Líderes do futuro: as principais tendências segundo a neurociência

Com o uso da inteligência artificial para executar tarefas repetitivas, os profissionais estarão livres pra analisar e articular conhecimentos.

Fernanda de Almeida
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Noção de vulnerabilidade é uma das competências dos líderes do futuro, diz a neurocientista Carla Tieppo

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Em um futuro próximo, uma carreira de sucesso será sustentada pela capacidade de combinar diversos saberes, e não apenas ser autoridade em um assunto. “Os especialistas darão lugar aos generalistas e teremos pessoas com ideias muito complementares sobre diferentes temas”, explica a neurocientista e pioneira na aplicação da neurociência no ambiente empresarial Carla Tieppo

Professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Tieppo dá aulas sobre o funcionamento do sistema nervoso e suas relações com a mente e o comportamento humano. Seu trabalho envolve potencializar o desenvolvimento profissional por meio da aplicação de conceitos da neurociência. 

A tendência observada por ela traz desafios à educação, que precisa conciliar a potência de um ensino formal com as novidades trazidas pela combinatividade. Pensando nisso, o programa Leading the Future, resultado de uma parceria entre a SingularityU Brazil e a revista Forbes, é baseado na ideia de exponencialidade no mundo dos negócios. Durante as aulas, que começam no dia 7 de março, líderes irão se juntar a experts do mercado para entender como a tecnologia, aliada à teoria exponencial, pode ajudar negócios de diferentes setores a inovar. As inscrições estão abertas e podem ser feitas aqui

Em conversa com a Forbes, a neurocientista analisa as competências que um líder do futuro deve ter e explica a importância dos conceitos de pensamento exponencial e disrupção da mente em termos de liderança. 

Forbes: Quais dificuldades os líderes devem enfrentar num futuro próximo? 

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Carla Tieppo: Com o desafio de entender como equipes, empresas, organizações e negócios vão se estruturar daqui para frente, é necessário ter competências de liderança que podem ajudar a navegar nesse novo universo, como resiliência, noção de vulnerabilidade e uma perspectiva nova sobre tomada de decisão. Em um ambiente com mudanças tão rápidas como a gente está vivendo, é natural que as pessoas tenham ansiedade, então promover segurança psicológica e gerenciamento emocional faz parte do processo de liderar equipes no futuro. Também é preciso atualizar o conceito de emoção, que as pessoas sempre viram como vulnerabilidade, mas pode efetivamente te ajudar a desenvolver um negócio, uma equipe e até mesmo você.

F: Como o conceito de liderança se transformou e deve ser atualizado?

CT: Antes mesmo de qualquer cenário pandêmico, nós já estávamos enfrentando uma incerteza a respeito do futuro. Com a pandemia, a gente teve que compreender como as relações humanas se estruturam sem, muitas vezes, a possibilidade do contato físico, e liderar equipes a distância também não é trivial. Já não é mais uma questão apenas técnica; você não precisa apenas conhecer o seu negócio; mais do que nunca liderança diz respeito a pessoas, e as pessoas estão navegando em um universo de incertezas. Você precisa entender onde você está e de onde você consegue recolher essa potência para poder liderar. Líderes mais sêniores e tradicionais precisam atualizar suas perspectivas, e os líderes jovens ainda precisam compreender exatamente o que é o exercício da liderança em tempos de tecnologia porque são pessoas que têm muito conhecimento técnico, mas que tiveram a formação humana negligenciada na educação formal. 

F: Do que se tratam os conceitos de pensamento exponencial e de disrupção da mente, que estão entre os temas que você vai abordar?

CT: Quando a gente fala sobre pensamento exponencial, estamos falando de uma forma de olhar para as coisas que sai de uma relação de causa e consequência linear e começa a compreender a dinâmica da complexidade. A partir disso, você pode alavancar a forma como você entende o mundo somando conhecimento. E o cérebro é um instrumento de exponencialização, em que você pode complexificar a sua forma de compreender as coisas a ponto de pensar nelas de forma mais abrangente e potente. Isso é importante em um tempo em que os especialistas vão dando lugar aos generalistas, que conseguem ter ideias muito complementares sobre diferentes elementos e conseguem se exponencializar por causa disso.

F: Qual a importância dessa mudança de mentalidade para uma carreira  de sucesso?

CT: Se tudo o que for repetitivo vai ser substituído por tecnologia de inteligência artificial, resta ao homem usar sua máxima potência cerebral, que é justamente a combinatividade ou seja, combinar recursos de diferentes áreas. Por exemplo, usar um recurso de engenharia para resolver um problema que é de sistema. Esse tipo de com vai ser combinação será cada vez mais importante para disrupções, para que a gente encontre oportunidades onde muita coisa já foi explorada. Nós somos sete bilhões e meio de pessoas no mundo, como você se destaca nesse universo? Provavelmente não vai ser como o especialista do especialista porque rapidamente vão desenvolver um aplicativo que consegue ter uma resposta melhor do que a da mente humana. Mas a mente humana é insuperável na capacidade de análise e de articulação de diferentes saberes. 

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