Conheça os conselhos dos especialistas para viver de renda passiva

Isabella Velleda
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RafaPress/Getty Images
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Mesmo com a alta da Selic, a renda variável não deve ser deixada de lado

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Não são poucos os investidores que buscam uma carteira que lhes permita viver apenas da sonhada renda passiva. Segundo especialistas consultados pela Forbes, existem quatro tipos de investimentos mais indicados para esse fim.

Antes, no entanto, é preciso fazer algumas considerações. Independentemente do portfólio, o investimento necessário para gerar uma renda que cubra as despesas de um indivíduo ou de uma família é considerável, alerta Camilla Dolle, head de renda fixa do Research da XP Investimentos.

Para determinar esse valor, Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos, indica a seguinte fórmula: multiplique o seu custo de vida mensal por 12 para saber o custo de vida anual. Então, divida esse valor pela taxa de juros real da sua aplicação. O resultado corresponderá ao montante que deve ser investido.

Assim, uma pessoa que possui um custo de vida mensal de R$ 5 mil, terá um custo anual de R$ 60 mil. Considerando uma taxa de juros real de 6% ao ano, será necessário investir R$ 1 milhão para receber R$ 5 mil todo mês.

É importante notar que deve ser considerada a taxa de juros real da aplicação, ou seja, descontando a inflação do período. Afinal, se um investimento rende 10% ao ano e a inflação é de 4% ao ano, o investidor só pode contar com a diferença de 6% para manter seu poder de compra.

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Outros erros comuns que devem ser evitados pelo investidor, segundo João Beck, economista e sócio da BRA, é não considerar gastos esporádicos, que incluem tratamentos de saúde e viagens, nem aumentos nos preços dos planos de saúde. “Eles têm ficado mais caros em todo o mundo, especialmente para pessoas com idades mais avançadas”, diz.

A seguir, confira os investimentos mais indicados para ter renda passiva:

Tesouro Direto com juros semestrais

Os títulos do Tesouro Direto são uma modalidade de investimento em renda conhecida como a mais segura e conservadora do mercado. Eles representam papéis da dívida do governo brasileiro e permitem que o investidor conheça qual será a rentabilidade da sua aplicação no momento em que faz o investimento.

Em geral, esses papéis têm prazos de vencimento de meses ou anos e é necessário respeitar esses períodos para receber a rentabilidade contratada. Os títulos com juros semestrais pagam semestralmente os rendimentos na forma de cupons – é possível combinar diferentes títulos para receber rendimentos todos os meses.

Leia mais: Entenda as variações nos preços dos títulos do Tesouro Direto

O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTNB) é um exemplo: ele paga juros em 15 de agosto e 15 de fevereiro. Essas datas não mudam e não dependem do momento em que o investidor adquiriu o título. Quanto mais perto da data de pagamento, mais caro fica o título e menor a sua rentabilidade.

Os títulos com juros semestrais são recomendados apenas para pessoas que buscam uma renda passiva periódica. Para investidores que querem aumentar o patrimônio, é melhor investir em títulos com prazos de vencimento maiores que se beneficiam dos juros compostos.

Ações com dividendos

Dividendos são uma parte do lucro líquido de uma empresa que é distribuída entre os acionistas, como uma forma de remuneração complementar à valorização da ação. A periodicidade dessa distribuição fica a critério de cada empresa e pode ser mensal, trimestral, semestral ou anual.

A Vale (VALE3), por exemplo, anunciou a distribuição de US$ 3,5 bilhões em dividendos, equivalente a R$ 3,70 por ação, para pagamento em março deste ano. A distribuição teve como base a posição acionária do dia 8 de março, sendo que, a partir desse dia, investidores que adquirissem seus papéis não seriam contemplados com os proventos.

Cabe notar, porém, que nem todas as empresas distribuem dividendos tão “polpudos” como a mineradora. Geralmente, eles ficam na casa dos centavos. Para avaliar quanto cada ação paga em dividendos, é preciso prestar atenção no indicador conhecido como “dividend yield”. Quanto maior ele for, mais aquela ação paga em dividendos.

“Fora isso, é importante sempre pensar em diversificação”, alerta Andrey Nousi, CFA e fundador da Nousi Finance. “Para se proteger das instabilidades brasileiras, por exemplo, vale explorar a opção de receber dividendos em dólar, que tendem a se valorizar em momentos de incerteza.”

Fundos imobiliários com dividendos

Além das ações, também existem fundos imobiliários que distribuem dividendos aos investidores. A vantagem é que, aqui, a distribuição costuma ocorrer mensalmente.

Esses fundos são divididos em dois tipos: fundos de tijolos, que são aqueles focados em imóveis físicos, e fundos de papel, que investem em títulos de renda fixa ligados ao mercado imobiliário, como CRIs (certificados de recebíveis imobiliários) e LCIs (letras de crédito imobiliário).

Ambos pagam proventos e são obrigados por lei a distribuir ao menos 95% dos seus lucros aos acionistas. Durante a pandemia, os fundos de papel acabaram levando a preferência dos investidores, por contarem com uma volatilidade menor e por distribuírem dividendos mais robustos.

Previdência privada

Por fim, também é possível obter renda passiva mensal através da previdência privada. Esse é um investimento de longo prazo que permite que o investidor deposite quantias mensais por um determinado período e, então, receba esses recursos de volta – com juros.

A primeira fase, conhecida como fase de acúmulo, costuma durar de 20 a 35 anos. Durante esse período, os gestores dos planos aplicam os valores em diversos produtos (de renda fixa ou variável, a depender do que foi contratado). A segunda fase é conhecida como fase de renda, quando o investidor poderá optar por receber seus recursos através de parcelas mensais.

Apesar do nome, esse tipo de investimento não é restrito para quem quer se aposentar, já que muitos planos não exigem idade mínima ou comprovação de renda. Porém, assim como nos fundos imobiliários, é preciso levar em consideração que existe a incidência de taxas de administração e performance.

Renda fixa ou renda variável?

Com a alta da taxa básica de juros (Selic), que chegou a 11,75% ao ano em março, muitos investidores passaram a enxergar a renda fixa como a melhor opção de investimento do momento. Embora a segurança dessa modalidade seja atraente, a renda variável também pode ser vantajosa.

Nousi lembra que os dividendos distribuídos por ações e fundos imobiliários são isentos de Imposto de Renda, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro Direto, a depender do prazo de vencimento, são tributados de 15% a 22,5%.

“Títulos do Tesouro que rendem cerca de 12% antes da tributação passam a render 10% com ela, mais ou menos. Enquanto isso, existem fundos imobiliários com rentabilidades maiores”, explica.

Beck afirma que, com a alta da Selic, ações de algumas empresas foram impactadas e são negociadas com preços descontados, o que pode oferecer oportunidades para investidores. “Olhando no passado recente, compreendo que a renda fixa venceu em larga escala o Ibovespa, mas o investidor não deve cair na armadilha do efeito retrovisor”, diz ele.

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