
A possibilidade de trabalhar de casa – ou de qualquer lugar do mundo – continua atraindo os profissionais. Em 2025, os brasileiros registraram o segundo maior pico de buscas por home office desde o início da pandemia. Segundo um novo relatório do Google Trends, janeiro de 2025 foi o mês com mais pesquisas na plataforma sobre trabalho remoto no Brasil desde março de 2020, quando o tema alcançou seu recorde histórico.
Outros estudos confirmam a alta demanda pelo home office por parte dos profissionais. No Brasil, uma pesquisa de 2024 da Deel, plataforma de contratação global, aponta que 54% das pessoas que trabalham presencialmente gostariam de migrar para o modelo híbrido ou remoto. “Candidatos buscam o trabalho remoto porque isso facilita a logística. Quem pega horas de trânsito, quando trabalha de casa, ganha tempo e uma maior comodidade”, explica Stephano Dedini, diretor-executivo da consultoria Michael Page.
É o fim do home office?
Embora os profissionais valorizem a flexibilidade de trabalhar de casa e eliminar o tempo de deslocamento, uma semana inteira de home office está se tornando cada vez menos comum. Grandes empresas, como Amazon, Dell, Goldman Sachs e JPMorgan estão exigindo que seus funcionários retornem ao escritório cinco dias por semana. “Há um descasamento de expectativas: enquanto os funcionários valorizam o trabalho remoto, as organizações buscam modelos mais presenciais”, diz Fernanda Mayol, sócia da consultoria McKinsey.
Desde a pandemia, mais de 90% das organizações no Brasil adotaram modelos híbridos, segundo a pesquisa OrgBRtrends, da McKinsey. Atualmente, no entanto, 51% das organizações operam presencialmente, enquanto 45% adotam o formato híbrido, de acordo com um levantamento realizado pela Deel com a empresa de pesquisa Opinion Box.
Em agosto de 2023, um relatório do LinkedIn já apontava a queda nas oportunidades em modelo home office, mostrando uma tendência de redução dessas vagas. “A maioria das empresas vai reduzir essa prática a algo esporádico – um dia por semana em casa ou concessões limitadas pelos gestores”, analisa Sylvia Hartmann, CEO e fundadora da Remota, startup especializada em trabalho híbrido e remoto.
Remoto vs presencial
Uma pesquisa de 2024, realizada pela FIA Business School e pela Faculdade de Economia e Administração da USP, entrevistou mais de 1.300 profissionais de diversos setores e revelou que 94% deles acreditam que o home office melhorou suas vidas.
Do outro lado da mesa, executivos de grandes empresas – como o bilionário Elon Musk e os CEOs do JPMorgan, Jamie Dimon, e da AWS, Matt Garman – defendem o fim do trabalho remoto, alegando que o modelo compromete a colaboração e a inovação.
Garman, que lidera o braço de computação em nuvem da Amazon, defendeu a política de retorno ao presencial da companhia, afirmando que aqueles que não concordassem poderiam procurar outra empresa para trabalhar. “Quando queremos realmente inovar em produtos interessantes, eu ainda não vi a capacidade de fazer isso sem estarmos presencialmente.”
O estudo da FIA aponta que a qualidade do trabalho e a produtividade no home office foram consideradas iguais ou superiores às métricas no trabalho presencial para 88% e 91% dos participantes, respectivamente.
O debate sobre o melhor formato de trabalho – remoto, híbrido ou presencial – continua em aberto. Segundo Hartmann, a definição ainda pode levar algum tempo. “O mercado está avançando para direções mais claras. Nos próximos dois a três anos, veremos empresas consolidadas em modelos totalmente remotos ou totalmente presenciais.”