
Essa foi a estratégia da Rupee, fintech de contabilidade do Rio de Janeiro, para conter a alta rotatividade dos funcionários. No primeiro ano da pandemia, sentiram que a quebra de algumas empresas estava aumentando a troca de cadeiras entre os profissionais. Enquanto alguns saíam dos seus postos para buscar uma oportunidade melhor, outros aceitavam posições de forma temporária. Nesse cenário, o CEO, Guilherme Baumworcel, decidiu oferecer algo além do que já existe no mercado. E, com toda a equipe em casa, resolveu acenar com o sonho de quase todo o time: a compra de um imóvel.
A startup passou a oferecer um consórcio imobiliário com carta de crédito de até R$ 100 mil para os funcionários. A ação começou em janeiro e, por conta da adesão total, em agosto passou a incluir os estagiários, somando 37 beneficiados. “Aumentar o salário não é a mesma coisa que aproximá-los do sonho da casa própria”, diz Baumworcel. Hoje, todos os colaboradores da empresa estão inscritos no benefício. No Brasil, o pacote de benefícios é o segundo critério mais importante na hora da escolha de um emprego, atrás apenas da perspectiva de crescimento na carreira. O dado faz parte de um levantamento com 600 executivos c-level feito pelo Guia Salarial 2020, publicado pela consultoria Robert Half.

Na ArqExpress, uma plataforma de decoração, os colaboradores ganham uma espécie de extreme makeover de cômodos da casa. Todo mês, um colaborador é escolhido para ter uma parte da casa transformada, incluindo desde a elaboração do projeto até compra dos móveis. A fundadora da plataforma, Renata Pocztaruk, conta que a iniciativa tem o objetivo de bonificar a equipe. Para ela, as empresas que não apostarem em uma gestão humanizada correm o risco de perder seus melhores talentos nesse momento de crise. “Notamos que as pessoas ficaram mais entusiasmadas esperando para ver quem será o próximo sortudo.”

Até agora, o grupo reformou 10 casas diferentes, tendo investido, em média, R$ 25 mil por ação. O plano é para que as reformas se estendam até 2026, quando todos os funcionários já terão alguma área de sua casa imóvel reformada. Além disso, a escolha do benefício-moradia teve outra estratégia: promover a sensação de segurança e estabilidade para o time através de uma moradia mais confortável. “Pessoas felizes e satisfeitas trabalham melhor”.
Mercado imobiliário também está de olho no benefício
Para o mercado imobiliário, essas vantagens corporativas passaram a ser vistas como oportunidade de novos produtos. A Housi, empresa de moradia por assinatura, resolveu oferecer os próprios serviços como benefício empresarial. A ideia é que o valor gasto em vale-transporte pelos clientes seja destinado a cobrir parte das despesas da locação de um apartamento para seus funcionários.

Há apartamentos mobiliados e prontos para quem faz home office e o processo de locação é 100% digital. Para os profissionais que já voltaram à empresa em regime presencial, a proposta é oferecer um imóvel que fique próximo ao escritório. “Morar bem significa viver melhor e produzir mais”, diz o CEO da empresa, Alexandre Frankel.
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