Ibovespa fecha estável após sanções a Moscou deixarem mercados internacionais em montanha-russa

Embargo a petróleo russo deve aumentar a inflação global, mas abre oportunidade para produção brasileira conquistar mercado dos EUA.

Amanda Péchy
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O Ibovespa fechou hoje (8) em baixa de 0,35%, a 111.203 pontos, após um pregão volátil devido ao noticiário quente do dia. Na tarde desta terça-feira, os Estados Unidos anunciaram um embargo total de importação de petróleo russo – trata-se da sanção econômica mais grave adotada até agora contra Moscou.

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O presidente norte-americano, Joe Biden, reconheceu que a medida elevará os preços de combustíveis e de energia para os consumidores dos EUA. O país importou no ano passado mais de 20,4 milhões de barris de petróleo da Rússia, volume que representa cerca de 8% das importações totais de combustíveis líquidos.

Os principais índices de Nova York reagiram bem momentos após o anúncio da sanção contra a Rússia, impulsionados principalmente pelas ações de energia – o índice setorial do S&P 500 fechou em alta de 1,9%.

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O Dow Jones registrou queda de 0,56% a 33.632 pontos; o S&P 500 recuou 0,72%, a 4.170 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,28%, a 12.795 pontos.

O barril de petróleo Brent, principal referência da commodity no mercado internacional, subiu 4,46% e fechou o dia cotado a US$ 124,73.

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No Brasil, as cada vez mais acaloradas discussões sobre subsídios aos preços dos combustíveis, que trazem risco de impacto fiscal significativo, também geram incertezas para as ações do setor petrolífero.

Os papéis da PetroRio (PRIO3) avançaram mais de 7% durante o pregão, impulsionados pela alta no barril de petróleo. Contudo, após o anúncio do embargo dos EUA à produção russa, os papéis chegaram a virar para o vermelho, com o mercado temeroso quanto ao efeito inflacionário da medida. A empresa se recuperou no fim da sessão e fechou em alta de 1,42%.

A Petrobras (PETR3 e PETR4), que despencou 7% ontem, registrou avanços de 1,61% e 2,08%.

“A sanção dos Estados Unidos ao petróleo russo significa um impacto na inflação e nas importações, mas também abre [a possibilidade de] petrolíferas no Brasil entrarem no mercado norte-americano”, diz Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

“Precisamos ficar atentos para como os EUA vão comprar petróleo agora, porque a Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] já sinalizou que pode suprir o gargalo deixado pela Rússia”, completa Costa.

Por aqui, mesmo em meio à disparada do preço do petróleo, ações das companhias aéreas registraram altas. Dados operacionais da Azul (AZUL4), que anunciou que a demanda por seus voos subiu 20,1% em fevereiro em relação ao mesmo período de 2021, impulsionaram o setor. Os papéis da empresa fecharam em alta de 7,09%.

Na mesma direção, Cielo (CIEL3) disparava 6,11%. A companhia de meios de pagamentos revelou pela manhã a nomeação de Filipe Oliveira como o novo diretor de finanças e de relações com investidores, o que animou o mercado.

Na ponta contrária, a Vale (VALE3) perdeu 4,39% em meio à queda do minério de ferro na China. A mineradora também informou ontem (7) que fortes chuvas levaram à suspensão temporária da circulação de trens em um trecho da ferrovia Carajás.

“Ontem, o lado doméstico da Bolsa foi bem, segurado pelas commodities, enquanto o Ibovespa recuava com a aversão ao risco. Hoje ocorreu o oposto, porque o índice segurou perdas domésticas acompanhando avanços das bolsas estrangeiras”, avalia Wagner Leon Varejão, sócio e especialista em investimentos da Valor Investimentos.

Depois de muito vai-e-vem, o dólar fechou hoje em queda de 0,49% hoje, a R$ 5,0537.

O mercado aparentemente começa a agora a dividir as atenções à guerra entre Rússia e Ucrânia com outros temas potencialmente desfavoráveis ao real.

A próxima reunião de política monetária nos Estados Unidos (que se encerra no próximo dia 16) deve trazer um aumento de juros. Reajustes do tipo aumentam os rendimentos dos títulos do tesouro norte-americano, considerados os papéis mais seguros do mundo, o que historicamente afasta investidores de mercados emergentes como o brasileiro.

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