Investidores se preparam para Fed mais agressivo no combate à inflação

Os preços ao consumidor norte-americano tiveram a maior alta em 40 anos e banco central dos EUA deve aumentar juros.

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Joshua Roberts/Reuters
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A perspectiva de um Fed mais “hawkish” (menos tolerante à inflação) tem sido o principal tema para os mercados neste ano, elevando os rendimentos dos títulos norte-americanos e pressionando as bolsas de valores.

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Investidores estão se preparando para um aumento da volatilidade no mercado financeiro, devido à expectativa de que o banco central dos Estados Unidos se torne mais agressivo no combate contra a inflação. Os preços ao consumidor norte-americano tiveram alta acima do esperado, gerando a maior elevação da taxa em 40 anos. 

A perspectiva de um Fed mais “hawkish” (menos tolerante à inflação) tem sido o principal tema para os mercados neste ano, elevando os rendimentos dos títulos norte-americanos e pressionando as bolsas de valores.

O retorno dos rendimetos (yields) dos títulos públicos americanos (treasuries) de dez anos disparou cerca de 50 pontos-base apenas em 2022, atingindo 2% hoje (10), pico em dois anos e meio.

Os dados podem forçar investidores a recalibrar ainda mais seus portfólios para levar em conta um banco central norte-americano mais agressivo do que o esperado.

“Todo mundo sabia que os dados de inflação viriam altos. Isso não é uma surpresa”, disse Jamie Cox, sócio-gerente do Harris Financial Group em Richmond, Virgínia. “Mas a pista que todo mundo está procurando é se os dados são ou não altos o suficiente para induzir o Fed a aumentar as taxas de juros mais rapidamente.”

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Contratos futuros de juros mostravam hoje (10) 50% de chance de o banco central elevar a meta de Fed funds (o juro básico nos EUA) em 50 pontos-base, na próxima reunião de política monetária em meados de março. Antes da divulgação dos dados de inflação, a chance era de 30%.

Em vez de arriscar um aumento de 50 pontos-base, o banco central provavelmente vai tentar reduzir seu balanço, disse Brian Jacobsen, estrategista sênior de investimentos da Allspring Global Investments em Menomonee Falls, Wisconsin.

“Eles têm algumas alavancas para puxar para remover a acomodação monetária”, afirmou Jacobsen. “A ótica em torno de uma redução mais rápida ou mais cedo do balanço é provavelmente melhor do que a de uma alta dos juros maior do que a típica.

VEJA TAMBÉM: Inflação global: qual a diferença entre a alta de preços no Brasil, nos EUA e na Europa?

Depois de fraquejarem durante a maior parte de janeiro, as ações vêm mostrando alguma recuperação mais recentemente, embora ainda estejam no vermelho. O índice S&P 500 chegou a acumular baixa em 2022 de 11,4%, antes de reduzir as perdas para 4,1%. O Nasdaq Composite caía 8,3% neste ano, metade do tombo de 16,3% marcado no pior momento.

Investidores estarão ansiosos por mais pistas sobre o ritmo da inflação antes da reunião de março do banco central. Entre os dados aguardados está o próximo relatório mensal de empregos nos EUA.

Os números de emprego de fevereiro “podem ser o ponto-chave para saber se o Fed ficará mais agressivo”, disse Peter Cardillo, economista-chefe de mercado da Spartan Capital Securities em Nova York.

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