Campanha #meufilhonocurrículo valoriza habilidades desenvolvidas na maternidade

Com a hashtag, ideia é difundir que criar filhos é um jeito de desenvolver soft skills desejadas pelas empresas, como inteligência emocional .

Rosa Symanski
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Camila Antunes e Michelle Terni são criadoras da ação parar mostrar que criar filhos pode ajudar o desenvolvimento profissional

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A advogada Camila Antunes trabalhava em uma empresa onde era reconhecida profissionalmente, mas decidiu pedir demissão aos 5 meses de gravidez. “Na época, me sentia sozinha e preocupada em cumprir o ‘check list’ da mãe perfeita”, diz. A solução foi deixar o emprego para desempenhar melhor o novo papel. “Sentia como se não pudesse ter as duas coisas”. 

A decisão teve tanto impacto na vida de Camila que, depois de refletir e viver a maternidade de fato, resolveu unir-se à amiga Michelle Terni, especialista em equidade de gênero com carreira na área de comunicação e marketing e, em 2018,  criar a consultoria Filhos no Currículo. A intenção era provar que ser mãe não é incompatível com uma carreira. O diferencial é que a ação parte do ponto de vista dos empregadores e não só das mulheres. Neste mês, as duas lançam a campanha #meufilhonocurrículo, que ganhou as redes sociais com centenas de depoimentos de pais, mães e gestores no LinkedIn e Instagram, e teve mais de 30 mil interações nas redes na primeira semana. “A gente pretende focar nas habilidades adquiridas durante a maternidade e a paternidade, mostrar como essas competências são complementares à uma carreira”, diz Michelle, CEO e co-fundadora da consultoria.

Tais competências podem ser citadas, segundo as consultoras, durante uma entrevista de emprego. Em vez de tentar esconder que têm filhos, como infelizmente muitas mulheres ainda precisam fazer no momento da primeira conversa, a ideia é citar os aprendizados da maternidade como uma espécie de MBA em soft skills. Melhora na comunicação, gestão de tempo mais apurada, capacidade de negociação, empatia e escuta podem ser algumas das habilidades sócio-emocionais desenvolvidas durante o processo de educar uma criança.

Gerdau: investimento em parentalidade

Uma das empresas que contratou o trabalho de Camila e Michelle, a Gerdau decidiu que deveria ampliar a visão sobre parentalidade e  implantou na empresa, em 2020, o programa Liga das Famílias. O objetivo é apoiar pais e mães, além de capacitar os líderes para melhor gestão das licenças-maternidade e paternidade.  “Não queríamos foco só nas mulheres para não criar estereótipos de mulheres e suas licenças”, explica Kareline Bueno, líder do grupo de afinidade de gênero na Gerdau. A empresa implementou, assim, um programa  destinado ao líder que vai ter um pai ou mãe na equipe, além de criar um acompanhamento do retorno dessas licenças parentais. “É parte do programa a conscientização do líder para que este entenda o momento pelo qual a gestante está passando, com informações e sensibilização sobre as habilidades desenvolvidas na maternidade, e como deve ser feito o acolhimento quando essa mulher retornar”.

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Maior empatia entre colegas, respeito à diversidade, melhor gestão do tempo e maior produtividade foram algumas das vantagens medidas depois da implantação do novo programa. “A mulher ficou seis meses fora, muita coisa mudou . Ter a disposição de comunicar  o que aconteceu e construir um novo caminho para ela, se necessário, agora é possível devido ao maior nível de conscientização”, diz a gestora da Gerdau. 

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As mudanças sugeridas pela Filhos no Currículo se baseiam em uma pesquisa conduzida pela própria consultoria em parceria com o Movimento Mulher 360, instituto voltado ao empoderamento econômico feminino. Feito no início da pandemia, o levantamento mostrou que 98% dos pais e mães que trabalham percebem o desenvolvimento de novas competências com a educação dos filhos. Foram entrevistados 825 pais e mães com filhos de 5 anos, em média. Destes, 79% trabalhavam no regime CLT ou eram contratados como prestadores de serviço. Pouco mais da metade (53%) ocupavam posições de liderança e 71% moram em São Paulo (SP). 

A ação #meufilhonocurrículo é só o início de um plano maior que propõe a implantação de uma nova cultura no mundo corporativo. As gestoras levam até as empresas jornadas de conteúdos, ferramentas práticas para profissionais e líderes assimilarem pontos importantes na relação entre pais e mães, como, por exemplo, o momento da notícia da espera do bebê, a gravidez, a preparação para licença-maternidade. “Elaboramos um projeto de preparação da liderança criando um ambiente de respeito e inspiração para a gestante ”, diz Michelle.

 

 Se você quer aderir à campanha e contar o que aprendeu com seu filho:

  • Acesse #meufilhonocurriculo e baixe o “pack da campanha” presente na página. 
  • Escolha o selo da campanha que te representa: #meufilhonocurriculo #minhafilha.. #meu enteado… #euapoio… 
  • Reposte a imagem oficial da campanha no seu perfil do LinkedIn ou Instagram. 
  • Marque a hashtag da campanha #meufilhonocurriculo 
  • Convide sua rede a aderir à campanha e propagar a mensagem  

 


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