualidade, harmonia e adequação, seguindo o que chamamos de Leis de Escudero.

Retirar grupos alimentares pode ser prejudicial à saúde e causar uma má nutrição. A retirada de determinados alimentos só poderá ocorrer se acompanhada por profissional da área que possa, com base em verdades, orientar de forma individual seu paciente.

O que sempre é válido é a busca pelo equilíbrio na alimentação e no estilo de vida, com a inserção regular de exercícios físicos e também o sono adequado. A famosa expressão que sugere preferir descascar ao invés de desembalar não sai de moda, assim como o bom senso e a busca por informação confiável. Quando tratamos de algo tão valioso quanto a saúde, não podemos deixar as fake news prevalecerem.

Eduardo Rauen é médico formado pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. É médico nutrólogo (com título de especialista pela ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia) e do Exercício e do Esporte (com título de especialista pela SBMEE – Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte). Também atua como diretor técnico do Instituto Rauen – Medicina, Saúde e Bem-estar.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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