Brasileiros fundadores da Brex se tornam bilionários

Henrique Dubugras, 26, e Pedro Franceschi, 25, se conheceram no Twitter em 2012, quando moravam em São Paulo e Rio de Janeiro.

Eliza Haverstock
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Brex/Divulgação
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A Brex é uma Startup de cartões corporativos fundada por Henrique (à esquerda) e Pedro e foi avaliada em US$ 12,3 bilhões em sua última rodada de financiamento

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Com pouco mais de 20 anos, os brasileiros fundadores da Brex agora são os novos bilionários do mundo, graças a uma rodada de financiamento anunciada esta semana que quase dobrou o valor de avaliação da fintech que foi fundada há cinco anos.

A startup tem sede em São Francisco e a missão de revolucionar a indústria de cartões de crédito corporativos. Na última terça-feira (11), a empresa levantou US$ 300 milhões em uma rodada de financiamento liderada pelas empresas de investimento Greenoaks Capital e TCV (Technology Crossover Ventures), o que lhe garantiu uma avaliação de mercado de US$ 12,3 bilhões – um salto considerável em relação aos US$ 7,4 bilhões de nove meses atrás.

A Forbes estima que os co-fundadores (e co-CEOs) Henrique Dubugras, 26, e Pedro Franceschi, 25, detêm uma participação de 14% cada um, o que lhes dá cerca de US$ 1,5 bilhão cada. A dupla se recusou a comentar as nossas estimativas, mas Dubugras conversou com a Forbes sobre o caminho de sucesso de sua startup.

A jovem fintech fez seu nome com um cartão de crédito corporativo adaptado às necessidades das startups. Esse continua sendo o principal produto da Brex, e as taxas de intercâmbio que os comerciantes pagam quando os funcionários passam os cartões da empresa constituem quase toda a sua receita.

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Nos últimos anos, a Brex também lançou novas ofertas de software, como um produto de gerenciamento de despesas e um recurso de pagamento de contas comerciais: “Se você receber uma fatura em seu e-mail, basta encaminhá-la para nós e pronto, ela é paga”, diz Dubugras à Forbes de seu escritório em Los Angeles. Em maio, a empresa lançou um dos primeiros programas corporativos de recompensas envolvendo criptomoedas.

A Brex não é a única empresa que tenta romper o mundo dos pagamentos B2B, grande parte dele ainda centrado em planilhas. Hoje, seus rivais incluem a startup Ramp (fundada em 2019 e avaliada em quase US$ 4 bilhões após uma rodada de financiamento em agosto) e a Bill.com, de capital aberto (avaliada em cerca de US$ 21 bilhões), que comprou a fintech de relatórios de despesas Divvy por US$ 2,5 bilhões no ano passado.

No entanto, a Brex conseguiu atrair uma enxurrada de capital de risco oferecendo um conjunto de produtos que vão além do cartão de crédito corporativo. Dubugras afirma que não está muito preocupado com a concorrência.

“O mercado é muito grande e acho que há espaço para muita gente”, diz ele. “A maioria dos pagamentos B2B ainda são baseados em papel e cheques.”

A startup, hoje com uma equipe de mil pessoas, existe graças a uma animada troca de mensagens no Twitter em dezembro de 2012 entre Dubugras e Franceschi sobre as nuances de ferramentas de codificação. Na época, eles eram estudantes do ensino médio e moravam em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. O limite de 140 caracteres dos tuítes atrapalhou o debate, então os dois adolescentes migraram para o Skype para seguir com a discussão.

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“No Skype, não tinha como brigar muito e nos tornamos melhores amigos”, diz Dubugras.

Em 2013, os amigos lançaram no Brasil a startup Pagar.me, que permitia que comerciantes aceitassem pagamentos online. A empresa tinha 150 funcionários quando foi vendida para a Stone.

Dubugras não revela qual era a participação da dupla na Pagar.me, mas diz que foi o suficiente para bancar a faculdade – ele e Franceschi abandonaram o curso de ciência da computação de Stanford – e guardar algumas economias.

Depois de vender a empresa, a dupla inicialmente queria criar contas bancárias para startups sediadas nos EUA, mas optou por cartões de crédito corporativos como uma rota mais viável. “Que empresa confiaria seu dinheiro a esses brasileiros aleatórios de 22 anos?” brinca Dubugras. “Com cartões corporativos, estávamos lhes dando dinheiro em vez de pedir pelo dinheiro deles.”

Dubugras e Franceschi fundaram a Brex em 2017, depois de deixarem Stanford antes do fim do primeiro ano de faculdade. Dois anos depois, ambos foram destaques da lista 30 Under 30 de finanças da Forbes norte-americana. Até então, a startup havia levantado US$ 213 milhões e era avaliada em US$ 1,1 bilhão.

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Em 2019, a Brex também lançou um negócio de contas bancárias corporativas que chamava a atenção de seus fundadores desde o início. A empresa não é um banco, por isso mantém parcerias com LendingClub e JPMorgan Chase.

Ao todo, a dupla garantiu mais de US$ 1 bilhão em capital de risco de investidores como Tiger Global Management, Peter Thiel e o fundador da Affirm, Max Levchin. A empresa diz que sua receita mais que dobrou nos últimos 12 meses, embora não compartilhe detalhes ou comente sobre lucratividade.

O provedor de dados de mercados privados PitchBook estima que a Brex gerou cerca de US$ 320 milhões em receita em 2021. Dubugras diz que a startup conta hoje com “dezenas de milhares” de clientes corporativos, incluindo empresas como Carta e Classpass.

A startup quer manter o ritmo em 2022. Com US$ 300 milhões em novos financiamentos, a Brex planeja aumentar o número de funcionários em pelo menos 50%, além de manter dinheiro nos cofres caso haja uma desaceleração do mercado.

O negócio era inicialmente voltado para atender outras startups, mas Dubugras diz que hoje as empresas de médio porte respondem por mais de 60% da base de clientes. Neste ano, ele espera atrair também grandes corporações.

“Acho que é fácil para as pessoas pensarem que já somos bem-sucedidos. Nós somos e não somos. Estamos obviamente felizes com o que alcançamos, mas há muito mais por vir”, conclui.

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