Fed pode abrir temporada de redução de estímulos, mas limitá-la às perspectivas

As autoridades têm dito que a recuperação econômica continuará e permitirá que o banco central reduza seus US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos.

Redação
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Chris Wattie/Reuters
Chris Wattie/Reuters

Prédio do Federal Reserve (Fed) em Washington, DC

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O Federal Reserve deve abrir caminho hoje (22) para reduções em suas compras mensais de títulos neste ano e mostrar em projeções econômicas atualizadas se a inflação mais alta do que o esperado ou o ressurgimento da pandemia estão pesando nas perspectivas.

O Fed divulga seu comunicado de política monetária ao fim de sua reunião de dois dias, às 15h (horário de Brasília), e o chair Jerome Powell dará entrevista coletiva para comentar a decisão às 15h30.

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Desde o final de julho as autoridades têm lidado com um conjunto conflitante de desdobramentos — sinais de desaceleração no setor de serviços, surto da pandemia e fraco crescimento do emprego em agosto, tudo somado à inflação ainda forte — e há conflito entre elas sobre como reagir.

Em sua maioria, as autoridades têm dito que a recuperação econômica continuará e permitirá que o banco central prossiga com os planos de reduzir seus US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos até o final do ano, encerrando as aquisições totalmente ao longo do primeiro semestre de 2022.

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Mas analistas externos e especuladores esperam que o Fed seja cauteloso ao falar sobre quando exatamente a redução pode começar, e que vincule isso a uma recuperação no crescimento do emprego após um relatório surpreendentemente fraco em agosto, com abertura de apenas 235 mil postos de trabalho.

O comunicado provavelmente reconhecerá que a economia deu mais um passo em direção ao “progresso substancial” que o Fed deseja ver no mercado de trabalho antes de reduzir suas compras de títulos, disseram os economistas Aneta Markowska e Thomas Simons, da Jefferies, em uma análise.

Embora os dados de emprego de agosto tenham sido fracos, os EUA criaram 1 milhão de vagas em julho e têm média de abertura de 716 mil postos de trabalho desde maio.

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Ainda assim, dados de alta frequência e indicadores alternativos de emprego sugerem que os próximos dados também podem decepcionar, e os analistas da Jefferies disseram que a primeira redução real na compra de títulos provavelmente será “condicionada a um sólido ganho de emprego em setembro”.

O mercado de trabalho dos EUA ainda tem 5,3 milhões de vagas a menos do que seus patamares pré-pandemia.

Quando vier, a redução das compras de títulos marcará o início do que provavelmente será uma lenta mudança das medidas implementadas em março de 2020 para ajudar a economia durante a pandemia, em direção a uma política monetária mais normal, que eventualmente incluirá juros mais altos.

Powell — que deve descobrir antes da próxima reunião do Fed, em novembro, se o presidente Joe Biden deseja mantê-lo por um segundo mandato como chair do banco central — enfatizou em vários discursos importantes, incluindo na conferência do Fed de Jackson Hole, que o eventual início da redução das compras de títulos não tem relação com o debate sobre juros.

É um ponto que ele provavelmente reiterará em sua coletiva de imprensa hoje (22).

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As novas projeções econômicas e de juros das autoridades, no entanto, darão uma ideia de quanto demorará para que o Fed anuncie aumentos de juros após a redução de compras de títulos. Além disso, devem mostrar se a alta da inflação está fazendo com que as autoridades planejem o aumento inicial dos juros já para o próximo ano.

(Com Reuters)

 

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