Primeiras estimativas indicam perdas de mais de US$ 3 trilhões com surto do coronavírus

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Coronavírus pode ter impacto de mais de US$ 3 trilhões na economia global em 2020

O Brasil confirmou hoje o primeiro caso de coronovírus no país – e na América Latina. A vítima é um homem de 61 anos que acabou de chegar da Itália, onde o Covid-19 já contaminou 374 pessoas, matando 12 delas. O Irã é outro país que tem sofrido com a tragédia, com 139 vítimas infectadas até o momento, incluindo o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianush Jahanpur. Grécia, Argélia, Coreia do Sul e França também já entraram para as estatísticas.

O cenário fez com que o mercado cambial abrisse com tensão após o feriado de Carnaval. Já na segunda-feira (24), enquanto os brasileiros celebravam o terceiro dia de festa, os mercados internacionais operavam em pânico com quedas generalizadas – apesar da fala do bilionário Warren Buffett, que reforçou sua aposta na bolsa de valores.

Embora as autoridades reforcem, a todo momento, que não há motivo para pânico, a realidade é que empresas e setores da economia, em nível mundial, já se preparam para enfrentar dificuldades e estão revendo metas de crescimento. A Danone, por exemplo, cortou suas previsões de vendas no primeiro trimestre em € 100 milhões, principalmente por causa dos negócios da marca de água Mizone na China. A gigante da tecnologia Apple já avisou que não vai cumprir sua meta trimestral de receita, já que sua produção na China foi afetada. O mesmo aconteceu com a fabricante de smartphones Xiaomi. A Coca-Cola, que tem na China um de seus maiores mercados, espera que seus ganhos por ação sejam reduzidos em US$ 0,02 no primeiro trimestre.

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E não é só isso. O Alibaba, um dos maiores e-commerces do mundo, alertou para uma queda nas receitas de seus principais negócios neste trimestre, conforme o surto do coronavírus que se espalha pela China – onde já contaminou mais de 60 mil pessoas – e atinge as cadeias de fornecimento e as entregas. A Tesla foi obrigada a fechar temporariamente sua recém-aberta fábrica em Xangai. O Google fechou todos os seus escritórios em território chinês. Mc Donald’s, Disney e Starbucks também interromperam suas operações no país – a última fechou quase a metade das 4.100 lojas.

O mercado de luxo também está sofrendo. A Kering, dona da Gucci, fechou temporariamente metade de suas lojas no país asiático e suspendeu inaugurações e campanhas publicitárias. As marcas de luxo Chanel e Prada adiaram seus desfiles na Ásia por conta da situação. A H&M suspendeu as atividades em 45 lojas e as viagens de negócios ao país. Outras empresas, como a IKEA e a Swatch, fecharam suas lojas em Wuhan. Já o conglomerado japonês Fast Retailing encerrou as atividades em 100 lojas da Uniqlo na província de Hubei.

No que diz respeito aos eventos, o Mobile World Congress, uma das maiores conferências do mundo sobre tecnologia realizada em Barcelona entre os dias 24 e 27 de fevereiro, perdeu participações importantes, entre elas, da Ericsson e da LG Electronics. A edição deste ano da Art Basel Hong Kong, que aconteceria entre os dias 19 e 21 de março, foi cancelada. O evento costuma movimentar cerca de US$ 3 bilhões a cada edição. Até os Jogos Olímpicos de Tóquio, previstos para começar em 24 de julho e que consumiram mais de US$ 10 bilhões em investimentos dos japoneses, já estiveram sob risco de cancelamento.

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Isso sem falar no impacto gerado no setor de turismo. A Wynn Resorts, que opera hotéis e cassinos high-end em todo o mundo, disse na última divulgação de resultados que está perdendo até US$ 2,6 milhões por dia em Macau devido ao coronavírus. Diversos hotéis, incluindo Marriott, Hyatt e Hilton, suspenderam operações em Wuhan e na província. As operadoras de turismo Carnival e Royal Caribbean Cruises cancelaram várias viagens, e o operador de cassinos MGM Resorts mudou sua celebração do Ano Novo Chinês para seu resort em Macau.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) anunciou que, segundo sua avaliação inicial, o surto do coronavírus indica uma potencial perda de 13% na demanda de passageiros em 2020 para as empresas aéreas da região da Ásia-Pacífico.

Considerando o crescimento estimado de 4,8% das empresas aéreas da região, o impacto líquido será uma contração de 8,2% em relação aos níveis de demanda de 2019. Isso corresponde à perda de receita de US$ 27,8 bilhões em 2020 para as empresas aéreas da região Ásia-Pacífico, com o maior impacto sofrido pelas companhias aéreas da China, com US$ 12,8 bilhões perdidos só no mercado doméstico chinês.

Por aqui, uma sondagem realizada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) sobre o impacto do coronavírus na produção do setor eletroeletrônico brasileiro no dia 21 de fevereiro apontou que 57% dos entrevistados já apresentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China. Esse resultado é 5% acima do verificado na pesquisa anterior, realizada duas semanas antes.

Até o dia 12 de fevereiro, a previsão dos especialistas era que o crescimento econômico global fosse reduzido em 0,3% por causa da epidemia. Um estudo do Banco Mundial, no entanto, diz que uma pandemia mais severa pode causar perdas econômicas equivalentes a quase 5% do PIB global – mais de US$ 3 trilhões.

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