Organizações de e-sports e games ampliam investimentos em Web3

Luiz Gustavo Pacete
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Após levantar R$ 50 milhões, Snackclub faz primeira ação envolvendo o jogo Free Fire

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Um movimento cada vez mais comum tem sido observado no ecossistema de games e e-sports. Algumas das principais organizações do competitivo de games estão investindo ou se aproximando de startups especializadas na chamada Web3 com negócios relacionados a criptomoedas, blockchain e NFTs.

Na semana passada, a LOUD, uma das maiores organizações de e-sports da América Latina, por meio de seus fundadores Bruno Oliveira e Jean Ortega, levantou R$ 50 milhões para impulsionar os negócios da Snackclub, especializada em Web3. A startup, inclusive, anunciou, nesta semana, o Evento de Free Fire que acontece no Discord, plataforma que conecta as comunidades dos games. “Free Fire é um dos games mais jogados no Brasil e, embora ele não faça parte do universo blockchain gaming, nós decidimos criar um evento premiado para que todos possam participar e viver a experiência de monetizar enquanto jogam”, conta Bruno Bittencourt, sócio fundador da Snackclub.

Os investidores que participam da rodada de captação da Snackclub são Animoca, Ascensive Assets, Formless Capital, Jump Crypto, Mechanism e OP Crypto. “A LOUD sempre foi uma organização que prioriza a comunidade”, diz Jean Ortega, cofundador da LOUD e sócio-gerente do Snackclub. “O objetivo é elevar esse compromisso investindo em tecnologia, em plataformas e em parcerias com publishers que trarão o potencial dos jogos blockchain para nossa comunidade. Temos um longo caminho a percorrer, mas sabemos que mudaremos os motivos pelos quais as pessoas decidem entrar para o universo dos games”

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Outro movimento recente foi do time MIBR que iniciou uma parceria com a Bybit. A corretora de criptomoedas iniciou sua jornada com times de e-sports em 2021 ampliando a sinergia entre as indústrias de games e criptomoedas. A Bybit também é patrocinadora do time de Fórmula 1, Oracle Red Bull Racing, e de outros times de e-sports do mundo como Navi e Astralis. Esta é a primeira parceria no Brasil com o objetivo de desenvolver conteúdos relacionados ao universo cripto e educação financeira através dos canais digitais da organização durante os três anos da parceria.

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Para a CEO do MIBR, Roberta Coelho, a Bybit chegou para impulsionar uma nova fase da organização que iniciou em 2022 e posiciona o fã como centro das estratégias da equipe. “Estou feliz de ter a Bybit como parceira pelos próximos 36 meses. Juntas iremos colocar o MIBR na Web3, entendendo melhor os interesses dos nossos fãs no universo de ativos digitais e entregando experiências”.

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Criptomoedas e blockchain

No início do ano, outra entidade fez um movimento olhando para esse ecossistema. A Xis, organização brasileira de e-sports especializada em Fortnite, anunciou parceria de naming rights com a OG, plataforma que integra jogos com o sistema de blockchain, permitindo que os seus usuários ganhem tokens na medida que jogam ou consomem conteúdo. Com isso, a organização brasileira, que já havia desenvolvido uma estratégia de fan token, no ano passado, passou a se chamar Xis Og Life.

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Rodrigo “El Gato”: “sabemos que dentro dos e-sports ainda existe um caminho longo a ser percorrido e existem muitas oportunidades em Web3″

O acordo foi negociado pela Druid e Rumble Gaming, agências de marketing com foco em e-sports. “Games (ou jogos eletrônicos) são, por definição, essencialmente virtuais. O ecossistema cripto também nasceu no meio virtual. É uma forma de atestar a propriedade de dados ou assets virtuais através de criptografia, de maneira descentralizada e transparente. Esse denominador comum (ambos terem se originado no meio digital), já aproxima os dois conceitos, mas essa aproximação se intensifica ainda mais quando levamos em conta as possibilidades de transações seguras, rápidas e descentralizadas que a blockchain permite”, diz Luiz Fontes, fundador da Equipe Xis.

E em março, a Los Grandes, adquiriu a startup GEMU com a meta de faturar R$ 40 milhões em 2022, crescimento de 300% em relação ao ano passado. A GEMU tem um serviço que conecta marca, público e jogadores profissionais e, de acordo com Rodrigo, contribuirá para o projeto de expansão da Los Grandes. A transação de compra foi baseada em dinheiro e ações somando R$ 6 milhões no total.

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Uma das frentes estratégicas de negócios é manter os olhos atentos para todas as possibilidades da Web3, como criptogames, NFT´s e blockchains: “Com a compra da GEMU, damos o nosso primeiro passo dentro do mercado de startups, com o objetivo de nos tornarmos referência em tecnologia dentro do cenário de games e e-sports. Essa é mais uma movimentação importante para 2022, pois além de abrirmos novos frentes de negócios, também nos aproximamos das tendências da Web3”, explica Rodrigo Terron, conselheiro da Los Grandes e 30 Under 30 2021.

“Eu realmente acredito que a blockchain vai mudar o mundo, não apenas na aquisição de um token, mas sim no conceito como um todo. A segurança e a transparência que ela oferece é algo que realmente chegou para fazer a diferença. Sempre digo que vou ficar muito feliz quando começar a assistir um filme e ver que o menino que está jogando vídeo game não é mais visto como alguém que está perdendo tempo. Afinal, essa é minha luta diária: mostrar a profissionalização e o caminho sério que os esportes eletrônicos oferecem, pois existem pessoas que trabalham duro para tudo isso acontecer e que desejam seguir uma carreira séria com esse esforço”, afirma Terron.

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