Não importa quem criou o macarrão: ele é de todos

Independentemente da origem, o importante é degustar essa delícia com inúmeras variedades de preparo e de molhos.

Carla Bolla
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Macarrão, o prato mais conhecido do mundo

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Existem muitas controvérsias sobre onde e por quem foi criado o macarrão, um dos pratos mais populares do mundo. Babilônios, assírios, chineses, árabes, italianos: sua criação é atribuída a vários povos e data de milênios.

Alguns historiadores contam que o macarrão começou a ser produzido por volta de 2500 a.C., quando o homem agrícola descobriu que era capaz de moer cereais e misturar com água, para obter uma pasta que era cozida ou assada.

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Uma das versões mais adotadas é a que atribui a origem do macarrão aos chineses. Alguns relatos falam de sua existência há mais de 2.000 anos, durante a Dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.), na forma de uma massa feita à base de farinha de trigo ou de milhete, cortada em fios, deixada para secar e, depois, cozida em água fervente junto com outros ingredientes que complementavam o preparo do prato.

Também é bastante aceita a versão de que uma forma mais próxima do macarrão que comemos hoje foi criada pelos árabes, em Jerusalém, no século 5. Essa espécie de farinha cozida em água era conhecida como Itriyah e muito consumida em rituais judaicos. Ao conquistarem a Sicília, no século 9, os árabes acabaram levando a massa para a Itália. De lá, o produto foi transportado para importantes portos do Mediterrâneo e difundido por várias regiões.

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Um dos principais personagens da história do macarrão é o navegador italiano Marco Polo. Ele teria trazido o produto da China por volta do século 12, para onde partiu numa expedição no ano de 1271 e onde permaneceu por 24 anos. Consta que, ao retornar para Veneza, trouxe consigo receitas de massas feitas com uma planta chamada “sagu”. Não há evidências de que ele tenha dito que sagu era trigo: essa denominação foi feita pelo editor do seu livro de memórias, na tentativa de explicar melhor o que era aquela planta. Há uma outra história, que menciona um marinheiro chamado Spaghetto como responsável pela presença do macarrão no Ocidente, mas não há datas corretas sobre a existência dessa expedição e sua chegada à Itália.

Há, ainda, a versão de que o macarrão é mesmo italiano e surgiu 100 anos antes do nascimento de Marco Polo, na Sicília, onde o trigo era moído e misturado com água, ovos e vinho branco, resultando assim no “maccaruni”. Por muito tempo, somente as elites tinham acesso à massa, embora fosse produzida tão artesanalmente que homens esmagavam os grãos de farinha com os pés.

Dois séculos depois, o rei Francesco I exigiu mais higiene de produção e surgiram as prensas hidráulicas, que também ampliaram a fabricação da massa e permitiram que fosse levada ao resto da Europa com a expansão marítima em 1800. Os italianos detêm a maior contribuição à história de macarrão: incorporaram a farinha de grano duro e criaram mais de 500 variedades de tipos e formatos de massa.

No Brasil, o macarrão chegou com os italianos, na segunda metade do século 19, quando milhares de famílias desembarcaram em Santos para trabalhar nas fazendas de café do Sul e do Sudeste.

Independentemente da origem, o importante é degustar essa delícia com inúmeras variedades de preparo e de molhos, um prato presente em todas as casas e restaurantes, dos mais humildes aos superestrelados.

Carla Bolla é restauratrice do La Tambouille, em São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores. Artigo publicado na edição 92 da revista Forbes, em novembro de 2021.

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