Guilherme Martins, da Diageo, sobre a licença-paternidade estendida: “O benefício deve virar algo normal para que o impacto social tenha o tamanho que precisa”

Acervo Pessoal
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Guilherme Martins com a família: experiência transformadora, que evolui para uma relação de parceria e de divisão de responsabilidades

Além de demonstrações de afeto e corrida por presentes, a semana do Dia dos Pais chama a atenção também para conscientização do papel do pai nas famílias, tanto na garantia de sustento quanto na responsabilidade na criação dos filhos. Desse modo, muitos profissionais que são pais ou desejam ser buscam por empregos que ofereçam possibilidades de maior tempo com a família, dentre elas o benefício da licença-paternidade estendida. 

Um levantamento realizado pela Catho revelou que a adesão à licença-paternidade estendida tem se tornado uma tendência entre as empresas. Contudo, o estudo mostrou que apenas 7,5% das vagas de emprego contam com o benefício para os trabalhadores brasileiros,  sendo 45% delas para atuar nos setores de informática, administração e varejo. Neste cenário, a multinacional britânica de bebidas Diageo vem fazendo a diferença no Brasil. 

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A companhia conta com uma política de licença-familiar que, desde 2019, oferece a todos os colaboradores pais e mães uma licença de 26 semanas, ou seja, seis meses para cuidar de seus filhos a partir do nascimento ou adoção. A política inclui a manutenção de salários e benefícios, e vale para todos os tipos de casais. 

Após sua implementação, a iniciativa fez tanto que sucesso que, segundo dados do índice de aceitação da política de licença-familiar da companhia, 90% dos colaboradores homens que se tornaram pais aderiram. Atualmente, a Diageo conta com 700 funcionários. Nos últimos dois anos, a política de licença-familiar já beneficiou 65 deles, sendo 33 mulheres e 32 homens. Os beneficiados fazem parte de todos os setores da companhia, administrativo, fábrica ou vendas, e estão presentes em todos os níveis hierárquicos.

Entre os que usufruíram do  benefício está Guilherme Martins, diretor de negócios de Reserve da companhia, que compartilhou com a Forbes como foi a experiência de passar seis meses em casa após o nascimento do caçula, Joaquim, atualmente com um ano e meio:

Forbes: Como foi sua experiência com a licença-paternidade? 

Guilherme Margins: Foi uma experiência incrível ao lado da família. Realmente transforma não só o homem, mas a relação dos pais que evolui para uma relação de parceria e de divisão de responsabilidades de fato. O contato constante e de total dedicação realmente cria um vínculo especial. Eu consigo comparar inclusive com a licença que tive no primeiro filho [Bernardo, atualmente com quatro anos], de 20 dias, algo que já é considerado licença estendida mas não tem comparação! Igualar o tempo de licença do homem e da mulher é fundamental por uma série de fatores pessoais e profissionais. 

Forbes: Você teve algum receio de ficar esse tempo longe dos negócios? Chegou a pensar que sua carreira seria impactada negativamente de alguma forma?

GM: Muito receio. Pensei que minha carreira poderia ser sim impactada. Eu saí de licença em fevereiro de 2020, antes de começar a pandemia, então, de fato, a crise sanitária ainda piorou esse sentimento. Não tinha parado muito para refletir sobre isso até chegar próximo da data de saída… É um processo difícil, você se sente culpado por pensar se realmente deveria tirar a licença, dividir as responsabilidades em casa em detrimento de um impacto na carreira. Algo que todas as mulheres passam! Essa dinâmica é fundamental para equidade de gênero. Paternidade e maternidade não deveriam impactar o desenvolvimento da carreira de ninguém! Mas o processo de volta foi igualmente complexo. 

Forbes: Do ponto de vista da família, quais foram as vantagens de acompanhar esses primeiros meses da vida do bebê?

GM: Criação de vínculo, divisão de responsabilidades em casa e, no meu caso, com um filho mais velho, dei toda assistência a ele, que passou também por um processo de adaptação à nova dinâmica familiar. Momentos mágicos que nunca vou esquecer na vida. 

Forbes: Então você concorda que uma licença igual para homens e mulheres nesse momento da vida da família pode ajudar a promover a igualdade de gênero nas empresas?

GM: Totalmente! Como disse, a maternidade traz impacto no desenvolvimento das carreiras das mulheres, o que é um absurdo. Hoje, tenho um olhar muito mais sensível: a carreira da minha esposa é muito importante pra mim. Nos apoiamos, nos suportamos e dividimos para que tenhamos as mesmas oportunidades. Mas o caminho ainda é muito longo! Esse benefício deve virar algo normal para que o impacto social tenha o tamanho que precisa.  

Forbes: O quanto você acha que esse tipo de benefício ajuda no clima de trabalho e na retenção de talentos da empresa? Existem outras vantagens para a empresa?

GM: Ao meu ver, o discurso de diversidade, inclusão e equidade precisa ser mais que um discurso. Ações afirmativas que forçam essa transformação é uma necessidade – caso contrário, a mudança será marginal. Ações como essa reforçam o compromisso das empresas, trazem orgulho aos funcionários e, com certeza, fidelização, o que faz com que o clima da empresa evolua muito.

Forbes: O que você diria às empresas que ainda não adotaram a licença-paternidade estendida aos seus funcionários?

GM: As empresas precisam refletir sobre qual papel querem assumir como protagonistas na evolução da sociedade. Além disso, precisam entender que equidade e diversidade refletem em melhores negócios. Discurso sem ação não é suficiente.

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