Líderes de ensino online na China faturam US$ 3,2 bilhões com crise do coronavírus

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As leis para diminuir os efeitos do coronavírus beneficiaram empresas de ensino online na China

O surto de coronavírus está afetando fortemente a economia da China. Muitas empresas tiveram de fechar temporariamente suas operações em meio a regras rígidas de quarentena. Apesar disso, medidas para impedir a propagação da doença também se tornaram um benefício inesperado para um setor: a educação online.

Com a abertura das escolas adiada para março e todas as atividades extracurriculares suspensas, dezenas de milhões de estudantes foram instruídos a entrar na internet para estudar. E os prestadores de serviços de tutoria online do país estão subitamente sendo afetados por um aumento no interesse de alunos e pais.

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O maior vencedor nesse cenário parece ser Zhang Bangxin, fundador e presidente da TAL Education, que viu sua riqueza aumentar em US$ 1,7 bilhão, dando a ele um patrimônio líquido atual de pelo menos US$ 10 bilhões. Sua empresa listada em Nova York subiu 20% no mês passado com expectativas de forte crescimento. Zhang, 40 anos, ultrapassou nomes como Richard Liu (US $ 8,7 bilhões) fundador da JD.com, e Robin Li (7,1 bilhões), do Baidu, para chegar ao 24º lugar no ranking de riqueza da China.

“É como uma campanha de marketing natural para essas empresas”, diz Jiao Wei, analista da empresa de pesquisa 86 Research, de Xangai. “Os pais que não sabiam muito sobre a educação online agora podem ver como ela funciona e como as aulas estão sendo transmitidas na internet”.

A TAL fez parceria com mais de 300 escolas públicas de toda a China para transmitir aulas gratuitas, e sua unidade Xueersi está fornecendo sessões complementares de tutoria online para o ensino fundamental e médio. Outras empresas de ensino também estão lançando mais cursos de e-learning, enquanto desenvolvem ferramentas de dados para analisar o desempenho dos alunos e ajudar os professores a acompanhar os progressos.

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As ações da New Oriental, listada em Nova York, subiram 7,3% no mês passado, adicionando US$ 190 milhões à riqueza de seu fundador, Yu Minhong. Seu patrimônio líquido atual é estimado em US$ 3,4 bilhões. Chen Xiangdong, fundador da GSX Techedu, também listada em Nova York, viu seu patrimônio líquido subir para US$ 4,75 bilhões, graças a uma recuperação de 40% que acrescentou outros US$ 1,3 bilhão ao valor de sua participação no mesmo período. O ganho combinado de US$ 3,2 bilhões dos três bilionários da educação faz com que eles se destaquem como vencedores no momento em que o surto de coronavírus atingiu negativamente setores que vão de hospitalidade a varejo e logística. Até hoje, estima-se que o vírus que infectou quase 80.000 pessoas na China irá reduzir US$ 60 bilhões no crescimento econômico da China.

Analistas dizem que as empresas de educação provavelmente se beneficiarão do aumento da atenção por seus serviços por algum tempo. Depois que os pais e os alunos se familiarizam com as salas de aula virtuais, eles podem ser atraídos para experimentar outros produtos e pagar pelos serviços no futuro. Terry Weng, analista da empresa de pesquisa Blue Lotus Research Group de Shenzhen, estima que 22% dos estudantes chineses do ensino fundamental e médio participarão de aulas online até o final deste ano, esse índice era de 17% em 2019. Impulsionado pela forte concorrência com boas escolas e empregos, além de avanços tecnológicos no aprendizado virtual, o mercado de educação online da China deve triplicar para 696 bilhões de yuans (US$ 99,3 bilhões) em 2023, em comparação com os 203 bilhões de yuans do ano passado, segundo a empresa de pesquisa Frost & Sullivan.

Mas os especialistas também alertam que a atual explosão do e-learning pode não se traduzir em maior receita ou lucro, pelo menos não no curto prazo. Em uma tentativa de atrair mais usuários, muitos serviços estão sendo oferecidos gratuitamente ou com desconto. Terry Weng estima que, quando a TAL realmente cobra por suas aulas virtuais, elas são vendidas com um desconto de 10% a 30% em comparação com as aulas para seus centros de aprendizado offline. A empresa gerou US$ 6,5 milhões em lucros, a partir de US$ 2,5 bilhões em vendas durante os primeiros nove meses de 2019. Antes do ataque do coronavírus, estimava-se que a TAL conseguisse entre 20% e 30% de suas receitas com o aprendizado online e o restante veio de seus centros offline.

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Ainda assim, os investidores parecem dispostos a ignorar qualquer perda de curto prazo e se concentrar em ganhos futuros. Além do crescimento mais rápido do usuário em seus serviços pela internet, os negócios offline da TAL e da New Oriental também podem conseguir uma parcela maior do mercado educacional em geral. Isso se deve ao fato de que escolas menores estão ficando sem dinheiro e provavelmente não permanecerão nos negócios por muito mais tempo. Essas empresas ainda precisam pagar aluguel e salários dos professores, mesmo quando a China suspendeu todos os tipos de aulas offline e solicitou reembolso das mensalidades.

“A saída gradual de empresas de ensino menores significa que há mais oportunidades para a TAL e a New Oriental”, diz Weng. “Os investidores estão mais interessados ​​em seu desempenho futuro.”

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