Ofertas de ações movimentam R$ 66,1 bilhões no 1º semestre

Artur Nicoceli e Mariangela Castro
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Especialistas projetam forte volume de IPOs e follow-ons para o segundo semestre de 2021.

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As ofertas iniciais de ações somaram nos primeiros seis meses deste ano 27 operações (considerando ofertas restritas) e 13 follow-ons, movimentando cerca de R$ 66,1 bilhões no  período, segundo dados da B3. Juntas, as operações do início de 2021 já superam o total de IPOs de 2020, quando 28 ofertas foram concluídas na B3, movimentando R$ 117 bilhões. 

Entre as maiores operações do semestre estão o IPO da Caixa Seguridade (CXSE3), braço de seguros da Caixa Econômica Federal, que levantou R$ 5 bilhões em abril, segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o follow-on da Lojas Renner (LREN3), com volume de R$ 3,,9 bilhões e realizado em maio. 

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Na análise de Daniel Bassan, CEO do UBS BB Investment Bank, diferente dos anos anteriores, os recursos levantados nas ofertas são majoritariamente voltados para  aquisições ou projetos internos das companhias. “Com os juros mais baixos, o mercado de IPOs se mostrou bastante ativo. É um mercado mais aberto para empresas do middle market que, apesar de não oferecerem uma liquidez maior, têm alto potencial de crescimento que viabilizam uma transação”, diz. Em 2021, o UBS BB participou de 12 IPOs e follow-ons na B3. 

A Espaçolaser (ESPA3), que estreou na Bolsa em 1º de fevereiro e levantou R$ 2,3 bilhões em seu IPO, utilizou parte do montante para a compra de 18 lojas nos estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro por R$ 110 milhões. Ontem (30), as ações da companhia fecharam em R$ 19,00, uma variação próxima de 6% em relação ao início das negociações.

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Bassan explica ainda que entre os meses de abril e maio foi possível observar um menor volume de ofertas em função da maior volatilidade do mercado, que repercutiu o risco inflacionário e as incertezas globais quanto aos patamares dos juros em outras economias. “Algumas companhias acabaram postergando o seu processo de abertura de capital”. 

De fato, apenas nestes dois meses foram registradas 16 desistências de abertura de capital na CVM. Para efeitos comparativos, em junho, a autarquia federal não recebeu pedidos de cancelamento de ofertas de ações.

Nas empresas que optaram por postergar ou descontinuar suas ofertas, o destaque fica por conta do setor imobiliário, que no primeiro semestre somou nove incorporadoras abandonando o processo de abertura de capital. Entre elas estão a Emccamp Residencial, a primeira a abortar os planos de um IPO em janeiro, seguido pela Nortis Incorporadora, EZ Incorporações e MPR Participações, todas em fevereiro. A última foi a Tegra Incorporadora, em abril. 

Nicolas Farto, especialista em renda variável da Renova Invest, avalia que a expectativa de alta dos juros a partir de 2021 – a fim de controlar as pressões inflacionárias, foi um dos fatores que impactou o setor imobiliário. “O segmento sofre um grande impacto nas vendas quando ocorre uma alta de juros de longo prazo, pois essa variável impacta diretamente nos financiamentos imobiliários”, explica.

No semestre, 32 companhias optaram por adiar seus IPOs, de acordo com a CVM. Algumas migraram para ofertas restritas de ações (CVM 476/2009), processo que difere do IPO regular (CVM 400/2003), entre outros fatores, porque é destinado a investidores qualificados (profissionais de mercado ou investidores com no mínimo R$ 1 milhão em aplicações financeiras). 

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A Agrogalaxy, holding de revendas de insumos agropecuários, é uma das empresas que optou por uma oferta restrita de ações. O IPO da companhia estava suspenso desde março em função das condições de mercado

As perspectivas para os próximos seis meses são de continuidade no volume observado até então. Evandro Lima, analista da XP, acredita que os próximos meses serão marcados por volume expressivo de ofertas. “As empresas começaram a enxergar valor em abrir capital, é uma forma de se financiar sem recorrer a empréstimos. O número de IPOs vai ser cada vez maior assim como o número de investidores pessoa física, estamos apenas no início”, defende.

Lima também afirma que a economia brasileira está mais estabilizada, apesar das incertezas dos últimos meses. “Quem diria que a taxa de juros seria de 2% apenas? Em algum momento a gente consegue recuperar o grau de investimento e isso é tudo que precisamos para trazer mais investidores para a Bolsa e, principalmente, o investimento estrangeiro em aportes definitivos”, diz. 

Para Farto, os setores que foram mais impactados durante as quedas de 2020 são os que devem performar melhor nos próximos meses. O especialista exemplifica segmentos como varejo (físico), shoppings, setor aéreo, educação, seguros e distribuição de combustíveis.

Aos investidores, ele recomenda diversificar a carteira de ações para se proteger de uma piora nos números de pandemia. “Uma alocação saudável deve também considerar alocações internacionais, especialmente quando temos um dólar mais barato”, sugere.

Bassan também enxerga o próximo semestre com otimismo. “Se o volume se repetir, podemos esperar que 2021 supere o ano de 2020 em que tivemos R$ 117 bilhões em emissões”, afirma o executivo, que projeta entre 40 e 50 novos pedidos de IPO até o final do ano. 

No momento, a fila de empresas em análise para ofertas na CVM conta com 56 prospectos, Destes, 52 pedidos foram realizados neste ano e quatro no segundo semestre de 2020. Todos seguem em análise.

CVM e B3
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Levantamento não contabiliza BDRs e ofertas restritas.

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