Como incluir pessoas com deficiência no mundo corporativo

Westend61/Getty Images
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Pesquisa do Departamento do Trabalho dos EUA aponta os benefícios da inclusão e acessibilidade em uma empresa

Um dos fatores-chave para administrar uma empresa de sucesso é atrair e reter talentos. Quer sejam contratados de fora ou empregados de dentro, funcionários qualificados e leais são a espinha dorsal de qualquer negócio. Mas quando as corporações criam estratégias para expandir sua equipe, elas podem estar negligenciando um recorte importante: as pessoas com deficiência (PCDs). Isso pode incluir deficiências físicas como mobilidade reduzida, perda de audição ou visão; e intelectuais.

Mitos sobre pessoas com deficiência no local de trabalho

Por que as pessoas com deficiência são esquecidas? Muitos empregadores temem que elas apresentem mais custos do que benefícios e relutam em investir neles. Também tendem a acreditar em pelo menos alguns dos mitos comuns sobre as pessoas com deficiência no local de trabalho, como colocar em dúvida a produtividade e capacidade deles.

Pessoas com deficiência estão desempregadas e subempregadas. De acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos, nem mesmo uma em cada cinco pessoas com deficiência estava empregada em 2019 e um terço das que estavam trabalhando em tempo parcial. No mesmo ano, dois terços das pessoas sem deficiência tinham empregos e apenas 17% delas eram trabalhadores em tempo parcial.

Mas esses dados são de antes da pandemia. Os trabalhadores com deficiência foram duramente atingidos pelas demissões da Covid, com 1 em cada 5 trabalhadores com deficiência perdendo seus empregos, em comparação com 1 em 7 na população em geral. Os defensores temem que a perda de empregos possa ser permanente, já que muitos empregadores não têm um compromisso sólido para atrair e reter PCDs.

Um informativo das Nações Unidas observa que entre 50-70% das pessoas com deficiência estão desempregadas nos países industrializados e 80-90% nos países em desenvolvimento.

Mesmo quando PCDs estão empregadas, enfrentam barreiras. Na Austrália, uma comissão governamental está documentando os problemas que elas enfrentam no trabalho, e algumas histórias são angustiantes. A Comissão Real sobre Violência, Abuso, Negligência e Exploração de Pessoas com Deficiência está atualmente realizando audiências e espera-se que conclua o trabalho até o final de 2023. Mas já ouviu relatos envolvendo diversas questões, como:

– Ambiental: onde as instalações são fisicamente inacessíveis ou existem comunicações inadequadas;
– Organizacional: onde há pouca ajuda ou ajuste para que a transição funcione sem problemas; ou
– Estruturais: por exemplo, programas de apoio à renda que estão mal integrados ao mercado de trabalho para PCDs.

Essas histórias e estatísticas revelam um problema global enraizado em preconceitos persistentes sobre PCDs no local de trabalho. Mas acontece que a pesquisa não confirma esses mitos. Na verdade, o estudo mostra que as organizações que empregam pessoas com deficiência desfrutam de vários benefícios, tais como:

– Aumento da rentabilidade (lucros e custo-benefício, rotatividade e retenção, confiabilidade e pontualidade, lealdade do funcionário, imagem da empresa);
– Vantagem competitiva (diversidade de clientes, fidelidade e satisfação do cliente, inovação, produtividade, ética no trabalho e segurança);
– Uma cultura de trabalho inclusiva e consciência de habilidade.

Fornecer acomodações no local de trabalho para garantir que as pessoas com deficiência estejam totalmente integradas também revela mais vantagens do que custos. Em sua pesquisa anual, a Job Accommodation Network (JAN) do Departamento de Trabalho dos EUA questiona os empregadores sobre o fornecimento de acessibilidade no escritório. O levantamento mais recente descobriu que:

– Os empregadores estão abertos a fornecer acomodação aos funcionários para mantê-los na empresa;
– A maioria dos contratantes relata custos zero ou muito baixos associados à acomodação;
– Com as acomodações adequadas, os trabalhadores com deficiência são mais produtivos e menos propensos a faltar;
– Os empregadores economizam em compensação de trabalhadores ou outros custos de seguro;
– Os empregadores podem promover mais facilmente uma pessoa com deficiência;
– Os funcionários que foram acomodados têm melhores interações com colegas de trabalho, aumento do moral e produtividade.

Com isso, está se tornando cada vez mais claro que as atitudes em relação à contratação de pessoas com deficiência estão fora de sincronia com a realidade.

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