Nosso brinde às poderosas mulheres do champanhe

Madame de Pompadour, Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin e Louise Pommery foram três das principais responsáveis pelo sucesso da bebida.

Carla Bolla
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Foto: Ira Heuvelman-Dobrolyubova/Getty Images
Foto: Ira Heuvelman-Dobrolyubova/Getty Images

Três mulheres foram as principais responsáveis pela popularização do champanhe

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De “vinho do diabo” a símbolo de celebrações, o champanhe percorreu um longo caminho desde os séculos 17 e 18, quando um monge beneditino, de nome Pérignon, tentou ajudar seus irmãos a dominar o comércio de vinhos de boa qualidade em Hautvillers, na França. Bolhas foam produzidas sem querer, e o resultado foi uma bebida parecida com o champanhe, a princípio considerada intragável, mas que, com o tempo, caiu no gosto de nobres e burgueses.

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As principais responsáveis pelo aperfeiçoamento e popularização da bebida foram três mulheres: Madame de Pompadour, Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin e Louise Pommery. A primeira, amante do rei Luís XV, disseminou a cultura do champanhe como uma bebida sofisticada no século 18. Sua relação com um comerciante da região da Champagne selou a entrada da bebida na alta corte francesa. No início do século 19, a francesa Barbe-Nicole deu um novo rumo à bebida. Em 1805, depois da morte do marido, que era produtor de Champagne, ela revolucionou a indústria da bebida e se tornou uma das primeiras mulheres da história a comandar uma empresa de âmbito internacional, mesmo durante guerras e leis contrárias à importação em diversos países europeus. Sua vinícola foi rebatizada como Veuve Clicquot, e há mais de 250 anos é responsável pelos rótulos mais renomados. Um pouco mais tarde, Jeanne Alexandrine Louise Mélin Pommery aparece no cenário. Viúva como Ponsardin, Pommery assumiu a vinícola da família e adotou medidas ousadas, como manter o foco nas bebidas mais secas, abandonando a produção de vinhos comuns e de champanhes mais adocicados. Foi também pioneira no armazenamento da bebida em temperatura constante de 10 °C em caves subterrâneas.

As sucessoras

Lily Bollinger ficou viúva, assumiu os negócios da família e os manteve em tempos difíceis, como a Segunda Guerra Mundial. É dela a autoria de algumas das grandes frases sobre a bebida: “Bebo champanhe quando estou feliz e quando estou triste. Às vezes, bebo sozinha; quando tenho companhia, considero obrigatório. Dou um gole quando estou sem fome e bebo quando estou com fome. Se não for assim, nunca toco no champanhe, a não ser que esteja com sede”. Seu champanhe é o vinho espumante oficial não apenas da coroa britânica, mas o escolhido por ninguém menos que James Bond. Já a belga Carol Duval-Leroy, ao perder o marido em 1991, mostrou-se uma grande empreendedora. Em 20 anos, sua produção doméstica chegou a 5 milhões de garrafas. E, para não deixar a herança familiar se perder, Anne Mallassagne uniu-se ao irmão mais novo para tocar o negócio de vinhos. Sob sua administração, o champanhe Lenoble evoluiu a ponto de ser considerado uma joia. Caroline Latrive, desde 2007, assegura a qualidade do Champanhe Ayala. Seu trabalho é uma verdadeira alquimia, e os segredos de seu champanhe são guardados a sete chaves num caderno que a acompanha em todos os momentos. Para terminar, uma curiosidade: sabia que há mais de 7 milhões de bolhas em cada garrafa e cerca de 1 milhão delas em apenas uma taça? Sabendo ou não, brindemos!

Carla Bolla é restauratrice do La Tambouille, em São Paulo.

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Artigo publicado na edição 94 da revista Forbes, em fevereiro de 2022.

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