Conheça as empresas que têm liderado a revolução do home office

Reprodução/Forbes
Reprodução/Forbes

Jack Dorsey, CEO do Twitter e da Square

O fim de semana do Memorial Day é o começo não oficial do verão nos EUA e também o possível ponto de virada para o início da reabertura da economia no país.

Nos últimos meses, foi recomendado por autoridades locais, estaduais e governamentais que as pessoas ficassem em casa e empresas não essenciais parassem as operações. Você provavelmente notou uma tendência emergente nas mídias sociais de pessoas que procuram retornar a algum tipo de normalidade.

VEJA MAIS: Zuckerberg diz que Facebook adotará trabalho remoto permanente

Nos EUA, estados menos impactados reabriram e os mais atingidos pela pandemia da Covid-19 têm pensado em aliviar algumas das restrições. Nesta semana, Anthony Fauci disse que manter a economia fechada por muito tempo pode causar “danos irreparáveis”.

Assumindo a liderança, alguns respeitados CEOs de tecnologia começaram a tomar decisões difíceis. Pesando as opções, vários executivos de alto escalão optaram por continuar permitindo que seus funcionários trabalhassem em casa. Como resultado, agora estamos vendo a tendência do home office decolar.

Jack Dorsey, o CEO do Twitter e da Square, informou a seus funcionários de ambas as empresas que eles poderiam continuar atuando no ambiente doméstico “para sempre”. Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, fez seu próprio anúncio de que seus colaboradores também poderiam adotar o sistema, embora houvesse um aviso sombrio subjacente. É possível que as pessoas que saem de São Francisco para um local de custo mais baixo sofram um corte salarial proporcional ao valor apropriado para sua nova casa.

Uma pesquisa recente da Gallup revelou: “Agora que alguns desses funcionários podem voltar ao local de trabalho, parece que apenas um quarto está emocionalmente pronto. Outro quarto está relutante em retornar, especificamente devido a preocupações de contrair a Covid-19, e metade tem uma preferência pessoal por atuar remotamente.”

Kate Lister, presidente da Global Workplace Analytics, disse: “Uma parcela de 67% da força de trabalho diz que quer continuar no home office, pelo menos semanalmente, quando a pandemia terminar. De 25% a 30% dos profissionais trabalharão em casa vários dias por semana até o final de 202”.

O consenso aponta que a ampla disponibilidade e a facilidade de uso de tecnologias para colaborar e manter contato constante, como Zoom, Slack, Google Hangouts e outros serviços, permitiram que as pessoas se adaptassem facilmente à nova configuração do trabalho remoto.

VEJA TAMBÉM: Estressados, menos criativos e produtivos: o impacto do trabalho remoto para os brasileiros

Os profissionais apreciaram a chance de evitar longas viagens, cuidar de seus filhos ​​(com as escolas fechadas) e dos membros da família que podem ter sido afetados pelo vírus. Os executivos perceberam a potencial economia de custos, pois os contratos de longo prazo caros para escritórios podem não ser mais necessários.

Os executivos das empresas estão cientes de que seus funcionários gostam da chance de trabalhar em casa, são capazes de fazer sua parte em ajudar o meio ambiente (à medida que menos pessoas dirigem ou levam ônibus de e para o escritório) e seus custos imobiliários caem vertiginosamente ( porque menos pessoas estarão trabalhando no escritório).

Shopify, Coinbase, Upwork, Lambda Schools e outros também permitiram que seus funcionários trabalhassem em casa.

A Shopify é uma organização global de rápido crescimento, sediada no Canadá, que oferece uma plataforma de comércio eletrônico para lojas online e sistemas de pontos de venda de varejo. A companhia possui mais de um milhão de empresas em cerca de 175 países, com um volume total bruto de mercadorias superior a US$ 41,1 bilhões.

O CEO e fundador, Tobi Lutke, tuitou: “Atualmente, a Shopify é uma empresa digital padrão. Manteremos nossos escritórios fechados até 2021 a fim de que possamos reformulá-los para essa nova realidade. Depois disso, a maioria dos funcionários trabalhará de forma remota permanentemente. O foco no escritório acabou”. Lutke acrescentou: “Até recentemente, o trabalho acontecia nesses ambientes corporativos. Sempre tivemos alguns colaboradores em home-office, mas eles usavam a internet como uma ponte para o escritório. Isso irá se reverter agora. O futuro desses locais é atuar como uma rampa para o mesmo espaço de atuação digital que se pode acessar a partir da configuração em casa”.

Os críticos da tendência desse sistema profissional sustentam que as empresas perderão sua identidade e cultura. Os funcionários, principalmente os mais jovens, sentirão falta de interações sociais. Parte da socialização no trabalho é ver os colegas, sair para almoçar juntos ou tomar uma bebida depois do expediente Isso não existirá no novo ambiente remoto.

Reconhecendo o desafio, Lutke disse em um tuíte: “Ainda não descobrimos toda a nova dinâmica. Há muitas mudanças pela frente, mas é nisso que somos bons. ‘Prosperar com a mudança’ está escrito em nossas paredes (agora digitais) por uma razão”.

E AINDA: Trabalho remoto, transformação digital, futuro das startups & varejo

Hayden Brown, CEO da Upwork, uma plataforma global de freelancers, disse em um tuíte: “Com base em nossos 20 anos de experiência como uma empresa de home office, agora estamos adotando permanentemente um modelo de ‘remoto em primeiro lugar’. No futuro, trabalhar remotamente será o padrão para todos, e as equipes também poderão se reunir –quando for seguro– para colaboração e socialização intencionais. O #futurodotrabalho está aqui”.

O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, anunciou no dia 20 de maio que sua casa de câmbio digital, com sede em São Francisco, está “adotando uma política de trabalho remoto em primeiro lugar em resposta à Covid-19, o que significa que a maioria dos funcionários terá a opção de atuar em casa”. Armstrong falou que está trabalhando para que o futuro pareça diferente, à luz da pandemia de coronavírus. “Nos últimos dois meses, acreditei que não apenas o trabalho remoto chegou para ficar, mas representa uma enorme oportunidade e vantagem estratégica para nós.”

Armstrong relatou que os funcionários ainda poderão trabalhar em um escritório, mas agora terão a opção de atuar remotamente ou dividir seu tempo entre o expediente dentro e fora do ambiente corporativo.

Este tema foi ecoado por Jack Dorsey também. Entendendo que nem todo mundo queira adotar o novo sistema e os funcionários possam desejar interromper sua programação semanal, também haverá a opção de um escritório virtual. Essa parece uma abordagem razoável para permitir interações entre trabalhadores e criar redes sociais e amizades dentro da organização.

Austen Allred, CEO da Lambda School, uma sala de aula online que usa tecnologia interativa para ensinar às pessoas as habilidades tecnológicas necessárias a fim de iniciar uma nova carreira, disse que a escola adotou uma política permanente de “trabalho em qualquer lugar”. Allred tuitou que os funcionários são livres para trabalhar em casa, em um escritório ou em outros espaços dentro dos Estados Unidos.

Google, Microsoft, Morgan Stanley, JP Morgan, Capital One, Zillow, Slack, Amazon, PayPal, Salesforce e outras grandes empresas ampliaram suas opções de home office, de acordo com a maior organização de recursos humanos, SHRM e outras fontes.

VEJA MAIS: 4 hábitos que podem fazer seu chefe desconfiar do seu profissionalismo no home office

A Apple é uma gigante da tecnologia que está contrariando essa tendência. A empresa, de acordo com o “Business Insider”, solicitou que alguns funcionários voltassem ao trabalho. A organização é conhecida por sua cultura única e priorização do sigilo, o que pode explicar a hesitação em adotar totalmente o trabalho remoto.

Existem outras companhias que estão no meio do caminho. Aaron Levie, CEO da Box, um serviço de gerenciamento de conteúdo em nuvem e compartilhamento de arquivos para empresas, escreveu em um post no blog: “Hoje, estamos empolgados em compartilhar que temos dado mais passos para permitir um local de trabalho digital unificado, com maior flexibilidade de atuação para os pugilistas. Como parte disso, anunciamos que todos os Boxers podem trabalhar em qualquer lugar até o final do ano, proporcionando maior liberdade e tranquilidade para nossos quase 2.000 funcionários em todo o mundo”.

Da mesma forma que a Apple, Levie também reconhece: “Ao mesmo tempo, sabemos o poder de ter centros de escritórios onde comunidades, orientação, networking e criatividade podem acontecer. É por isso que nosso futuro é híbrido”.

Essa tendência está ganhando força e provavelmente se tornará a nova norma pós-Covid-19.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Inscreva-se no Canal Forbes Pitch, no Telegram, para saber tudo sobre empreendedorismo: .

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).