Liderando a transformação de dentro para fora

Thomas Barwick/Getty Images
Thomas Barwick/Getty Images

As decisões éticas, guiadas por propósito são o novo comum e os líderes precisam encontrar maneiras de torná-lo lucrativo

“We are not in Kansas anymore” foi a frase dita pela pequena Dorothy ao seu cachorrinho Toto ao se surpreender em um cenário que não era os arredores de sua casa no filme “O Mágico de Oz“. Em tradução livre, a frase significa algo como “nós não estamos mais no Kansas”. Em 1939, esse sucesso de público e crítica ainda não sabia, mas cimentava na história, essa frase como um bordão, que passou a significar a estranheza do desconhecido, aquela sensação que nos surpreende em um lugar ou circunstância incomum e/ou desconfortável.

Pois bem: é usando essa analogia que eu te convido a pensar sobre tudo de novo neste cenário em que nos encontramos. As lideranças que alcançaram suas posições a partir de competências conectadas à capacidade de tomar decisões estratégicas de negócio com objetivos de lucratividade, atualmente estão sendo desafiadas a olhar ao redor e entender a melhor forma de exercer seu papel num contexto inédito.

Que o evento pandêmico acelerou processos de modernização das organizações, como por exemplo na necessidade de adoção de um modelo de trabalho remoto ou híbrido, é um fato. Que esse mesmo evento ampliou desigualdades e nos obrigou a todos a olhar para dentro de si questionando seu papel individual para o bem-estar coletivo, é ponto pacífico, não há dúvidas.

A questão é: como a nossa liderança será capaz de conduzir a transformação pelas quais nossas organizações devem operar?

Para que os negócios sejam parte da solução para nossos desafios coletivos, nós, líderes, devemos atualizar nosso mindset a ponto de conseguir enxergar organizações não como entidades sem alma e lucrativas, mas como “estruturas humanas e vivas” feitas de indivíduos trabalhando juntos em prol de um objetivo comum. A partir desta constatação, não deixaremos de pensar no lucro como imperativo de negócios, adicionaremos outros imperativos como a cultura inclusiva e a equidade. Os lucros passam a ser resultado de uma estratégia bem-sucedida ancorada em um propósito.

Lisa McLeod, autora de “Selling with Noble Purpose” (“Vendendo com Propósito Nobre”, em tradução livre), atua em mais de 25 países levando técnicas para que líderes aumentem o envolvimento emocional e o desempenho especialmente em tempos de desafio e mudança. Para Lisa, o desafio da alta liderança é se aprofundar nas próprias emoções para então comunicar com clareza seu propósito de forma que este seja capaz de engajar e por fim gerar resultados financeiros.

Nenhuma surpresa por aqui, já que o capitalismo de stakeholders tem se apresentado como um caminho sem volta dentro do contexto social e a nós, líderes forjados na incerteza, nos cabe acelerar nossos processos individuais de auto investigação não apenas por imperativo existencial, mas por compromisso com as pessoas que compõem as organizações, ou seja, esses mesmos stakeholders.

É aqui, no processo individual e solitário do autoconhecimento, que a liderança investe no bem comum e no social. É no processo silencioso de sentir para se conectar que eu garanto que os direitos individuais e coletivos serão resguardados numa ética organizacional que entende as pessoas e suas demandas como pilar estratégico.

A justificativa para esse investimento no intangível de cada um de nós, na justiça social, em práticas comerciais éticas, diversidade e respeito ao meio ambiente não está mais assentado no fato de que eles melhoram o desempenho financeiro. As decisões éticas, guiadas por propósito são o novo comum, a nova Kansas da pequena Dorothy: o que é certo deve ser feito e os líderes precisam encontrar maneiras de torná-lo lucrativo.

Ana Bavon é advogada especialista em Direitos Civis e membra da Comissão de Ética, Diversidade e Igualdade do IBDEE. Especialista em estratégias de Inclusão e Gestão das Diversidades nas Organizações na B4People Cultura Inclusiva, onde é CEO.

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