SÉRIE INOVADORES LGBTQIA+: Rafael Campos, vice-presidente de soluções de engenharia de software na Europa da VTEX

Conheça a trajetória do administrador de empresas que largou um emprego em um grande banco para se tornar sócio da startup de varejo .

Matheus Riga
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O vice-presidente de soluções de engenharia de software na Europa da VTEX Rafael Campos: a diversidade e inclusão nas startups ainda está muito focada em gays e lésbicas, mas pode ir além

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Da frustração de trabalhar em uma das principais instituições financeiras do país para o orgulho de ser sócio de um dos unicórnios brasileiros. Esse é um breve resumo da carreira do administrador de empresas Rafael Campos, que além de ter participação na startup de varejo VTEX – hoje avaliada em US$ 1,7 bilhão -, também ocupa o cargo de vice-presidente de soluções de engenharia de software para a região da Europa. Após 12 anos na empresa, ele se diz grato pelas muitas experiências proporcionadas, como, por exemplo, a oportunidade de morar em outros países.

A trajetória profissional de Campos teria sido totalmente diferente se ele não tivesse conversado, em 2008, com Mariano Gomide, fundador e CEO da VTEX. “Eu o conheci em 2006, quando atuava na agência júnior do Ibmec, onde eu estudava, e utilizávamos o sistema de CRM da VTEX, hoje já descontinuado”, afirma. “A partir da primeira ligação dele, conversamos por mais de duas semanas, e ele me convenceu a trocar o banco onde eu trabalhava pela empresa que ele tinha criado.”

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Naquele momento, Campos já estava há mais de um ano como estagiário em “um dos principais bancos do Brasil”, mas não estava tão contente quanto imaginava. “Trabalhar em grandes instituições financeiras é quase o sonho de todo estudante de administração”, diz. “Mas, para mim, esse sonho murchou porque a estrutura da empresa era muito engessada, com processos muito burocráticos, o que me fez perder a motivação.” Com a ligação de Gomide, Campos então mudou de ares e passou a trabalhar como estagiário em uma VTEX que tinha apenas cinco funcionários.

Nos 12 anos em que está na empresa, o administrador trabalhou como estagiário, integrou o time de vendas, foi country manager na Argentina e no Leste Europeu e executivo de contas. Nesse ínterim, teve a oportunidade de se tornar sócio da empresa. “Em 2011, o Mariano me contou que um dos sócios estava de saída e me fez o convite”, diz. “Topei a oportunidade e lembro de muitas pessoas terem me criticado na época, inclusive meu pai, dizendo que eu era maluco em apostar em algo tão pequeno, que tinha tudo para dar errado.”

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Engana-se, porém, quem pensa que o caminho foi isento de dificuldades. Campos diz que durante sua trajetória na startup enfrentou muitos desafios, principalmente relacionados à estabilidade emocional. O momento mais crítico foi quando morou na Argentina, em 2011. “Eu era muito novo, tinha 25 anos e estava totalmente sozinho em um país novo, começando uma empresa do zero”, diz. “Ficava me questionando se realmente era bom mesmo naquilo que fazia.” Para superar esse momento, ele diz que contou com o apoio da área de RH da VTEX, de Gomide e de outros colegas.

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Entre 2016 e 2018, o administrador de empresas também enfrentou um período “conturbado com relação à sua sexualidade”, como ele mesmo descreve. “Foi uma fase difícil com relação à minha identidade e meu processo de aceitação”, afirma. Durante esse período, ele conta que não se sentia feliz consigo mesmo e essa situação pessoal acabou transbordando para a vida profissional. “As pessoas não sabiam de mim porque ninguém ouvia da minha boca sobre a minha sexualidade. Foi um processo doloroso, mas novamente contei com o apoio da empresa.”

O suporte recebido naqueles dois momentos de dificuldade é o que Campos mais deseja para todos os profissionais da comunidade LGBTQIA+. “Meu sonho é que a sociedade não só aceite, mas integralmente respeite um outro ser humano por aquilo que ele é”, diz. “Eu quero que um gay que use roupas femininas, pinte a unha e seja afeminado tenha chances de ser um vendedor sem o medo de ser julgado.” Ele também tem esperança que os processos seletivos levem em consideração apenas a capacidade profissional dos candidatos e não sua sexualidade.

Com relação à contratação e seleção de pessoas da comunidade LGBTQIA+, Campos acredita que as startups estão promovendo iniciativas de diversidade e inclusão, mas focam pouco em outras siglas. “Sinto que os programas são bem limitados a gays e lésbicas, mas olham pouco, por exemplo, para os transexuais“, diz. “Acho que existem pessoas que passam por problemas familiares e pessoais mais complicados do que eu sofri por ser ‘somente’ gay, mas ainda sigo sendo branco e com alto poder aquisitivo.” De acordo com ele, ainda falta representatividade na alta gerência das empresas.

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No caso da VTEX, ele cita o programa Tech Women Bootcamp – que educa mulheres cis ou trans para vagas de engenharia de software – como uma iniciativa que contempla uma das outras letras da sigla LGBTQIA+. Campos também fala da parceria da startup com a Transempregos, um projeto de empregabilidade para pessoas transgênero. “Nós estamos comprometidos a mudar o cenário e apoiar a luta de grupos pouco representados na comunidade como um todo”, afirma.

Sobre seu local de trabalho, Campos não esconde o orgulho de ter ajudado a empresa onde começou como estagiário a chegar aonde chegou. “A VTEX é uma fonte inesgotável de inovação em todos os sentidos”, diz. “O que me faz acordar todos os dias com a mesma motivação de 2008 é o fato de eu não fazer sempre a mesma coisa.” Para ele, a startup propõe desafios novos em uma base diária para todos os seus colaboradores, estimulando-os a criarem projetos, implementarem novos sistemas ou desenvolverem novos modelos comerciais.

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Esse estímulo constante para a inovação, segundo ele, é o segredo para o desempenho da companhia. “Nossa equipe é extremamente comprometida com o futuro que compartilhamos, buscando oportunidades para o sucesso de nossos clientes e impulsionando a transformação do comércio”, afirma. “Inovação é analisar uma determinada situação ou um determinado mercado, entender de forma plena a problemática existente e conseguir bolar uma solução criativa.”

Este perfil faz parte de um especial que aborda as vivências de pessoas da comunidade LGBTQIA+ no ecossistema de inovação brasileiro, que a Forbes Tech veiculará nas próximas semanas. Para saber mais sobre os desafios e oportunidades relacionados a este público nas empresas de tecnologia, leia a reportagem que deu início à série.

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