Exportações globais: Argentina suspende registros de venda de óleo de soja e farelo

Decisão do maior exportador de farelo e óleo de soja deve agitar o mercado mundial, que já viu preços dispararem com a guerra na Ucrânia.

Reuters
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Wenderson Araújo/Trilux/CNA
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O governo, lutando contra altas dívidas, precisa da receita em dólar e das receitas tributárias das vendas de soja, principal produto de exportação da Argentina

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A Argentina suspendeu o registro de vendas de exportação de óleo e farelo de soja, segundo comunicado do governo publicado ontem (13), atraindo rápida condenação da indústria do maior exportador mundial de produtos processados ​​de soja.

A medida interrompe as vendas e exportações da safra 2021/22, embora os embarques físicos não tenham sido iniciados porque não houve colheita.

A decisão da Argentina, o maior exportador global de farelo e óleo de soja, provavelmente vai agitar o mercado mundial de soja, que viu os preços dispararem com a invasão russa à Ucrânia. O país já tinha tomado a medida de controlar os preços internos do trigo por conta do conflito.

A média das exportações mensais argentinas ficou em 1,5 milhão de toneladas de farelo e 300.000 toneladas de óleo de soja em 2021, segundo a agência marítima NABSA. O país deverá responder por 41% das exportações globais de farelo de soja e 48% das exportações mundiais de óleo de soja na safra 2021-22, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

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O subsecretário de mercados agrícolas disse em comunicado que os registros de exportação de óleo de soja, farelo de soja e outros produtos relacionados serão imediatamente interrompidos, uma medida que ocorre antes da colheita de 2021/22, que começa dentro de algumas semanas.

Cerca de 5 milhões de toneladas de óleo de soja e outros subprodutos de soja da campanha 2021/22 até agora foram formalmente registrados para exportação, mostraram dados do governo.

A câmara local de processadores e exportadores de oleaginosas CIARA, que representa a indústria, disse que o governo encerrou o registro de exportação porque, segundo a câmara, queria aumentar as tarifas “em dois pontos” sobre as exportações.

“É totalmente contrário ao interesse exportador da Argentina“, disse a câmara no Twitter. “Além de ilegal, afetará a renda de divisas e o emprego na cadeia agroindustrial.”

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A declaração do governo não fez menção às tarifas de exportação, embora estas tenham sido um ponto de tensão entre agricultores e exportadores.

O governo, lutando contra altas dívidas, precisa da receita em dólar e das receitas tributárias das vendas de soja, principal produto de exportação da Argentina.

As exportações de óleo de soja e farelo da Argentina são atualmente tributadas em 31%. A safra de soja 2021/22 do país está estimada entre 40 milhões e 42 milhões de toneladas, embora tenha sido duramente atingida pela seca no início do ano.

Traders de soja disseram que a interrupção repentina nos fornecimentos argentinos direcionará os importadores para os Estados Unidos e o Brasil para suprimentos de reposição.

“Os compradores não têm escolha a não ser reduzir o consumo ou buscar fontes alternativas de suprimentos”, disse um trader de Cingapura, que não quis se identificar.

“Esperamos uma demanda maior por farelo dos EUA. No Sudeste Asiático, compradores como Indonésia, Malásia e Tailândia dependiam fortemente do farelo argentino”, completou.

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