Foxconn Technology volta a produzir iPhones na China após pico do coronavírus

GettyImages/ Yves Dean
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Mercado chinês começa a se recuperar e deve ser a base para que produtores de smartphones, como a Foxconn, consigam recuperar suas finanças

Durante anos, a Foxconn vem inaugurando fábricas e centros de P&D fora da China. O grupo escolheu Índia, Vietnã e o estado americano de Wisconsin, por exemplo. A maior montadora contratada de produtos eletrônicos do mundo, incluindo iPhones, ainda concentra a maior parte de sua fabricação na China, mesmo com custos mais altos e agitação trabalhista.

Agora, a empresa diz que suas fábricas na China podem atender à demanda sazonal depois de encontrar trabalhadores suficientes desde que o país superou a pior fase do surto de coronavírus em fevereiro e no início de março. A demanda também pode surgir na própria China, já que as empresas começam a fazer pedidos novamente para consumidores domésticos, que podem sair agora depois de um fevereiro sombrio.

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A demanda deverá cair, no entanto, nos países ocidentais, onde as medidas de contenção da Covid-19 fecharam companhias e têm provocado perda de empregos. A China relata, atualmente, poucos novos casos todos os dias, mal mudando seu total de cerca de 81.500.

“A Foxconn ainda manterá a China como sua base de manufatura e se concentrará no mercado doméstico para os negócios voltados para o consumidor, seja de marca ou canal”, diz John Brebeck, consultor sênior da consultoria de negócios Quantum International em Taipei.

A empresa de Taiwan que foi fundada e administrada até o ano passado pelo bilionário Terry Gou faz cerca de metade de sua montagem na China. Ela é mais conhecida por fabricar iPhones para a Apple, além de aparelhos e PCs de outras grandes marcas. Um complexo fabril da Foxconn na cidade de Shenzhen, no sul da China, foi comparado a uma mini-cidade.

A produção despencou em fevereiro, quando as autoridades chinesas ordenaram que centenas de milhões de pessoas permanecessem em casa e evitassem espalhar o vírus descoberto na cidade de Wuhan, no centro da China, antes do início de 2020.

“Depois que a China viu uma estabilização na propagação da pandemia, empregadores buscaram agressivamente mão de obra e materiais, enquanto elevavam sua taxa de utilização da capacidade para 70% em um mês”, disse a empresa de pesquisa de mercado TrendForce, sediada em Taipei, em um e-mail a repórteres em 30 de março. Há um mês, compradores de iPhone enfrentavam escassez de suprimentos por causa dos fechamentos na China.

As pessoas na China começaram a poder sair de suas casas, indo direto ao trabalho. O retorno em massa permitiu que os clientes chineses fizessem pedidos como antes na Foxconn. Os gigantes de smartphones baseados na China Xiaomi e Huawei, por exemplo, terceirizam para fabricantes de Taiwan, diz Eddie Han, analista sênior da indústria do Market Intelligence & Consulting Institute, com sede em Taipei.

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À medida que a China entra no futuro pós-coronavírus, seus outros centros de fabricação e de mercado final enfrentam quedas econômicas de tamanho desconhecido.

A Foxconn informou em 25 de março que havia fechado uma fábrica na Índia até 14 de abril para cumprir uma ordem nacional de isolamento. O estado norte-americano de Wisconsin ficará sob o mesmo decreto em abril, um possível revés para a inauguração programada pela Foxconn de uma planta em maio no local. A fábrica da Foxconn no Vietnã ainda pode funcionar, mas a produção no país do Sudeste Asiático em geral enfrenta dificuldades na cadeia de suprimentos.

A queda global provavelmente fará com que os consumidores em todo o mundo adiem a compra de novos smartphones neste ano, reduzindo os preços médios de venda, diz a TrendForce. As remessas por telefone totalizarão 1,29 bilhão em 2020, prevê a empresa de pesquisa, uma queda de 7,8% em relação a 2019.

A Foxconn continuará a se expandir fora da China, particularmente no sudeste da Ásia, diz Pan Chien-kuang, outro analista sênior da indústria do Market Intelligence & Consulting Institute. A produção fora da China evitaria tarifas impostas desde 2018 pelo governo dos EUA em uma prolongada disputa comercial.

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“Espera-se que o surto de Covid-19 tenha um impacto de curto prazo no setor, enquanto a guerra comercial EUA-China deve causar mais impactos de médio a longo prazo”, afirma Pan.

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