“Não vendemos solução, mas uma transformação de hábitos”: conheça a história da Holistix

Startup de wellness criada por Nathalia Simões e Nicole Vendramini se inspirou em tradição espanhola para ressignificar rotina saudável e reuniu R$ 8 milhões em aportes.

Rebecca Silva
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Nicole Vendramini e Nathalia Simões, as cofundadoras da marca de wellness brasileira Holistix

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Quem nunca desistiu de um novo hábito saudável depois de poucos dias que atire a primeira pedra. É o exercício físico que deixamos para começar na segunda-feira que nunca chega, o consumo necessário de água que acaba passando batido na correria do dia a dia, o ritual de skincare que não vira rotina porque dá preguiça… a lista é longa. Foi enxergando esses costumes nelas mesmas e percebendo que todos temos dificuldades parecidas que Nathalia Simões e Nicole Vendramini se uniram para criar a Holistix, marca de wellness brasileira que oferece, além de produtos físicos e digitais, conteúdo gratuito sobre bem-estar. “As pessoas se autoboicotam com um sistema rígido de regras a seguir. Na verdade, é sobre equilíbrio”, conta Nathalia.

O encontro das duas parece ter saído do roteiro de uma comédia romântica. Elas se conheceram por amigos em comum enquanto moravam na Espanha, país que foi essencial para a ideia embrionária da Holistix. Nicole trabalhava com marketing na área de saúde e alimentação, com passagens por Nestlé e Unilever. Ela já tinha pensado em desacelerar e mudar de área para que pudesse trabalhar de outra forma. Estudou saúde holística em Nova York e fitoterapia em Madri. Empenhada em unir bem-estar e saúde, iniciou um projeto de conteúdo tímido, independente, transmitindo o conhecimento que vinha acumulando. Mas não sabia como dar os próximos passos para monetizá-lo.

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Já Nathalia se diz empreendedora de essência, daquelas que desde criança encontram uma forma de fazer dinheiro. Atuando no mercado financeiro havia 10 anos, focada em fusões e aquisições e em fundos de investimentos, ela se sentiu atraída pela ideia de criar o próprio negócio após realizar um MBA. Grávida de sete meses, foi diagnosticada com risco de parto prematuro e, em casa, afastada do trabalho, percebeu que não queria voltar para o ritmo de antes. Pesquisou e estudou o mercado e entendeu que seu investimento seria em wellness. Traçou um business plan, previu cada passo da empresa e as etapas para o seu crescimento, mas não sabia como, efetivamente, criar uma love brand.

“Marcamos um encontro, apresentamos nossos projetos e parecia filme: uma complementava a outra e conhecia todas as referências. Começamos a trabalhar juntas muito rápido porque não teve overlap, uma não tinha feito o que a outra tinha adiantado”, relembra Nathalia. “Somos diferentes, mas temos uma intersecção que todos deveriam ter, do hippie ao workaholic, para levar uma vida mais equilibrada. O desafio era englobar o máximo de pessoas nessa história, em uma sociedade já tão adoecida”, diz Nicole.

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Ambas levavam vidas corridas na Espanha, precisando praticar ioga em cinco minutos ou então entoando o lema “um dia de cada vez” para se adaptar a novos hábitos. A inspiração para a Holistix veio de uma tradição espanhola, os herbolarios, farmácias com produtos 100% naturais, muito mais comuns do que as drogarias que conhecemos por aqui. Vivendo nesse universo distante do Brasil, a dupla percebeu que, atualmente, as farmacêuticas lideram as conversas sobre saúde vendendo soluções, mas nem sempre trabalhando na prevenção pela mudança de estilo de vida.

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Entre os produtos do portfólio da Holistix estão o leite de coco em pó, a maca peruana e o golden mix

Depois de notarem esse gap e o mercado com valor agregado a ser explorado no Brasil – a indústria mundial do bem-estar é avaliada em mais de US$ 4 trilhões, segundo o ​​Global Wellness Institute –, viram a oportunidade de escalar e crescer forte por aqui. “Somos duas pessoas em jornada de captar dinheiro, precisamos de foco. Não conseguiríamos seguir atuando nos dois países porque são idiomas e particularidades diferentes. Aqui existe um senso de comunidade que faz mais sentido, então apostamos as fichas, largamos tudo que construímos lá e voltamos para o Brasil”, recorda Nathalia, que tinha acabado de comprar um apartamento com financiamento para 30 anos.

O que nasceu como comunidade pautada em conteúdo gratuito sobre hábitos saudáveis possíveis logo evoluiu para e-commerce de produtos físicos e digitais para monetizar o negócio. “O conteúdo é o primeiro pilar da Holistix. Nosso portfólio de produtos está crescendo, mas eles são ferramentas para alcançar o que transmitimos com o conteúdo. Não vendemos solução, mas uma forma de transformação de hábitos”, aponta Nicole. “O maior deslize do nativo digital é vender algo motivacional, mas que se perde entre outras publicações no feed. Queremos que se torne prática. É melhor um mini-hábito na mão do que cinco voando”, acrescenta.

Após um início turbulento por causa da imprevisibilidade trazida pela pandemia, as cofundadoras conseguiram seguir o business plan e crescer. O que começou com uma equipe de três pessoas se tornou um time de 30 funcionários. O que era terceirizado se transformou em processo interno, com maior controle de qualidade. Para 2021, o objetivo é multiplicar 10 vezes o faturamento do ano passado, superando a marca de 50 mil clientes conquistada até hoje.

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No mês passado, a Holistix finalizou mais uma rodada de investimentos, a maior realizada pelo Anjos do Brasil, e até agora já levantou R$ 8 milhões de investidores anjo. Entre os investidores estão Lodovico Brioschi (cofundador da Amaro), Carlos de Barros (diretor da Dasa), André Barrence (diretor do Google for Startups) e Ben Bommert (ex-Dafiti).

A startup também foi uma das 12 a conseguir entrar para o programa Scale Up da Endeavor, contra quase 500 inscritos. “A jornada de captação é muito dura. Na primeira rodada que fizemos ano passado eu estava grávida da minha segunda filha. Imagina vender raspador de língua para Faria Limers?”, brinca Nathalia, usando o jargão adotado para denominar os profissionais do mercado financeiro por causa dos escritórios que costumam ocupar a Avenida Faria Lima, em São Paulo.

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O famoso raspador de língua de cobre e a escova seca

E engana-se quem pensa que a única dificuldade é vender um produto nichado. Para as cofundadoras da Holistix, é curioso analisar a jornada da captação também sob a lente do gênero. “Nos chamam de meninas, acham que somos amigas que decidiram abrir uma empresa juntas, mas não foi assim. Nosso contato foi profissional desde o primeiro momento, nos tornamos amigas pela convivência. Com homens não existe essa percepção”, ressalta Nicole.

Nathalia também tem história para contar. Quando a dupla decidiu embalar a vida que levava na Espanha e trazer a mudança de volta para o Brasil, seu marido recebeu um e-mail de um sócio de um fundo de investimento que achou que o casal estava de mudança por alguma novidade profissional do marido. “Não queriam acreditar que estávamos apostando em um projeto meu. Já pensou perguntarem ao David Vélez sobre mudança profissional pela esposa dele?”, questiona.

Atualmente, a dupla considera um desafio distribuir conteúdo sobre wellness digitalmente sem incentivar o uso excessivo das telas. “A saúde mental é tão importante quanto a física. No momento em que vivemos, passar tanto tempo conectado não é saudável. Temos uma discussão interna para encontrar a melhor forma de usar a internet e as redes para que os consumidores não fiquem presos no portal, para usarem o conteúdo da melhor forma possível e desconectar”, afirma Nicole.

Nesse movimento de atingir também o mundo offline, a Holistix inaugurou a sua primeira loja física em São Paulo. À convite da marca Kiro, que produz bebidas não alcoólicas à base de gengibre, mel e vinagre de maçã, passou a ocupar uma banca de jornal desativada em Pinheiros. Para quem prefere conhecer os produtos pessoalmente, é possível conhecer o portfólio, que conta com óleos essenciais, almofadas térmicas, itens como matcha e maca peruana e o famoso raspador de língua.

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