Cinco dicas para fazer boas negociações de emprego

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É preciso que a empresa e o candidato negociem como iguais para haver um acordo favorável

Resumo:

  • É comum o hábito de dar às empresas uma grande influência sobre as vidas dos candidatos, porque eles não conseguem negociar como iguais;
  • Ao aceitar um emprego, um recurso irrecuperável — sua vida — está sendo trocado por dinheiro. Portanto, é imprescindível que a escolha de onde trabalhar seja feita sabiamente e com propósito;
  • No momento da negociação, é importante que o candidato reconheça sua unicidade e entenda que, se o contratante não acreditasse que ele apresenta algo essencial para a empresa, a negociação não estaria sendo realizada. 

Como consultor de TI, tive, ao longo dos anos, a necessidade de negociar salários e contratos posteriores para o meu trabalho. Eu ainda não sou muito bom nisso, embora em geral tenha aprendido o suficiente para permanecer empregado mesmo em tempos de escassez de trabalho. Durante essa trajetória, descobri que existem algumas boas regras que me ajudam a determinar o que constituem meus limites superiores e inferiores e, se estiver especialmente no campo tecnológico, elas podem ser úteis para você também.

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Veja a seguir cinco dicas preciosas para negociar salários:

  • Estabeleça um valor e o mantenha

    Antes de iniciar sua própria busca de emprego, faça uma lição de casa e descubra a média de salário para o cargo que procura. Se você não apresenta os requisitos básicos, sua remuneração será a mínima. Caso tenha mais do que o requerido, é um sinal de que precisa ampliar sua pesquisa para procurar posições que tenham mais responsabilidade de gerenciamento. Posições técnicas podem levá-lo longe por cerca de dez anos. Depois disso, procure cargos sênior e de gerência, pois quem o contrata espera que você tenha essas habilidades para realizar aquilo pelo o que está pagando.

    Note que muitos recrutadores menos respeitáveis vão tentar desvalorizá-lo. Se um recrutador fizer isso, vá embora. Não assine nada, não consinta em nada. Por outro lado, se uma oferta parece boa demais para ser verdade (e com uma remuneração acima do limite), também pode ser uma bandeira vermelha que indica que uma empresa está desesperada. Se for esse o caso, esteja disposto a aceitar a oferta se ela vier com autoridade de contratação e gerenciamento.

  • Pergunte-se como o trabalho o ajuda em seus objetivos

    Quando há uma situação iminente de dificuldade financeira, a ideia sobre o que você quer fazer daqui a cinco anos pode parecer absurda, mas nunca, jamais, aceite um emprego se ele não fornecer um meio para um fim. Ao negociar um salário, esse é, na verdade, um dos fatores determinantes.

    Preste atenção aos sinais ao seu redor, especialmente no que as pessoas querem de você, não necessariamente no cargo que você deseja atingir. Às vezes, você quer um trabalho específico mas é melhor naquele que considera uma função paralela.

    Seu tempo é finito. Quando você aceita um emprego, você está gastando um recurso irrecuperável – sua vida – por dinheiro. Se você não faz valer a pena para você, então você está apenas perdendo tempo.

  • Para quem você realmente está trabalhando?

    Aqui está uma verdade sutil que você raramente ouve sobre sites de emprego ou até mesmo a mídia popular. A maioria das empresas não gosta de contratar pessoas. Cada candidato contratado por uma companhia representa um investimento de capital de enorme. Isso significa dinheiro que não está indo para acionistas ou bônus.

    A menos que seu principal objetivo seja obter experiência, tenha muito cuidado antes de assinar qualquer papel. Procure entender para quem você realmente está trabalhando,
    quem está gerenciando sua folha de pagamento, as taxas e os benefícios, e quais
    deles realmente estão assegurados. Às vezes, um pouco de trabalho de detetive
    permitirá que você descubra quem as agências estão representando (não é
    incomum que várias vejam os mesmos contratos ao mesmo tempo) e que você possa dispensá-los. Se decidir negociar com um agente, obtenha informações por
    escrito sobre quantos de seus funcionários são contratados em posições de tempo
    integral (geralmente é muito menor do que você imagina).

  • Como ser contratado está mudando

    Eu cresci no começo da era do computador pessoal. No início dos anos 80, seu currículo era enviado pelo correio, muitas vezes datilografado e era uma ferramenta indispensável para conseguir um emprego.

    Hoje, muitas empresas usam o LinkedIn ou sites semelhantes que rastreiam ativamente as mesmas informações que um currículo e geralmente são mais atualizados. O departamento de recursos humanos da companhia ainda pode precisar de um currículo como formalidade, mas isso está perdendo espaço para dinâmicas em grupo, atividade em mídias sociais e portfólios online.

    Pessoalmente, eu acho que isso é bom. Também reflete uma mudança em que pesquisas de texto fragmentadas estão sendo substituídas por uma visão semântica mais ampla da conectividade e onde o networking está superando o cold calling como meio de descobrir talentos e encontrar aqueles que podem usá-lo.

    No entanto, isso tem alguns impactos profundos de longo prazo na obtenção de um emprego e na negociação em geral. Muitas empresas mais novas, especialmente startups, desistiram dos métodos tradicionais de recrutamento e estão se concentrando nas redes de mídia social para alcançar potenciais candidatos. Isso significa que, entre outras coisas, é fácil ter conversas que permitam melhor interação antes da contratação e a capacidade de negociar diretamente com uma empresa.

    Esta é uma vantagem que não deve ser subestimada. Facilita o processo de negociar um salário superior e buscar benefícios que não estariam disponíveis no mundo fechado de recrutamento orientado por agências.

  • Você também está entrevistando a empresa

    Por último, lembre-se deste último ponto.

    A maioria das negociações de trabalho se torna deliberadamente unilateral. A empresa possui o dinheiro e tem pessoas que vão avaliar os candidatos. É o contrato da companhia que você assinará, e, se você disser não, sempre haverá milhares de outras pessoas dispostas. Essa atitude é estimulada porque é do interesse das empresas oferecer o emprego para parecer onipotente aos possíveis candidatos.

    No entanto, um contrato é assinado entre dois iguais, e, se você entrar em um emprego sem uma cerca atitude, vai se dar mal. Isso não significa ser arrogante. Mas o candidato precisa reconhecer que está trazendo algo único para o relacionamento (ele mesmo) e entender que, se o contratante não acreditasse nisso, não o entrevistaria.

    O que isso significa na prática é que, embora você não deva ser ganancioso, também não deve deixar que uma empresa o esmague quando estiver negociando. Como regra geral, barganhe o que você acha justo e adicione mais 15% a 20% para poder negociar. Não se esqueça de fatores como custo de vida, impostos etc. Também não se esqueça de garantir que você tenha a autoridade para fazer o que precisa fazer. Esteja preparado a qualquer momento para dizer “não, obrigado”.

Estabeleça um valor e o mantenha

Antes de iniciar sua própria busca de emprego, faça uma lição de casa e descubra a média de salário para o cargo que procura. Se você não apresenta os requisitos básicos, sua remuneração será a mínima. Caso tenha mais do que o requerido, é um sinal de que precisa ampliar sua pesquisa para procurar posições que tenham mais responsabilidade de gerenciamento. Posições técnicas podem levá-lo longe por cerca de dez anos. Depois disso, procure cargos sênior e de gerência, pois quem o contrata espera que você tenha essas habilidades para realizar aquilo pelo o que está pagando.

Note que muitos recrutadores menos respeitáveis vão tentar desvalorizá-lo. Se um recrutador fizer isso, vá embora. Não assine nada, não consinta em nada. Por outro lado, se uma oferta parece boa demais para ser verdade (e com uma remuneração acima do limite), também pode ser uma bandeira vermelha que indica que uma empresa está desesperada. Se for esse o caso, esteja disposto a aceitar a oferta se ela vier com autoridade de contratação e gerenciamento.

Conclusão

Conseguir um emprego é tão importante quanto comprar uma casa ou um carro. Isso o comprometerá por anos e potencialmente décadas, afetará onde você mora, o tipo de vida familiar que tem e quais opções de carreira estão disponíveis para no futuro. No entanto, rotineiramente, damos às empresas uma influência incrível sobre nossas vidas porque não conseguimos negociar como iguais, nos deixamos ser enganados por intermediários e oportunistas e não nos valorizamos quando se trata de nossas próprias habilidades, perspectivas redes de relacionamento. Essa mudança só pode vir de dentro.

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