Startup de cuidado virtual Brightline levanta US$ 20 milhões para melhorar a saúde comportamental infantil

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Naomi Allen, CEO e cofundadora da Brightline

Naomi Allen sabe como pode ser difícil obter o tratamento certo para crianças que sofrem de ansiedade. “Era uma caixa preta”, diz ela sobre conseguir ajuda para seu filho de cinco anos, que exigia ficar em listas de espera, consultas com vários médicos e passar por antiquados sistemas baseados em papel. Por isso que Naomi fundou a Brightline. A startup de Palo Alto, na Califórnia, anunciou US$ 20 milhões em financiamento de rodada série A, em 19 de agosto, para fornecer a outras famílias uma plataforma virtual fácil de usar de ajuda à saúde comportamental.

“Estamos usando a tecnologia para realmente focar em uma abordagem baseada no uso de métricas”, diz Naomi, que fundou a Brightline com o psiquiatra Giovanni Colella. É um método que foi extremamente bem-sucedido na Livongo, onde Naomi trabalhou anteriormente como gerente de expansão. A empresa, que foi adquirida pela Teladoc em um negócio de US$ 18,5 bilhões no início de agosto, usa uma combinação de medição de dados, treinadores e médicos para ajudar os pacientes a controlar o diabetes. Naomi e Colella estão aplicando um modelo semelhante ao mercado inexplorado de saúde mental infantil.

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A rodada de financiamento foi liderada pela Threshold Ventures e pelo investidor Oak HC/FT, com a SemperVirens VC e a Rock Health. Blue Shield da Califórnia, Blue Cross Blue Shield, de Massachusetts e o Hospital Infantil de Boston também participaram. A empresa arrecadou US$ 25 milhões até o momento.

Emily Melton, sócia da Threshold que se juntou ao conselho de diretores da Brightline, teve uma experiência semelhante à de Naomi na busca por ajuda para uma de suas filhas, o que a fez perceber “quão grande é o mercado, mas quão mal atendido ele é”.

Os grandes players da telemedicina, incluindo Teladoc e AmWell, estão reforçando suas ofertas de saúde comportamental para adultos, mas as crianças exigem um conjunto totalmente diferente de protocolos e treinamento. Além disso, a pandemia da Covid-19 acelerou a necessidade desses serviços, à medida que as famílias se ajustam a uma nova realidade. “Se você é um empregador ou contribuinte e está tentando dar soluções aos pais para a própria saúde mental deles, mas não está oferecendo uma solução para seus filhos, no fim, você não está oferecendo uma solução”, diz Emily. “Se as crianças não estão bem, os pais não não ficar bem.”

A plataforma Brightline inclui um aplicativo em que as crianças se reúnem virtualmente com uma equipe clínica para trabalhar temas como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), ansiedade, depressão, comportamento agressivo e terapia de fala e linguagem. A cada reunião, quem conduz a discussão insere medições de dados para que haja um acompanhamento de progresso de longo prazo. A startup também envolve os pais no tratamento com aulas especializadas e exercícios digitais para reforçar o que as crianças estão aprendendo na terapia. O atendimento é coordenado e monitorado por um profissional, que também atua como elo de ligação com outros programas, como intervenções na escola.

A coleta de dados e adesão a protocolos podem ajudar a superar uma das principais barreiras que há muito tempo atormenta a saúde comportamental: o reembolso. A escassez de provedores em todo o país, associada às taxas de reembolso de serviços historicamente baixas, significa que muitos fornecedores estão fora da rede de planos de saúde. No entanto, a Brightline contrata provedores e paga a eles um salário para fazer a documentação adequada e coordenação dos cuidados, o que pode convencer as seguradoras a pagar taxas mais altas. “Podemos recorrer a planos de saúde e firmar contratos plurianuais que se aprimoram com o tempo em torno do valor e da prova de valor”, diz Naomi.

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Embora a Brightline seja uma startup relativamente nova, sua abordagem baseada em resultados permitiu que ela chamasse a atenção de parceiros líderes de saúde, como a Blue Shield. A seguradora foi atraída pela tecnologia da Brightline, diz Jeff Semenchuk, vice-presidente sênior e diretor de inovação da companhia californiana, porque a saúde comportamental é uma área particularmente desafiadora e de alto custo. Se questões como ansiedade e depressão não forem abordadas, elas se traduzem em condições de saúde e resultados muito piores no futuro. “Foi realmente maravilhoso ter contato com a empresa que consideramos a primeira do gênero nos Estados Unidos que se concentra exclusivamente no humor e na saúde comportamental, mental e emocional dos jovens”, diz Semenchuk. A Blue Shield da Califórnia está planejando oferecer os serviços da Brightline a todos os clientes em seu mercado de autosseguro a partir de 2021.

O ano que vem também marcará 25 anos desde que Naomi vem trabalhando para resolver problemas de saúde usando a tecnologia. Ela começou sua carreira em 1996, quando o Congresso norte-americano aprovou uma regulação de privacidade de saúde e a Lei de Paridade de Saúde Mental, que deveria garantir que as seguradoras pagassem pela saúde mental da mesma forma que outros serviços médicos (mas nem sempre funcionou assim na prática).

Depois de trabalhar como consultora na Deloitte e na McKinsey, ela aprimorou suas habilidades em tecnologia de saúde em uma série de funções executivas na Castlight, ao lado do fundador da empresa, Colella, e, mais tarde, acabou na Livongo. Naomi e Colella fundaram a Brightline em 2019.

A startup começou a oferecer serviços no norte da Califórnia em junho deste ano, antecipando a data de lançamento de seu produto para atender à demanda de pessoas interessadas decorrente da pandemia do novo coronavírus. A empresa planeja introduzir um modelo baseado em assinatura mensal, mas a taxa de assinatura foi dispensada até o final de 2020, o que significa que os usuários são responsáveis ​​apenas pelo copagamento da seguradora.

A rodada de financiamento permitirá à empresa expandir seu alcance geográfico, bem como sua base de pacientes. No momento, a plataforma conta com protocolos de ação para crianças de 3 a 12 anos, com planos de expansão para incluir adolescentes. Além disso, Naomi diz que está nas primeiras fases de discussão com faculdades e universidades para oferecer soluções para os alunos.

O objetivo a longo prazo da plataforma é ter relacionamentos contínuos com seus pacientes, o que, devido ao seu relacionamento virtual, não exige estar vinculado a nenhum local. A empresa também pretende construir clínicas presenciais para serviços específicos, mas o digital continuará sendo o foco por enquanto. “A mágica do que estamos fazendo”, diz Naomi, “é que estamos nos preparando para entregar todos os serviços por telessaúde se o mundo continuar a ser assim por muito tempo.”

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