Startup de tokenização e criptomoedas Liqi recebe aporte de R$ 27,5 milhões

Aproximação entre o mundo das criptomoedas e a regularização financeira é um dos destaques do negócio.

Isabella Velleda
Compartilhe esta publicação:
Divulgação
Divulgação

Daniel Coquieri, CEO da Liqi, foi um dos fundadores da exchange BitcoinTrade, que foi adquirida pela argentina Ripio no fim de 2020

Acessibilidade


A Liqi, startup brasileira de tokenização de ativos, acaba de anunciar um aporte Série A de R$ 27,5 milhões. A rodada de investimentos foi liderada pelo fundo de capital de risco do Itaú Unibanco, pela Oliveira Trust, e pelo fundo Honey Island by 4UM.

Segundo Daniel Coquieri, CEO da Liqi, os recursos obtidos serão direcionados para estratégias de marketing e para a expansão da equipe.

LEIA MAIS: Mercado de NFTs gerou mais de US$ 23 bi em negociações no ano de 2021

Atualmente, a Liqi atua em duas frentes. A primeira, chamada Tokenize, é uma plataforma B2B (business-to-business) que permite que empresas criem frações digitais de seus ativos a fim de negociá-los mais facilmente. Essas frações digitais, que são os tokens, podem representar tanto algo tangível (como imóveis), quanto algo intangível (como direitos autorais).

Já a segunda frente, também chamada Liqi, é voltada para o investidor de varejo, em um modelo B2C (business-to-customer), que permite que pessoas físicas comprem e vendam tokens.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Coquieri diz que essa plataforma passará por uma expansão em 2022. Serão criados marketplaces de NFTs (token não-fungíveis) e criptomoedas, uma vertical de protocolos DeFi (ou seja, de finanças descentralizadas, baseadas em blockchain), e haverá também a abertura de um mercado secundário, que permitirá que investidores negociem ativos entre si.

O empresário afirma que a expectativa é transacionar R$ 10 bilhões na emissão de tokens e criptomoedas em 2022, e que, por enquanto, a empresa não planeja fazer aquisições. A Liqi conta com uma equipe de 53 funcionários, que será ampliada para 75 este ano.

Expansão do setor

O aporte anunciado pela empresa também ganha destaque por representar uma aproximação entre o mundo das criptomoedas e a regularização financeira, após anos de estranhamento entre as duas partes.

“O mercado financeiro está muito interessado. Não é à toa que estamos envolvendo o Itaú, um dos maiores bancos do país, o Oliveira Trust, que tem trinta anos no mercado financeiro, e um fundo de investimento que conta com recursos dos controladores do Paraná Banco”, afirma o CEO. “Eles estão interessados na tecnologia que nós estamos construindo.”

Segundo Coquieri, essas parcerias facilitam o diálogo com outras autoridades monetárias, como o Banco Central e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), da mesma forma que favorecem as próprias instituições tradicionais, ao demonstrar que elas “já possuem criptomoedas e blockchain no seu DNA”.

“O potencial de modernização do mercado já é reconhecido mundialmente e acreditamos que, com a Liqi, teremos a oportunidade de acelerar a inovação tecnológica e o lançamento de novos produtos”, afirma em comunicado Philippe Schlumpf, que está à frente do fundo de capital de risco do Itaú.

Dessa forma, Coquieri espera que 2022 seja um ano de crescimento e consolidação do mercado de criptomoedas, principalmente no que se refere às experiências práticas.

Segundo ele, existem muitas pesquisas sobre a aplicação de tokens no mercado imobiliário, por exemplo, mas pouca produção acadêmica relatando como essa tecnologia é utilizada na prática e em contextos diferentes.

“Com esses cases mais sólidos, a gente também vai começar a enxergar, de fato, onde tem valor e onde não tem. Então será um ano de muito aprendizado”, diz o CEO.

Compartilhe esta publicação: