Como é jantar no Peak, o prédio mais alto de Nova York

Comandado pelo chef Christopher Cryer, o restaurante reúne uma vista incrível da cidade e um menu suntuoso

John Mariani
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Divulgação/Peak
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Vista do Peak de Nova York, a 350 metros de altura

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Somente quem jantou no Windows on the World, no World Trade Center de Nova York, no Signature Room, em Chicago, ou em restaurantes altíssimos nas capitais asiáticas e em Dubai reconhecerá que o Peak, inaugurado quatro dias antes do lockdown da Covid, é tão extraordinário quanto qualquer outro.

Em termos de altura, com 350 metros, leva o prêmio de mais alto de todos, algo que muda ano a ano. E, como Peak tem vista para a totalidade de Nova York — com um panorama que inclui o Empire State Building, os rios East e Hudson e, ao longe, a Estátua da Liberdade —, não há paisagem melhor do que essa. Os pedidos de casamento são um evento diário.

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Acrescente a isso um menu luxuoso e criativo de Christopher Cryer e uma lista de vinhos de classe mundial e você tem um pacote completo que ninguém, turista ou gourmand, poderia descartar como um mero espetáculo.

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O Bar do Peak tem mais de 200 tipos de bebidas e coquetéis especiais

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Uma grande ressalva é que Peak está localizado dentro do labirinto mais grotesco da cidade, Hudson Yards, que não é apenas uma vitrine para butiques internacionais caras geralmente vazias de clientes, mas de uma série de escadas rolantes e elevadores tirados de uma obra de Piranesi (incluindo o elevador expresso que leva você ao Peak). Até mesmo encontrar o restaurante pode se tornar um trabalho árduo de vinte minutos, incluindo pedir ajuda para saber direção certa. Muitos donos de restaurantes famosos se arrependeram de entrar nesse espaço desanimador por falta de negócios. Hudson Yards pertence a Macau, não a Manhattan. Para quem vem de carro, o estacionamento nas ruas próximas é inexistente e os estacionamentos são caros; também não há estação de metrô.

Dito isto, Peak vale o esforço, e aparentemente é assim sete dias por semana para aqueles que visitam para ter a vista do terraço The Edge, um andar abaixo, ou o bar elegante que serve mais de 200 bebidas. Desenvolvido pelo grupo RHC e projetado por David Rockwell, os tetos altos e as janelas envolventes não tentam competir com a vista. A decoração é bastante simples, com um teto de metal, embora seja muito cinza no geral. Mas, de alguma forma, Rockwell (que projetou alguns restaurantes muito barulhentos para Danny Meyer) conseguiu permitir conversas à mesa em um nível normal. A música toca ao fundo, mas parece ficar mais alta às 21h.

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Horizonte do Peak inclui o Empire State Building e os rios East e Hudson

Cryer tem carta branca para comprar os melhores ingredientes, de frangos Amish a cordeiro do Colorado, assim como o diretor de bebidas Zack Kameron, que possui uma carta de vinhos de 1.100 rótulos com muitos formatos e muitos prêmios (o DRC custa US$ 17.500). Mas, infelizmente, há poucas garrafas abaixo de US$ 100 em uma mesa que certamente deveria ser mais proletária. É de se perguntar por que a lista precisa de dezenas de vinhos espumantes, com um delicioso carrinho de champanhe, e quem realmente pediria o 15º Meursault da lista ou qualquer um dos dois Syrahs da Califórnia de US$ 499.

Depois de proferir nossos “oohs” e “ahs” sobre a paisagem urbana e os canais abaixo de nós, nossa mesa de quatro achou o menu inesperadamente, mas admiravelmente, curto, com uma seção de frutos do mar, nove aperitivos e oito pratos principais.

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O chef mandou um amuse bouche de crocantes de duxelle de cogumelos e cheddar do vale do Hudson cobertos com uma pitada de trufas australianas. Também do Vale veio um cremoso e fresco foie gras (US$ 30) com geleia feita de Château Suduiraut 2002 – que sai por US$ 240 a garrafa na carta de vinhos.

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O foie gras é servido com uma geleia de Sauternes

Um prato bem farto e generoso é o ballotine de porco (US$ 29) com bacon caramelizado, linguiça nduja e damascos maduros. O mesmo vale para as costelas (US$ 34) com geléia de carne, cogumelos morel de verão e pão de aveia, o que daria uma entrada satisfatória.

As vieiras do Atlântico (US$ 35) eram suntuosamente gordas e doces, mas, em um único passo em falso, Cryer as cobre com terríveis ovas de peixe da Califórnia indignas do nome caviar, comprometendo o sabor sutil, mas rico dos moluscos. O atum-amarelo (US$ 29) com melão era refrescante e tinha um pouco de pimenta. Para os vegetarianos, há um prato de cenoura fria com ricota e tangerina (US$ 21).

Para os pratos principais, o frango Amish fica com muito sabor depois de ser salgado, seco, recheado com pão ralado, manteiga e limão em conserva, envolto por uma marinada de iogurte e depois assado, para ser servido com spaetzle de alho-poró, legumes em conserva e a coxa de frango crocante, tudo junto com um molho de carne.

Cenouras bem cozidas aparecem com uma quantidade admirável de lagosta (US$ 59): a cauda é escaldada e coberta com uma emulsão de laranja, caldo de lagosta e manteiga, enquanto a carne da garra e os nós dos dedos entram em uma salada no prato. As cascas de lagosta são utilizadas para um ótimo curry asiático de coco.

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A lagosta é enriquecida com uma manteiga doce e picante de laranja

O cordeiro, criado em pequenas fazendas, tem uma textura macia, com um toque de defumação na carne da barriga, com alho-poró, tâmaras e nozes adoçando a carne (US$ 53). Nada particularmente incrível sobre o filé mignon (170 gramas por incríveis US$ 69), com cogumelos, brócolis, espinafre e um rico bordelaise de medula óssea.

A comida de Cryer é certamente suntuosa, embora retirar um item de alguns dos pratos exagerados não faria mal – provavelmente ajudaria.

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No entanto, não há necessidade de cortar nada das sobremesas do chef confeiteiro Jeff Wurtz, que começam com um simples sorvete de yuzu, seguido das opções de morangos com granola crocante de amêndoa, sorvete de iogurte e suco de morango (US$ 20) e cerejas com crumble de pistache siciliano, geléia e granita de cereja e gelato de pistache (US$ 17). Camada após camada de sabores e texturas distinguem o extravagante sablé de chocolate, com mousse de caramelo de chocolate ao leite, cobertura de caramelo, crémeux de chocolate, sal marinho e sorvete de malte (US$ 17), mas o momento do show acontece com o “The Egg”, cuja casca açucarada quebra para revelar coalhada de amora, biscoito de açúcar, mousse de crème fraȋche, geleia de limão e mirtilo (US$ 18).

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Sobremesa “The Egg”, que imita um ovo

Petit fours, chocolate amargo com framboesa e um macaron de avelã terminam o banquete.

Ao nosso lado, em uma mesa de canto privilegiada, havia um cavalheiro ajoelhado para apresentar um anel de noivado a uma mulher que se emocionava, com uma sala de espectadores aplaudindo. Peak é feito para esses momentos e para quem celebra qualquer coisa. Mas, para aqueles que também apreciam uma refeição soberba, bem, isso também acontece.

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