A festa do champanhe

Evento em NY é oportunidade para conhecer e aprender um pouco mais sobre a história e a energia da borbulhante bebida.

Carolina Schoof Centola
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A programação inclui palestras e seminários sobre temas como métodos de produção em Champagne, viticultura e a história do champanhe

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O evento mais aclamado, cobiçado e disputado no mundo do champanhe é a La Fête du Champagne em Nova York, geralmente no outono. Evento que reúne entre 30 e 50 produtores, consiste em almoços e jantares, entre eles os fora do circuito, que costumam ser ainda mais restritos. Também conta com a degustação de todos os produtores e um jantar de gala comandado pelo chef Daniel Boulud. Nesse jantar, cada pessoa é convidada para trazer uma garrafa e os produtores servem, pessoalmente, joias raras. Para os amantes de champanhe, é uma oportunidade para conhecer e aprender um pouco mais sobre a história e a energia dessa borbulhante bebida.

Daniel Johnnes, diretor da Dinex Group, companhia de vinho do grupo Daniel Boulud, que consiste nos restaurantes Daniel, DB Bistro, Café Boulud, Bar Boulud, DBGB e Boulud Sud, criou a La Paulée, uma celebração dos vinhos da Borgonha e depois, junto a Peter Liem, a La Fête du Champagne.

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Peter Liem é um dos principais jornalistas atuais sobre a região de Champagne. Criou o ChampagneGuide.net e lançou o livro “Champagne”, que ganhou o James Beard Award, o André Simon Award e o IACP Award. Peter se apaixonou por champanhe quando experimentou um Clos du Mesnil 1979. Aquilo deu um clique nele.

Peter, o champanhe desse ano dá clique em qualquer um. Gratidão por você ter escolhido aprofundar seu conhecimento e compartilhar conosco preciosas e concretas informações sobre essa região.

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A programação inclui palestras e seminários, que esse ano foram virtuais, adicionando substância cultural para os participantes. Os temas desse ano foram: método de produção em Champagne, viticultura, Pinot noir em Bouzy e Ambonnay e a história do champanhe.

Os almoços e jantares tem um produtor único. É feita sempre uma retrospectiva de várias safras, a vertical. Drappier por exemplo teve até 1979. O jantar da Krug, no restaurante Saga, com uma vista maravilhosa da cidade, custou US$1.900. Foram servidas 11 versões da marca, entre elas duas safras de Clos du Mesnil e o raro blanc des blancs de Mesnil sur Oger. Os jantares sempre têm a presença do representante, nesse caso Olivier Krug.

Olivier também promoveu outro jantar, organizado pela LVMH, do qual participei sentada ao lado dele. Assuntos sobre sustentabilidade estão seriamente na pauta da empresa, com medidas que serão revolucionárias. “O problema, ele diz, é que para fazer uma mudança na empresa demora anos. Nós não temos tempo a perder!”

Os jantares fora do circuito são menores e com aberturas de garrafas épicas.

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No mesmo dia, aconteceu um jantar da Maison Salon, uma das pequenas, quase inacessíveis, casas de champanhe. Produção pequena, mas de extrema profundidade, elegância e de uma majestade indiscutível. O jantar foi de um clube de vinho privado, fomos os primeiros a degustar o 2012 nos EUA, um privilégio.

A localização era sensacional. Uma daquelas entradas em que você passa na frente várias vezes e não vê, quase que feita para que ninguém veja mesmo, disfarçada de padaria, sabe? Vem uma pessoa te acompanhar, você desce uma escada, passa por lounges super descolados, passa por uma porta que leva para um depósito de vinhos bebidos, usados para decoração, com uma iluminação sutil, entra numa câmara fria onde são guardados os vinhos e chega numa sala subterrânea com várias obras de arte, meio sem acabamento, com um fio de iluminação de led daqueles ambientes externos, um mix de arte, vinho e música. O anfitrião do evento estava de chinelo, autenticidade pura. Da New York Vintiners, revendedor e organizador dos eventos de vinhos mais exclusivos, Shane e sua esposa comandam essa jornada de experiências gastronômicas.

A feira de degustação acontece no píer 60, um momento de contato com a água e a força da natureza que trouxe, neste dia, uma chuva de granizo. Todos os produtores têm o seu stand com os champanhes para serem degustados. Pegue sua taça na entrada e faça seu circuito. Mas com champanhe precisamos de comida, claro. Não menos que ostras, caviar, jamón ibérico, pães e outras delícias para nos sustentar nessa jornada de aprendizado.

Quando acaba a feira, eles transformam o mesmo lugar em um cenário de mesas longas, palco e todos os acessórios necessários para uma festa do champanhe. A quantidade de garrafas que as pessoas trazem para compartilhar é impressionante, tamanha generosidade, mas uma litragem humanamente difícil de acompanhar. São magnums, jeroboans, safras e safras, champanhes de coleção, garrafas nunca vistas. É impossível dizer não. Muito difícil lembrar ou anotar alguma coisa tamanha a velocidade e as raridades que aparecem, ninguém quer perder o momentum!

O truque é tirar foto de tudo que se prova, desenvolver o olfato, o paladar e esperar que isso fique gravado na memória sensorial. Um desbunde.

Uma festa com música ao vivo, alegria, mulheres e homens bem vestidos, jantar e serviços impecáveis, que transmitem perfeitamente o ápice da bebida champanhe, a celebração!

Tchim-tchim.

Carolina Schoof Centola é empreendedora do mundo do vinho plus sommelière, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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