Como a marca de skincare Stratia fez sucesso sem financiamento e sem grandes parceiros

Reprodução/Forbes
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A Stratia começou com apenas dois produtos, incluindo o famoso Liquid Gold

Como ex-estudante de química na faculdade, Alli Reed se viu com quase 20 anos, vasculhando revistas de dermatologia e estudos periódicos para se aprofundar na ciência dos cuidados com a pele.

“Eu não fiz absolutamente nada com meu diploma em química”, disse Alli, que acabou trabalhando em tempo integral com publicidade. “Perdi o momento certo de atuar em um laboratório, então criei um laboratório móvel na minha cozinha para tocar nessa ferida.”

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Alli começou um blog e entrou para os grupos de skincare do Reddit. “Cheguei a um ponto em que me senti bem informada, mas esse conhecimento não estava me ajudando a comprar produtos melhores para a pele por causa da opacidade da indústria.” Por esse motivo, ela começou a fazer produtos para a pele que estavam de acordo com sua pesquisa.

Em 2016, ela investiu US$ 3.000 de seu próprio dinheiro para comprar ingredientes e começou a Stratia, primeiro como uma empresa secundária. Aos 28 anos, ela começou a brincar com ingredientes como ceramidas, colesteróis e ácidos graxos e criou seu principal produto. O Liquid Gold é um hidratante leve, mas com propriedades restauradoras. Alli compartilhou os lotes restantes com outros leitores do fórum e a fórmula explodiu no Reddit.

Enquanto muitas empresas de cuidados com a pele crescem distribuindo amostras grátis para celebridades, influenciadores e editores, a Stratia cresceu através do boca a boca nas comunidades do Subreddit. Em dois meses, ela obteve lucro e, até hoje, é totalmente autossuficiente.

“As comunidades de cuidados com a pele do Reddit decolaram com ele”, diz Alli. “Eles se sentiram donos do produto e a comunidade do Instagram o encontrou e se apaixonou. Eu nem estava enviando produtos grátis. Eram pessoas comprando e contando às pessoas e foi assim que crescemos sem gastos com publicidade ou marketing nos primeiros três anos.”

Em 2019, a Stratia atingiu US$ 2 milhões em receita e continuou a crescer para cerca de US$ 2,5 milhões em 2020 durante a pandemia. Com o envio e a produção voltando aos níveis normais, bem como os recentes investimentos em anúncios de mídia social, Alli espera dobrar a receita em 2021.

Nos cinco anos desde o lançamento, Alli ainda fabrica internamente para manter baixo estoque e minimizar a pegada de carbono. “Eu pessoalmente formulo cada garrafa e realizo todo o processo de pesquisa e desenvolvimento em Pasadena”, afirma. A sede da empresa possui escritório e fábrica e emprega um total de seis pessoas em tempo integral.

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Manter a uma produção própria permite que a empresa mantenha o controle de qualidade e permaneça ágil. Se um produto sai de estoque, leva cerca de uma semana para que ele volte, o que tem mantido o crescimento em um ritmo constante.

Os produtos estão disponíveis em um site DTC (“Direct-to-consumer”, “Direto ao Consumidor”, em tradução livre) e na parceira de varejo exclusivo New London Pharmacy, na cidade de Nova York. A empresária considera o varejista independente e a farmácia local um teste decisivo para futuras parcerias de varejo.

Segundo Alli, ela rejeitou “todos os grandes varejistas de beleza” por um motivo. “Tivemos que tomar a difícil decisão de dizer não, mas a Stratia está posicionada para combater uma série de modismos no mercado de beleza. Este movimento de beleza limpa e sem produtos químicos tem um estilo de marketing que não é autêntico para a ciência e a transparência radical dos ingredientes.” Por causa disso, ela teme que uma marca como a Stratia, que promove ciência e ingredientes químicos, se perca em um varejista de massa.

Alli também se queixa sobre toda a agitação relacionada aos produtos a base de plantas do setor. Embora a UE esteja na vanguarda no que diz respeito ao policiamento do impacto ambiental da beleza, ela diz que ainda há muito que o consumidor precisa aprender. A empresária cita a ascensão dos óleos essenciais como exemplo. “Uma garrafa de óleo essencial, por exemplo, pode consumir uma plantação inteira e prejudicar o meio ambiente. Enquanto isso, existem muitos ingredientes sintéticos que são mais ecológicos porque são subprodutos naturais de um processo contido.”

Ela diz que difamar o uso de parabenos é reduzir os cuidados eficazes com a pele. “A ideia de beleza limpa é algo que discordo. Usamos parabenos porque há muitas pesquisas provando que eles são seguros. Não há absolutamente nenhuma base científica para não usar parabenos. Eles são mais seguros e menos irritantes do que outros conservantes. Se estivéssemos na Sephora, não receberíamos aquela marca de seleção limpa da rede”, afirma.

Embora suas conclusões sobre o uso de parabenos, formaldeído e chumbo vão contra a natureza do que a indústria em geral defende, Alli engajou seguidores orgânicos entre aqueles que se inclinam mais em seu processo científico do que no movimento de beleza limpa.

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A empresária espera que as vendas acelerem e continuem a dobrar nos próximos anos, à medida que ela aumenta o marketing de mídia social e planeja finalmente entrar no varejo “de forma estratégica”.

“Existem outras marcas, como The Ordinary, abrindo caminho para aqueles que desejam investir em skincare baseado em ciência. Então, há alguns varejistas em que estou de olho”, afirma.

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