10 medidas que estão garantindo a sobrevivência dos negócios em meio à pandemia

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A crise mundial quase paralisou indústrias inteiras e forçou empresas de todos os tamanhos a se adaptarem e evoluírem.

Desde pequenas startups até grandes corporações, ninguém foi poupado dos estragos da pandemia de Covid-19. A crise mundial quase paralisou indústrias inteiras e forçou empresas de todos os tamanhos a se adaptarem e evoluírem.

Com as portas fechadas e cada um na sua casa, estabelecimentos de diversos setores tiveram que aprender, na marra, a operar de uma maneira diferente – e sem contato humano presencial. Centros comerciais, academias e restaurantes passaram a explorar formas criativas de não evaporar em meio à pandemia, e a grande maioria delas envolve algum recurso tecnológico.

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Talvez esse versatilidade na forma de fazer negócio seja um dos poucos pontos positivos de toda essa crise que desabou sobre nossas cabeças. Organizações do mundo todo foram forçadas a deixar de lado o modo conservador e tradicional de trabalhar para adotar, de maneira expressa, ferramentas digitais que possibilitassem a continuidade das operações de seus funcionários, a manutenção do contato com seus clientes e a exposição ininterrupta de seus produtos.

E tudo isso foi além dos serviços de delivery ou da criação de aplicativos para resolver determinado problema. Quando se trata de reinvenção, algumas empresas mostraram o que está por trás do sucesso de seus empreendimentos. De sistemas de drive thru em shoppings a restaurantes que decidiram invadir o mundo dos mercados para comercializar ingredientes frescos, novas e criativas soluções surgem a cada dia, transformando a maneira como fazemos negócios, como adquirimos produtos e como consumimos serviços. Talvez para sempre.

Conheça, na galeria abaixo, 10 transformações que as empresas adotaram para continuar operando durante a pandemia:

  • 1 – E-commerce em tempo recorde

    O comércio eletrônico já era uma tendência consolidada, mas encurraladas pelo fechamento de lojas físicas, muitas empresas – principalmente pequenas e médias – tiveram que mergulhar de vez mundo virtual. Foi o caso, por exemplo, da companhia de cosméticos naturais Arvensis, que anunciou o lançamento do seu e-commerce em abril. “O projeto já estava em andamento antes das medidas solicitadas pelo governo, justamente para atender clientes de regiões fora dos grandes centros. Com a paralisação das lojas físicas, o comércio eletrônico tornou-se nosso principal canal de vendas no momento, e uma forma de continuar atendendo nossos consumidores”, explica Elisa Guedes, diretora de marketing da marca.

    Embora a mudança tenha ocorrido no susto por conta da pandemia, os números mostram um campo online promissor para a marca. Segundo o CEO Fábio Peres, “em abril, as vendas no site aumentaram 87% em relação ao mês de março e representou 6,7% do faturamento pré-crise. Para maio, a estimativa de crescimento é de 80% no comparativo com abril e as vendas online devem representar 12% das vendas antes da crise”.

    A migração para o comércio online foi semelhante na Cafene Innova, startup de tecnologia alimentar que criou o café de comer BitCoffee e acaba de lançar seu e-commerce. “A loja virtual estava prevista para o segundo semestre, mas decidimos antecipar o desenvolvimento da plataforma para dar início rapidamente às vendas do produto, seguindo a tendência do mercado online”, explica Pedro Melo Jr., CEO da empresa.

    Já para a Vitafor, marca de suplementos nutricionais, a transformação foi de um site institucional para um e-commerce. O que antes se tratava apenas de uma página com dicas, informações e estudos sobre saúde, agora também faz a venda direta ao público.

    Segundo Rodrigo Araújo, gerente de marketing da empresa, “o lançamento do novo site foi um sucesso, reforçando a crescente demanda por produtos relacionados à imunidade”. “Hoje, sete dos 10 itens mais vendidos têm essa finalidade”, diz. Araújo diz que ainda não tem números consolidados por não ter fechado o primeiro mês de atividades online, mas revela ter percebido mudanças no fluxo dos consumidores da página. “Podemos destacar o aumento na quantidade de páginas por sessão (+183%) e a duração média da sessão (+34%), o que demonstra maior interesse do consumidor em conhecer o nosso portfólio.”

  • 2 – Saem os turistas, entram os profissionais da saúde

    O setor de hotelaria foi um dos grandes impactados pela pandemia. Acostumados com grandes fluxos de eventos e turistas, diversos estabelecimentos fecharam e suspenderam suas operações. Porém, em locais próximos a hospitais, a parceria com profissionais de saúde pode representar um cenário mutuamente benéfico: os trabalhadores com abrigo seguro e higienizado e os hotéis com alguma fonte de receita.

    Para o Hotel Green Hill, em Juiz de Fora (MG), essa abordagem tem garantido renda importantíssima. “A vocação natural do nosso empreendimento é sediar eventos, tanto corporativos quanto sociais, e a partir do momento que não pode haver concentrações de pessoas, isso foi reduzido a zero. A unidade passou a viver apenas do segmento de hospedagens. Mesmo assim, reduzimos de 94 acomodações para apenas 40. E, com muito esforço, temos conseguido chegar a uma taxa média de ocupação em torno de 19% ao mês”, diz Gio Ahmad, gerente de marketing da hospedagem.

    Segundo ele, mesmo o Hotel Green Hill não sendo um dos mais de 987 que seguem fechados no Brasil neste momento, a atuação em meio à pandemia é uma luta diária. “O problema maior é a diária média, que caiu mais de 30%. Os valores são insuficientes para cobrir o custo operacional básico do empreendimento.”

    Por isso, a presença de profissionais de saúde e de familiares de pessoas que estão nos hospitais próximos é um alento. “Isso garante, mesmo que de forma diminuta, a obtenção de receita do hotel.”

    Na cidade de Guarulhos (SP), um grupo de hoteleiros foi além. Por meio de um ofício negociado pelo Guarulhos Convention & Visitors Bureau, os empreendimentos criaram um acordo tarifário especial para o período, batizado de “Tarifa Especial Solidária” e direcionada aos profissionais da área de saúde.

    A princípio, o período de funcionamento do projeto vai até o dia 30 de maio e participam desse acordo os seguintes hotéis: Ibis Guarulhos, Sleep Inn, Mercure Guarulhos Aeroporto, Slaviero Essential Guarulhos Aeroporto, Hampton by Hilton Guarulhos Aeroporto, Pullman São Paulo Guarulhos Airport e São Paulo Airport Marriott.

  • 3 – Restaurantes entram no setor de supermercados

    Em tempos de crise, restaurantes que não tinham delivery correram para implementar o sistema, mas alguns estabelecimentos foram além. Como uma das transformações mais inovadoras do momento, alguns restaurantes entraram no mercado de supermercados ao vender ingredientes e produtos frescos aos seus clientes.

    De acordo com pesquisa realizada pela consultoria especializada em food service Galunion, em parceria com o Instituto Qualibest, 93% dos consumidores têm cozinhado em casa durante a pandemia, sendo que 31% já faziam isso e aumentaram a compra de alimentos para preparo caseiro. E, como até mesmo viagens simples ao supermercado podem representar riscos, a troca de produtos frescos entre restaurantes e clientes é uma sacada de mestre.

    Flavia Mu, uma das proprietárias do Capinchobar, em Porto Alegre (RS), diz ter sido pega de surpresa com o impacto do coronavírus. “Depois de um final de semana de movimento intenso, fechamos as portas para o atendimento ao público e, muito rapidamente, tivemos que nos readequar. Nunca tínhamos trabalhado com delivery.” A partir disso, o estabelecimento começou a fazer encomendas de comidas congeladas pelo WhatsApp.

    Para Flavia, a ideia de vender as comidas congeladas em vez de prontas foi a melhor decisão que podiam ter tomado. “Nossos pratos chegam na casa do cliente para finalizar. É bem divertido. São operações simples, como misturar os ingredientes numa panela, aquecer, levar ao forno e cuidar do ponto ou temperar. Isso traz um envolvimento diferente com a comida. E, mais importante de tudo, a qualidade do prato se preserva mais do que a comida 100% pronta.”

    O cardápio de coquetéis também não parou por conta da pandemia. Os drinques são oferecidos em sacos à vácuo. “É só abrir, colocar gelo num copo e servir. Junto, vai até a decoração”, conta. Com esses cuidados, a proprietária diz estar conseguindo manter as contas minimamente em dia e, até agora, não precisou recorrer a empréstimos financeiros.

    Não foram apenas os pequenos negócios que entraram nessa onda. Grandes redes, como o Spoleto, também estão lançando seus “mercados online”. O “Mercato Spoleto” está disponível em aplicativos como iFood e UberEats e permite que o consumidor escolha a quantidade de cada produto e compre cada item individual, como massas, molhos, proteínas, condimentos e bebidas.

    “Estamos com 55% da rede operando com o Mercato Spoleto, o equivalente a 200 restaurantes. Selecionamos criteriosamente cada item do mercado virtual para o cliente criar a receita do seu jeito, mas com o nosso toque. A ideia do projeto é impulsionar ainda mais nosso sistema de delivery”, afirma a diretora geral do Spoleto Viviane Barros.

  • 4- Comércios online abrem espaço para parceiros e pequenos lojistas

    Com a crise instaurada para milhões de pequenos lojistas, a ajuda de grandes empresas, já conceituadas no mercado, aparece como uma salvação para a continuidade dos negócios.

    O Magalu lançou, no final do mês de março, o Parceiro Magalu, uma plataforma digital de vendas grátis para ajudar autônomos, micro e pequenos varejistas a continuarem a vender durante o isolamento social e a crise do coronavírus. A plataforma permite que essas pessoas criem gratuitamente suas próprias lojas virtuais e, para cada venda realizada, o Magalu paga uma comissão que pode variar entre 1% e 12%, a depender do produto, da categoria a que ele pertence e do volume total vendido pelo parceiro.

    A iniciativa se expandiu para outros setores. A Petlove, uma das maiores redes de petshop online do país, também criou uma plataforma de auxílio que permite a médicos veterinários e pequenos petshops venderem seus produtos por meio do site da conhecida marca. “O espírito colaborativo com negócios locais faz parte do nosso DNA e esse projeto é a materialização disso”, afirma Marcio Waldman, médico veterinário e fundador da Petlove.

    Já a AMARO, fashiontech brasileira, lançou no começo do mês de maio a AMARO Collective, iniciativa que consiste em abrir sua plataforma de e-commerce para outras marcas de moda, como Pantys, Framed, Allmost Vintage, Clemence, Zerezes, Linus e Haight. A ideia é que as peças complementem o portfólio da AMARO e, em contrapartida, os parceiros possam usufruir de toda a estrutura da empresa, do espaço no e-commerce à experiência com o consumidor, passando pela facilidade de compra e entrega rápida. “Sabemos que o futuro é cada vez mais colaborativo”, diz Juliana Hassegawa, diretora de planejamento e merchandising da AMARO.

  • 5 – Drive thru de compras

    Com shoppings fechados e clientes impedidos de entrar em um centros comerciais, algumas empresas se articularam para oferecer a retirada no modelo de drive thru, depois dos pedidos feitos de forma online. Muitos varejistas rapidamente criaram postos de coleta que permitem que os funcionários entreguem as compras sem entrar em contato direto com os clientes.

    Cacau Show e C&A são alguns exemplos de marcas que adotaram a medida em algumas de suas lojas, porém, a maior movimentação aconteceu nos shoppings, principalmente em datas comemorativas como foi o Dia das Mães.

    A ação funciona de forma simples e é basicamente igual em todos os estabelecimentos: o cliente entra em contato com a loja, escolhe o produto, tira todas as dúvidas, define a forma de pagamento e combina dia e horário para a retirada, que deve ser feita nos estacionamentos ou no espaço exclusivo criado pelos estabelecimentos para retirada dos produtos.

    As mercadorias comercializadas são devidamente higienizadas antes da entrega. Além disso, o responsável pelo contato com o comprador também utiliza itens de proteção, como luvas e máscara. Para garantir a segurança de todos os envolvidos, o empreendimento sugere aos consumidores que também se dirijam ao local com máscaras e que utilizem o espaço apenas para a retirada.

    “Estamos facilitando o processo de compra e retirada de produtos com o propósito de trazer conforto e comodidade para o público de Campinas. Para garantir a segurança e bem-estar dos consumidores, estabelecemos regras para os lojistas, como a higienização de produtos e embalagens e o uso de máscara, luva e álcool em gel”, explica Rodrigo Alves Pais Correia, gerente do Campinas Shopping.

    Nos shoppings da Grande São Paulo o movimento segue essa mesma tendência. Diversos estabelecimentos administrados pela Gazit Brasil lançaram o novo modelo drive thru, como o Internacional Shopping (de Guarulhos), o Mais Shopping e o Morumbi Town Shopping (ambos da zona sul da capital) e o Top Center Shopping (Avenida Paulista).

  • 6 – Novas ferramentas para ampliar pedidos e vender serviços

    O contato entre marcas e clientes por aplicativos de mensagens tem se tornado uma estratégia cada vez mais comum nas empresas. Segundo a pesquisa Panorama de Mensageria, realizada pela Opinion Box e pelo portal Mobile Time e financiada pela Infobip, 76% dos brasileiros já interagem com marcas via WhatsApp, aplicativo presente em 98% dos celulares no país.

    “O WhatsApp é o aplicativo de mensagem mais popular do Brasil. Muitas marcas passaram a utilizá-lo em campanhas de marketing ou como canal de suporte ao cliente”, comenta Marcelo Ramos, regional manager South LATAM da Infobip.

    A famosa marca alemã de automóveis, Mercedes-Benz, é um exemplo disso. A empresa já iniciou o mês de maio lançando o Service 24h pelo WhatsApp para motoristas de caminhões e ônibus que precisarem de atendimento. “Nosso objetivo é acelerar a comunicação com quem está na estrada e necessita de assistência técnica”, informa Silvio Renan, diretor de peças e serviços ao cliente da Mercedes-Benz do Brasil. “O WhatsApp agiliza o atendimento e o motorista pode, por exemplo, até fotografar o documento do veículo e enviar pelo próprio celular à nossa Central de Relacionamento com o Cliente. Isso agiliza todo o processo.”

    O WhatsApp é um grande caminho de proximidade com o cliente, mas isso não deixa o Instagram para trás, principalmente entre o público jovem. Apesar de ser a quarta rede social mais usada no Brasil, o aplicativo é o preferido por cerca de 47% dos jovens brasileiros, de acordo com o levantamento feito pela Cuponation com pessoas de 17 a 25 anos.

    No início da semana, a BMW decidiu investir em vendas diretas pelo Instagram. No perfil da marca, os clientes encontrarão o ícone da loja para poder visualizar os produtos, condições de pagamento e solicitar uma proposta. Feita a solicitação, o consumidor receberá os contatos da rede autorizada de concessionárias para dar sequência ao processo de compra. Em um primeiro momento, será possível visualizar modelos como 118i Sport GP, 218i Sport GP, 320i Sport, X1 sDrive20i GP e X2 sDrive18i GP.

  • 7- Fitness Online

    No dia 24 de março, o Estado de São Paulo deu início à quarentena, e, com ela, o fechamento obrigatório de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais, inclusive academias. A partir dessa data, diversos outros estados também adotaram a medida, de acordo com o número de casos e risco de cada local. Desde então, o setor fitness teve que se reinventar – e a solução encontrada foi a migração para o mundo online.

    A rede de academias Smart Fit, por exemplo, que detém as bandeiras Bio Ritmo, Smart Fit e 02, fechou suas 700 unidades espalhadas pelo país e criou uma plataforma aberta de treinos que qualquer pessoa pode usar, de forma gratuita. Estão disponíveis vídeos de 30 minutos com sequências que não usam nenhum acessório ou equipamento. “Queremos dar opções para que todos tenham como se movimentar e cuidar da saúde. Por isso, os professores da Smart Fit se uniram, em diversos países, para criar uma plataforma gratuita repleta de treinos”, explica Edgard Corona, presidente do grupo.

    Já a rede SELFIT Academias aproveita o momento para explorar as mídias sociais. Com transmissões ao vivo que chegam a até 10 horas ininterruptas, a marca propõe diversos tipos de treinos e aulas, inclusive com convidados especiais como influencers. A campanha “Em Casa do Seu Jeito” oferece essas lives de forma gratuita, mas a empresa ainda conta com outros dois aplicativos exclusivos para alunos da rede: um para orientação nutricional e outra para treinos.

  • 8 – Atendimento médico à distância

    O Ministério da Saúde liberou em caráter emergencial o uso da telemedicina por conta da pandemia do coronavírus, o que provocou um salto imenso no uso do serviço. Segundo a Memed, uma das healthtechs pioneiras no mercado em prescrição médica digital no Brasil, somente em março quase 13 mil médicos se cadastraram para fazer o uso gratuito da solução. Em abril, a adoção continua a crescer e, em apenas dez dias, a empresa já recebeu cadastros de 1.000 novos profissionais da saúde. Isso representa um aumento de quase 1.000% no volume de novos médicos usuários na plataforma em comparação à média de 2019. Além disso, o volume de prescrição também cresceu. No primeiro trimestre de 2020, foi 60% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

    A explosão de crescimento não é uma exclusividade de Memed. A Teladoc tem conseguido manter em casa cerca de 97% das pessoas que atende, precisando direcionar para consultas presenciais apenas os outros 3%, que são os casos mais delicados que necessitam da realização de exames específicos ou situações mais graves. A empresa conta com aproximadamente 50 mil médicos registrados e mais de 40 milhões de vidas cobertas em todo mundo.

    Outra representante do segmento é a TopMed, escolhida pelo Ministério da Saúde para operar o atendimento via telemedicina em todo o país e fazer frente às dúvidas dos brasileiros sobre a Covid-19. O serviço funciona da seguinte forma: o paciente liga para 136 ou entra em contato via chatbot do TeleSUS ou app Coronavírus – SUS para um primeiro atendimento automático, via robô. De acordo com os sintomas e as respostas, é encaminhado para o atendimento humanizado da equipe especializada.

    Segundo a empresa, até agora o sistema já conseguiu evitar 64% de idas aos serviços de saúde presenciais, ajudando a desafogar as unidades hospitalares. “Somos responsáveis pelo atendimento humano do Programa TeleSUS e nossa expectativa é evitar o deslocamento para atendimento presencial num percentual ainda maior nos casos da Covid-19. Queremos deixar os leitos apenas para quem precisar de fato”, explica a Dra. Renata Zobaran, diretora de saúde da TopMed.

  • 9 – De visitas à assinatura do contrato: tudo online

    A pandemia do novo coronavírus forçou as construtoras a acelerarem a adoção de plataformas digitais para vendas de imóveis. A prática, pouco comum num setor muito tradicional, tem ajudado a amenizar as perdas provocadas pelos fechamentos dos estandes. A Pride Construtora e Incorporadora, por exemplo, fechou recentemente o primeiro contrato de compra 100% online.

    Thiago Kuntze, sócio-proprietário e diretor de experiência do cliente, comemorou a ação. “Ficamos muito felizes em poder garantir a realização do sonho de uma família e, principalmente, em oferecer bem-estar e segurança a todos os envolvidos no processo, desde o corretor até o cliente”, destacou.

    Já para a InstaCasa, uma construtech que trabalha com realidade aumentada, a dependência tecnológica do momento fez com que as pessoas enxergassem com outros olhos sua inovação. Com a pandemia, a empresa saltou de 15 mil para mais de 18 mil lotes em empreendimentos contratados, um crescimento de 20%.

    Para a empresa, essa valorização mostra um aceleramento no processo de digitalização como um todo. “Temos nove empreendimentos contratados de março até este momento. A média desde a fundação era de um empreendimento por mês. Entre março e abril foram quatro. Se analisarmos bem, a demanda quadruplicou desde o início da pandemia.”

    Na modalidade aluguel, a Housi, plataforma digital de moradia on demand, acaba de lançar a plataforma Housi IRent, serviço de gestão de locação que garante ao locatário o pagamento de um valor fixo por mês, como se tivesse alugado sua casa para um inquilino tradicional, independentemente de o imóvel ter sido alugado ou não. Uma vez assinado o contrato com o proprietário, a empresa passa a ser responsável por toda a gestão de locação da propriedade, distribuindo-a em suas plataformas online – site e app, além dos parceiros Airbnb, Booking.com, Zap e Imóvel Web, que direcionam os interessados para os canais da marca.

    “O serviço foi criado para suprir a necessidade de proprietários que, em geral, ficam com seu empreendimento vago por um período de três a quatro meses, média da taxa de vacância no Brasil. Para resolver esse problema, nós assumimos o risco e garantimos a rentabilização ao proprietário já no primeiro mês, com o pagamento de um valor mensal fixo acordado em contrato”, explica Alexandre Frankel, CEO da Housi.

    O executivo, que também atua como CEO da incorporadora Vitacon, diz que “as ferramentas tecnológicas estão sendo produzidas e consumidas por uma geração que não olha para trás, não liga para rótulos, concepções e não está preocupada com processos intocáveis, burocráticos”. A companhia assinou, nesta semana, sua primeira escritura de compra e venda de modo 100% digital, em parceria com o Cartório Dinamarco, no Estado de São Paulo.

    A incorporadora, agora, consegue realizar suas operações de modo totalmente online, dos estandes virtuais que o cliente pode acessar no site até a venda efetiva do imóvel, passando pela assinatura de contrato e agora, atingindo a fase de lavratura da escritura, por meio de videoconferência e assinatura digital. “A virada que a tecnologia traz para o setor é uma mudança de paradigma: saem o papel, o carimbo e a burocracia, entram o bom senso, a eficiência e a assinatura digital. Definitivamente é uma novidade que veio para ficar.”

  • 10 – Transporte de carga no lugar de passageiros

    Sem previsão de quando poderão voltar a voar normalmente, as companhias aéreas estão tendo que inovar para gerar algum lucro. Depois que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) permitiu o transporte de cargas nas cabines e bins dos aviões comerciais durante a pandemia de Covid-19, a Azul, no último sábado (9), realizou um voo com cargas em todo o espaço da aeronave. Segundo a companhia, o trajeto ocorreu na rota Campinas – Belém e levou cerca de sete toneladas de cargas em geral em uma aeronave A320Neo, que possui 174 assentos.

    “Essa demanda sinaliza que o país está contando com o transporte aéreo de cargas e nós temos consciência da importância do nosso negócio para a economia e para o transporte de itens essenciais, como os medicamentos, por exemplo”, diz Izabel Reis, diretora da Azul Cargo Express, unidade de cargas da Azul. Além disso, a ação faz com a empresa utilize sua frota, atualmente parada por conta da pandemia.

    E a Azul não é a única a implementar mudanças em suas operações. Recentemente, a LATAM reconfigurou a cabine de um Boeing 777-300ER, removendo os assentos para aumentar sua capacidade de transporte de carga em 20% e ajudar a atender à crescente demanda pelo transporte de produtos essenciais. A LATAM Cargo, subsidiária da companhia, conta com três aeronaves Boeing 767F, que acomodam até 50 toneladas de carga individualmente. A empresa também aumentou em 40% de sua capacidade em voos entre a América do Sul e a Europa e em 15% da América do Sul para Miami, além de lançar novas rotas de carga para a China com o objetivo de transportar insumos médicos para o continente sul americano.

    Já a Gol diz estar trabalhando junto ao Governo Federal para oferecer uma “malha essencial”, seja por motivos de viagens de emergência, transporte de profissionais de saúde, órgãos para transplante, equipamentos médicos ou voos de repatriação.

    “Ao agir com rapidez e determinação, reduzimos custos fixos e, ao mesmo tempo, preservamos o emprego dos nossos colaboradores e o capital de giro da companhia no curto prazo. Isso nos propicia a liquidez necessária para enfrentar a tempestade”, diz Paulo Kakinoff, diretor- presidente da Gol.

1 – E-commerce em tempo recorde

O comércio eletrônico já era uma tendência consolidada, mas encurraladas pelo fechamento de lojas físicas, muitas empresas – principalmente pequenas e médias – tiveram que mergulhar de vez mundo virtual. Foi o caso, por exemplo, da companhia de cosméticos naturais Arvensis, que anunciou o lançamento do seu e-commerce em abril. “O projeto já estava em andamento antes das medidas solicitadas pelo governo, justamente para atender clientes de regiões fora dos grandes centros. Com a paralisação das lojas físicas, o comércio eletrônico tornou-se nosso principal canal de vendas no momento, e uma forma de continuar atendendo nossos consumidores”, explica Elisa Guedes, diretora de marketing da marca.

Embora a mudança tenha ocorrido no susto por conta da pandemia, os números mostram um campo online promissor para a marca. Segundo o CEO Fábio Peres, “em abril, as vendas no site aumentaram 87% em relação ao mês de março e representou 6,7% do faturamento pré-crise. Para maio, a estimativa de crescimento é de 80% no comparativo com abril e as vendas online devem representar 12% das vendas antes da crise”.

A migração para o comércio online foi semelhante na Cafene Innova, startup de tecnologia alimentar que criou o café de comer BitCoffee e acaba de lançar seu e-commerce. “A loja virtual estava prevista para o segundo semestre, mas decidimos antecipar o desenvolvimento da plataforma para dar início rapidamente às vendas do produto, seguindo a tendência do mercado online”, explica Pedro Melo Jr., CEO da empresa.

Já para a Vitafor, marca de suplementos nutricionais, a transformação foi de um site institucional para um e-commerce. O que antes se tratava apenas de uma página com dicas, informações e estudos sobre saúde, agora também faz a venda direta ao público.

Segundo Rodrigo Araújo, gerente de marketing da empresa, “o lançamento do novo site foi um sucesso, reforçando a crescente demanda por produtos relacionados à imunidade”. “Hoje, sete dos 10 itens mais vendidos têm essa finalidade”, diz. Araújo diz que ainda não tem números consolidados por não ter fechado o primeiro mês de atividades online, mas revela ter percebido mudanças no fluxo dos consumidores da página. “Podemos destacar o aumento na quantidade de páginas por sessão (+183%) e a duração média da sessão (+34%), o que demonstra maior interesse do consumidor em conhecer o nosso portfólio.”

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