Por dentro do primeiro resort plant-based de luxo do México

O Palmaïa The House of AïA promete ser uma grande experiência de veganismo, bem-estar e crescimento pessoal no meio do Caribe.

Giovanna Simonetti
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O Palmaïa The House of AïA promete ser uma grande experiência plant-based, de bem-estar, aprendizado e crescimento pessoal no meio do Caribe

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Nos últimos seis anos, a palavra “veganismo” registrou um aumento de 580% nas buscas do Google e, só no final de 2019, o termo “plant-based”, que faz referência às dietas com o mínimo, ou absolutamente nada, de origem animal, teve cinco vezes mais pesquisas na plataforma do que as menções relacionadas a “vegetariano” e “cruelty-free” juntas, segundo levantamento feito pelo veículo suíço “Wtvox”. 

Para além de um modismo, o movimento que começou anos atrás vem se provando uma tendência irreversível: o setor alimentício plant-based foi estimado em US$ 35,6 bilhões no ano passado, de acordo com a empresa de inteligência de mercado Imarc. A expectativa é que esse volume chegue a mais de US$ 74 bilhões até 2027, uma taxa de crescimento anual de quase 12%, de acordo com previsões da instituição de pesquisas financeiras Research and Markets.  

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A expansão do plant-based e do veganismo – que hoje já contam com mais de 79 milhões de adeptos no mundo todo (sem contar os eventuais simpatizantes), segundo cálculos da Wtvox – fez esses conceitos extrapolarem a alimentação e serem cunhados como verdadeiros estilos de vida, que impactam setores como o de beleza, bem-estar, moda e turismo

Este último, em particular, tem sido cada vez mais impactado pelo lifestyle, com hotéis, restaurantes, tours e até pacotes de viagem personalizados com foco em programas que excluem qualquer coisa de origem animal. A tendência passou até a ser uma questão de sobrevivência em um setor em crise no pós-Covid: ser capaz de atender às demandas de um grupo de consumidores com cada vez mais consciência ambiental, ecológica e alimentar.

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Quem percebeu isso anos atrás foi o espanhol Alex Ferri, cuja família é proprietária da rede de hotelaria de luxo Sandos Hotels & Resorts. Desde cedo interessado em soluções sustentáveis, Ferri assumiu o controle de um dos empreendimentos no México, o Sandos Caracol, e o transformou no primeiro resort do mundo a eliminar o uso de garrafas de plástico, há oito anos.  

Alex Ferri/Reprodução
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Alex Ferri, o visionário e fundador do Palmaïa The House of AïA

Mas foi só recentemente que o espanhol conseguiu viabilizar um hotel voltado ao bem-estar totalmente alinhado à sua filosofia de vida. Foi assim que nasceu o Palmaïa The House of AïA, mais um empreendimento pioneiro de Ferri no México, desta vez por ser o primeiro resort de luxo plant-based do país.

Inaugurado em janeiro de 2020 na região de Playa del Carmen, o Palmaïa tem como missão ser um refúgio de crescimento pessoal, relaxamento e conscientização ambiental e holística. Com diárias que começam em US$ 900 para duas pessoas, o empreendimento possui, ao todo, 234 suítes à beira-mar cercadas pela natureza caribenha, um spa na selva, um extenso programa de wellness e alta gastronomia que explora o melhor que os vegetais podem oferecer.

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Em pleno Caribe, o Palmaïa busca ser um santuário na natureza mexicana

A GASTRONOMIA

Adepto da dieta plant-based há mais de 13 anos, Ferri decidiu estender o seu estilo de vida ao novo resort e mostrar aos hóspedes que uma alimentação à base de vegetais pode ser viável, saudável, apetitosa e gourmet. Quatro restaurantes comandados pelo chef executivo Eugenio Villafaña (que, além de dominar técnicas da culinária vegana, compartilha dos mesmos princípios de Ferri) formam o complexo gastronômico vegano de alto nível do Palmaïa, cada um com uma especialidade: cozinha mexicana, mediterrânea, asiática e internacional.

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A criatividade e o desabrochar de novas experiências é o foco da gastronomia do resort – e o resultado tem sido um sucesso, de acordo com o idealizador. “A maioria dos estabelecimentos têm menus parecidos, especialmente em grandes restaurantes e hotéis de rede. Aqui, conseguimos criar um cardápio e um conceito de comida diferente, o que significa que os hóspedes estão descobrindo sabores e texturas que nunca haviam provado  antes. É quase como uma comida totalmente nova, mas com ingredientes que sempre usamos – e, além de tudo, saudável”, conta à Forbes.

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A gastronomia a base de plantas é um dos maiores pilares do Alex Ferri, o visionário e fundador do Palmaïa, inspirados na vida do seu fundador

Entre as opções gourmet do resort, Ferri destaca a gastronomia asiática, tradicionalmente conhecida pelos frutos do mar. Mas não no Palmaïa: lá, peixes, camarões, ovas de ouriços e outros tipos de ingredientes animais são substituídos de forma criativa por vegetais, legumes e frutas. “Acabamos de lançar um novo menu com inspiração no continente, com muitos niguiris plant-based, por exemplo, e posso dizer que estamos ficando cada vez melhores em replicar estes pratos típicos em versões de origem vegetal”, afirma o fundador do resort.

Na lista de pratos disponíveis, um dos mais inusitados e exóticos é o Poke de Melancia, no qual a fruta marinada (que passa por um processo de desidratação de 36 horas) substitui o tradicional peixe. “Quando você prova, tem um sabor parecido com atum”, conta Ferri.

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O Poke de Melancia do Palmaïa é um dos exemplos mais criativos de substituição da carne (no caso, o atum) por um ingrediente de origem vegetal

Apesar de sua filosofia plant-based, o espanhol entende que nem todos os seus hóspedes são 100% veganos e, por isso, oferece algumas opções de origem animal. “Nós temos que respeitar as pessoas que ainda estão começando a sua jornada de saúde e não têm dietas totalmente vegetais. Eu quero que elas venham até aqui, experimentem as versões com e sem carne e decidam por elas mesmas qual será a sua trajetória”, ele diz.

De qualquer forma, mesmo os pratos com carne tentam ser o mais saudável e sustentável possível – muito mais do que em um restaurante convencional, de acordo com seu fundador. Nesses casos, os bifes e frutos do mar são os únicos ingredientes de origem animal, e todo o resto dos acompanhamentos é vegano: o purê de batata é feito com óleo de coco (em vez de leite) e os molhos têm uma redução de cogumelos como base (e não da carne), por exemplo. 

“Muitos não-veganos e vegetarianos chegam aqui achando que só vão pedir os pratos com carne e peixe, mas quando vêem, estão comendo pelo menos 50% plant-based – e adorando! Para mim, é algo muito bonito. Se eu conseguir ensinar alguém a fazer uma refeição de origem vegetal a mais do que ela normalmente faria, já é uma vitória pra todo mundo: pra ela, que fica mais saudável, e para o planeta, que tem menos um animal sendo morto”, assegura Ferri. 

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A ORIGEM DOS ALIMENTOS

Uma das partes mais complicadas de gerenciar um empreendimento plant-based, segundo o espanhol, é encontrar ingredientes sustentáveis e de boa qualidade. No caso do resort, que não tem uma produção própria, Ferri tenta comprar o máximo possível de alimentos orgânicos no México. “Provavelmente somos um dos únicos, ou o único, hotel do país a adquirir tantos vegetais, frutas e legumes orgânicos”, aposta.

Com a dificuldade logística que envolve essa cadeia de alimentos, um dos planos ainda para este ano é apoiar uma comunidade maia a menos de 1h30 de distância do Palmaïa. Além de levar os hóspedes até o local para viver de perto uma experiência autenticamente mexicana, Ferri planeja fornecer a infraestrutura necessária para o grupo plantar e colher a maior quantidade possível de alimento localmente. Tudo o que comunidade plantar será comprado pelo resort, resolvendo o seu problema de fornecimento ao mesmo tempo que a ajuda a ter mais autonomia financeira.

JORNADA DE CRESCIMENTO PESSOAL E BEM-ESTAR

Para acompanhar a gastronomia saudável, outro grande foco do Palmaïa é a parte de wellness – já que o fundador entende que saúde engloba não apenas o corpo e a alimentação, mas também a mente e a alma. Em suas experiências anteriores de gestão, ele percebeu que uma forma de fazer as pessoas terem mais consciência ambiental é primeiro estimulá-las a entrar em um caminho de autoconhecimento, conexão e reflexão pessoal.

Para isso, Ferri e sua equipe idealizaram o “Arquitetos da Vida”, um programa holístico exclusivo que conta com mais 20 aulas semanais e rituais de bem-estar. Entre as atividades, estão práticas de yoga, mandalas, observação do sol e astrologia, banhos de gongo (uma espécie de prática relaxante ao som das vibrações do antigo instrumento musical), rituais de plantas antigas, tai chi e meditação espiritual – tudo sob cuidado de curandeiros e do guia de crescimento pessoal elaborado pelo resort.

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Além da gastronomia, o Palmaïa promove uma série de atividades e rituais de autoconhecimento e bem-estar, com a ajuda de guias especializados

“As pessoas acham que wellness é ir para um retiro de silêncio ou um spa cheio de dietas restritivas para perder peso. O que quero fazer é um programa de bem-estar progressivo, para mostrar que é possível ser saudável sem ter que sacrificar sabores e texturas deliciosas, e ainda ser responsável pelas suas próprias decisões e saúde. Queremos combinar diferentes fatores para deixar nossos hóspedes relaxados, satisfeitos e despertos quanto às questões de saúde e da vida”, diz Ferri. 

Até as crianças estão incluídas nesta jornada de bem-estar: o Palmaïa opera o único programa holístico de atividades infantis administrado por Educadores Waldorf certificados no México, com programas de desenvolvimento emocional, físico e espiritual de acordo com cada faixa etária. 

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OUTRAS PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS

A preocupação com o meio ambiente vai muito além da alimentação no Palmaïa. Entre as outras iniciativas de sustentabilidade do resort, estão o uso mínimo de plástico em suas dependências. Além de nenhuma garrafa feita com o material, os quartos e banheiros são equipados com amenidades orgânicas, biodegradáveis, veganas e sem crueldade animal, todas de produtores locais.  

O estabelecimento também tenta ser um dos primeiros resorts do mundo com energia neutra em carbono, usando 50% menos do recurso do que um resort convencional de tamanho médio. No começo de junho, Ferri assinou um contrato com uma empresa de energia renovável que fará o Palmaïa ter, até o final do ano, 100% de sua fonte energética limpa. Além disso, mais de 4.000 painéis solares estão sendo instalados para criar o máximo de energia possível localmente. 

“Eu não quero que as pessoas venham nos visitar apenas porque somos um resort luxuoso de praia e de alta gastronomia, e sim por estarem procurando por novos jeitos mais saudáveis de viver. Essas são as pessoas que podemos ajudar. Quanto mais curiosidade por saúde e sustentabilidade você tem, mais este hotel servirá a você”, conclui. 

Veja, na galeria de fotos abaixo, mais detalhes do Palmaïa The House of AïA:

  • O Palmaïa The House of AïA está localizado na Playa Del Carmen, na Riviera Maia

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  • O resort foi inagurado em janeiro de 2020

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  • São, ao todo, 234 suítes beira-mar

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  • Algumas das suítes chegam até a ter piscinas privativas

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  • As diárias partem de U$ 900 para duas pessoas

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  • No total, são quatro restaurantes de alta gastronomia, cada qual com sua especialidade

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  • Clássicos italianos são alguns dos pratos recriados em versões plant-based pelos chefes do resort

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  • Um dos focos do Palmaïa é mostrar novos sabores e texturas – e como comidas a base de vegetais e frutas podem ser ao mesmo tempo saudáveis e deliciosas

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  • As gastronomias asiática e mexicana também têm restaurantes próprios no resort

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  • O objetivo do resort é unir o luxo, relaxamento, saúde, consciência ambiental e autoconhecimento

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  • O resort ainda conta com um spa no meio da selva mexicana, o Atlantis

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O Palmaïa The House of AïA está localizado na Playa Del Carmen, na Riviera Maia

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