Avatares custam até R$ 150 mil e são nova aposta das celebridades

Sabrina Sato, Bianca Andrade, Nina Silva, Deborah Secco, Nyvi Estephan, Cauã Reymond, Luiza Possi e outros artistas estão investindo em influenciadores virtuais

Luiz Gustavo Pacete
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Satiko, persona virtual de Sabrina Sato que ajuda a apresentadora a escalar sua presença

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Até o ano passado, quando o assunto era avatar, ou influenciadores virtuais, a Lu, do Magazine Luiza, era a principal referência. Prestes a completar 19 anos de existência, a personagem virtual evoluiu nesses últimos anos em forma e narrativa. A Lu, inclusive, foi precursora de uma geração de avatares de marcas varejistas, dentre elas a Rennata, da Renner e a Nat, da Natura.

Agora, uma nova modalidade vem ganhando força desde o ano passado. Principalmente pela velocidade com que estão surgindo projetos envolvendo artistas e celebridades com suas representações digitais. Em novembro, a Sabrina Sato lançou a Satiko, uma personagem que espelha seu estilo, mas que possui personalidade própria e criada pela Biobots, startup especializada em Web3 e metaverso.

“Eu venho acompanhando o mercado e sinto que esse novo formato na produção de conteúdo proporciona experiências e oportunidades. Para mim, a Satiko nasce para chegar também a novos públicos, me permitindo alcançar não só os meus, mas novos seguidores”, diz Sabrina Sato à Forbes Brasil na época em que anunciou a Satiko.

Leia mais: Sabrina Sato fala sobre Satiko, sua influenciadora virtual

Na semana passada, a mesma Biobots criou a Pink, avatar da empreendedora Bianca Andrade, fundadora da Boca Rosa Company. O time de imagem da Pink é composto por Daniel Ueda, Joana Wood, Fernando D’Araujo e Guilherme Brasileiro. “A Pink será um alter ego meu e, a partir daí, o céu é o limite. Estou realizando o sonho de poder me multiplicar pra fazer tudo o que almejo como influenciadora e com as minhas marcas. A Pink é um avatar que tem responsabilidade social e o objetivo de levar inovação. Ela vai liderar os projetos da holding Boca Rosa Company que envolve minhas marcas Boca Rosa Beauty e Hair. como diretora de marketing e criatividade”, diz Bianca Andrade.

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Pink, avatar de Bianca Andrade, anunciado na semana passada e com valor estimado de até R$ 100 mil

Outros famosos já estão com contrato assinado e lançamento previsto para os próximos meses, como Deborah Secco e Maria Flor, Cauã Reymond, Ticiane Pinheiro, Rafa Kalimann, Luiza Possi, Duda Nagle, Doutor Alberto Cordeiro, Nina Silva e Natalia Beauty.

Nina Silva, CEO do movimento Black Money e cofundadora da iniciativa EVE, inclusive, assumiu recentemente como conselheira de tecnologia da Biobots, e além de sua visão de negócios, também terá seu próprio avatar. “Sou inquieta e chego para ampliar as oportunidades de inovação com olhar para a diversidade dentro da empresa, além de cocriar soluções que impactam positivamente um maior número de pessoas, aprendendo e compartilhando conhecimento por meio da nova era da web 3.0”, explica Nina Silva.

Custos e estrutura

O surgimento de novas referências quando o tema é avatar também vem deixando claro que o investimento para desenvolver esse tipo de personagem é considerável. Para o sucesso no longo prazo é importante considerar não só a forma, mas a narrativa e a manutenção dos avatares. Em outras palavras, eles passam a ter um perfil equivalente a de uma empresa ou marca. Ricardo Tavares, CEO da Biobots, explica que o investimento em um avatar depende de muitas variáveis, mas a média está entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. “A quantidade de profissionais também é influenciada pelas demandas de cada avatar. Para a Pink, da Boca Rosa, foram necessários oito especialistas. Mas, em média, podemos dizer que trabalhamos com um time de dez pessoas.”

Leia mais: De olho no metaverso, Bianca Andrade lança a avatar Pink

Ainda de acordo com Tavares, o passo a passo da criação é: “primeiro o preenchimento de um formulário com inúmeras perguntas sobre atribuições físicas, interesses, personalidade do avatar ou influenciador virtual que será desenvolvido. Junto com esse questionário, recebemos fotos e referências que devemos seguir no processo de criação. Depois de estabelecido todo o perfil, enviamos uma ilustração ao responsável pelo projeto.”

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A apresentadora de games Nyvi Estephan criou a Nalla e já desenvolveu até ações conjuntas para marcas como Coca-Cola

Com a ilustração aprovada, explica Tavares, é desenvolvido o Concept Art, que é a primeira versão 3D do personagem. “Depois vem a fase de look development, que é quando paralelamente criamos a texturização do avatar e seus acessórios (pele, tecido, vidro) além dos “ossos” do personagem, o que permite que ele seja animado e assuma diferentes poses e movimentos no futuro. O grooming trabalha volume de cabelo, corte, penteados, cor, cílios e sobrancelhas do personagem. Na fase still e animação é onde o personagem fica pronto para ser trabalhado e aplicado em diferentes cenários e contextos.” Sobre o custo de manter um avatar mensalmente, Tavares estima que chegue a R$ 70 mil.

Receitas e ganhos em longo prazo

Segundo Tavares, a ideia é que o avatar venha para expressar a persona digital de alguém ou de alguma marca sem a limitação do mundo físico, o que proporciona escala e potencial. “Ao falar em retorno, gerar negócios passa a ser possível quando pensamos nos avatares como influenciadores virtuais. Formar comunidades, colaborar com diferentes marcas, aqui também estamos falando em publicidades pagas, e influenciar o comportamento de seus seguidores são algumas possibilidades.”

Leia mais: Por que a Lu, do Magalu, tornou-se a maior influenciadora virtual do mundo?

Atualmente a Satiko tem cerca de 33,5 mil seguidores, e a recém-lançada Pink, que já conta com cerca de 90 mil seguidores no Instagram. O avatar da Sabrina Sato já fechou contratos com marcas como Renner, Coca-Cola, Boticário, Veloe e Eudora.

Como surgem os avatares?

Avatares, em outras palavras influenciadores digitais que assumem formas humanas, vêm sendo utilizados há alguns anos como forma de interação e engajamento. Nos últimos meses, com a popularização do metaverso e o aumento nos casos de marcas envolvendo interações virtuais, o termo ganhou ainda mais força. Na China, no entanto, o conceito de avatar foi substituído pelo de meta-humano. O que segundo Vicente Martin, game designer e professor do curso de Sistemas de Informação da ESPM, é a mesma premissa de tecnologia, porém, com algumas diferenças de contexto e aplicações.

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Recentemente, a Lu, do Magazine Luiza, referência para outros avatares foi premiada no Festival de Cannes, na França

Os chineses conheceram, pela primeira vez, no ano passado, a Ayayi, uma meta-humana criada pela Ranmai Tecnologia. Dentre vários tipos de atuação, ela está em uma plataforma de comércio eletrônico chamada Xiaohongshu e em sua primeira postagem alcançou três milhões de visualizações. O termo meta-humano ganhou popularidade por lá após a plataforma de marketing digital Social Beta utilizá-lo em um artigo, no mês de junho. “O fato de ter sido a primeira meta-humana virtual influencer, como a empresa que a criou define,  é, sem dúvida, um bom elemento de marketing para vender a imagem de inovação da personagem. Neste caso, o conceito de meta-humano está muito mais ligado ao fato de ela ser realista, o que, de certa forma não muda muita coisa em relação aos avatares que conhecemos por aqui.”

De acordo com Vicente, o diferencial de Ayayi é a capacidade de escala e sua onipresença, o que um influenciador humano jamais alcançaria. “Sendo uma personagem virtual ela não envelhece, pode trabalhar 24 horas por dia sem férias e, se for carismática, pode ter uma audiência fiel. Em tempos vindouros de metaverso e afins, eu acredito que marcas, produtos e serviços vão querer se apropriar desse tipo de personagem e vejo como uma tendência forte para o futuro do marketing”, explica.

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