50 Over 50 2026
Seleção anual da Forbes exalta personagens com histórias de reinvenção e sucesso; veja os destaques em 10 categorias
50 Over 50 2026
Seleção anual da Forbes exalta personagens com histórias de reinvenção e sucesso; veja os destaques em 10 categorias
Há duas maneiras de enxergar esta lista. A primeira é que ela celebra a constância, o aprimoramento, a persistência de gente que se mantém ativa e produtiva, muitas vezes com um olhar mais maduro e refinado. A segunda é que ela exalta a renovação, a transformação, a vitalidade de um segundo ato na vida. Entre os nossos 51 exemplos (incluímos este ano uma dupla que habita o imaginário brasileiro como uma única entidade), há casos dos dois tipos.
Alcione está aí pelos seus 50 anos – de carreira! – brilhando com sua voz e seu humor; Alexandre Bettamio se mantém na mesma trilha do investment banking, com crescente sucesso; Fernando Maluf segue na missão de lutar contra o câncer. Eraí Maggi Scheffer continua produzindo no campo – só que mais.
No time da reviravolta, há exemplos como Tânia Maria, a artesã e costureira que, aos 78 anos, desfruta de uma recente carreira de atriz. Ou Márcia Fernandes, que faliu aos 48 e se reinventou como Márcia Sensitiva. Ou Dani Godoy, que se transformou fazendo conteúdo de beleza para mulheres mais velhas.
Há ainda um caminho que é, ao mesmo tempo, continuidade e transformação, como Patricia Medrado, que aos 69 ainda disputa torneios de tênis e também de pickleball, e outros esportistas que se mantêm na ativa com instituições de incentivo ao esporte.
Talvez o mais acertado, portanto, seja dizer que a nossa lista de pessoas de sucesso nascidas a partir de 1976, divididas em 10 categorias – do agro aos influenciadores, passando por arquitetura, ciências, esportes e cinema –, apresenta trajetórias ímpares que não se encaixam em um único molde. Mas que, com certeza, têm algo em comum (e incomum): um extraordinário talento, que se recusa a aceitar prazo de validade.
Veja os destaques das 10 categorias:
AGRO

Eraí Maggi Scheffer chegou ao norte de Mato Grosso em 1982 sem terra, sem máquinas e sem capital. Saiu do Paraná em cima de um caminhão, com os irmãos Fernando e Elusmar e um grupo de jovens da mesma cidade, carregando conhecimento de lavoura e disposição para arrendar terras.
Hoje, 43 anos depois, a Bom Futuro opera mais de 770 mil hectares cultivados, concentrados em soja, milho e algodão, mais a produção de sementes, 12 hidrelétricas para a produção de 1,9 milhão de MWh de energia e até um aeroporto executivo que ele construiu em Cuiabá, com investimento da ordem de R$ 100 milhões.
A Bom Futuro também tem o maior projeto de integração lavoura-pecuária do Brasil, com um rebanho de mais de 160 mil bovinos rastreados. São cerca de 40 fazendas e uma receita não divulgada, mas estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões anuais.
No dia 23 de setembro, Eraí completa 68 anos e não demonstra nenhuma intenção de parar.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Débora Milori, 60
Débora Marcondes Bastos Pereira Milori ajudou a levar a física para o campo. Pesquisadora da Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), transformou a agrofotônica – área que aplica luz, lasers e sensores avançados à agricultura – em uma das mais promissoras frentes da inovação agropecuária brasileira. Hoje, a unidade é uma das referências mundiais na área. Física de formação, Débora ingressou na Embrapa em 2001 e viu na agricultura um universo de possibilidades para tecnologias que até então estavam restritas aos laboratórios. “Quando vim para cá, não tinha nada de fotônica no agro”, recorda. Duas décadas depois, liderou a consolidação do Laboratório Nacional de Agrofotônica e participou do desenvolvimento de tecnologias que saíram da pesquisa para o mercado, permitindo análises de solo mais rápidas, precisas e sustentáveis.
Luis Felli, 60
Luis Felli divide a vida entre salas de reunião globais e o campo. Head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da AGCO Corporation, grupo norte-americano presente em mais de 140 países e dono também das marcas Fendt, Valtra e PTx, Fellli passa cerca de 30% do tempo fora do Brasil coordenando operações, engenharia e estratégias para diferentes mercados. Ao mesmo tempo, mantém os pés na terra como produtor rural: cultiva cerca de 15 mil hectares na região de Balsas (MA). A experiência prática ajuda a moldar sua visão de negócios e inovação. “O recurso de que a gente não abre mão é a inovação”, afirma. “Hoje o estado da arte na engenharia é ganhar eficiência com inteligência artificial e fazer muito mais com o mesmo dinheiro.” Sob sua liderança, a companhia acelera investimentos em engenharia, IA e agricultura conectada.
João Martins, 85
Aos 85 anos, João Martins da Silva Júnior segue entre os nomes mais influentes da representação do agronegócio brasileiro. Pecuarista baiano e administrador formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou sua trajetória na atividade rural ainda jovem, na propriedade da família. Ao longo de mais de cinco décadas, dividiu sua atuação entre a produção agropecuária e o fortalecimento das entidades do setor. Presidiu a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) por quase 20 anos e está à frente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) desde 2015, cargo para o qual foi reeleito para o mandato 2025-2029. Defensor da capacitação dos produtores e da modernização da atividade rural, tornou-se uma referência na articulação entre o campo e as políticas públicas voltadas do setor.
Ma Antonieta Guazzelli, 62
Maria Antonieta Guazzelli construiu uma das trajetórias mais singulares do agro brasileiro. Após uma carreira na área de tecnologia e processos em São Paulo, assumiu aos 39 anos a gestão familiar da Agropecuária Rex, em Boa Esperança (MG), em um ambiente no qual poucos acreditavam que ela conseguiria prosperar. “Tinha até um bolão de apostas na cidade sobre quanto tempo a fazenda demoraria para ser colocada à venda”, relembra. Duas décadas depois, transformou a propriedade em referência nacional na produção de leite, café, cereais e florestas. Sob sua liderança, investindo em gestão, genética e bem-estar animal, a produção leiteira saltou de pouco mais de 800 mil litros/ano para 26 milhões de litros em 2026. É a maior fazenda leiteira do Brasil sob o comando de uma mulher, segundo a plataforma Milkpoint.
ARQUITETURA, DESIGN E MODA

Há designers que criam para a estação. Cris Barros cria para durar. Desde que fundou sua marca, em 2002, a estilista paulistana desenvolveu um vocabulário de sofisticação discreta, que o mercado só foi classificar duas décadas depois, com o termo quiet luxury. Não foi antecipação, e sim convicção.
“Nunca pensei a Cris Barros como uma marca que seguiria tendências. Ela nasceu de um olhar particular sobre a beleza que atravessa o tempo.”
Em 2016, vendeu a grife para o grupo Azzas 2154. Poderia ter se diluído no maior conglomerado de moda do país, mas Cris fez o caminho oposto: manteve a liderança criativa da marca e ganhou fôlego para novas apostas.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Paulo Borges, 64
Há 40 anos na moda, Paulo Borges ergueu algo que vai além de um calendário de desfiles. Em 1995, quando o talento nacional não tinha um palco, criou a São Paulo Fashion Week e arquitetou a espinha dorsal de uma indústria que ainda procurava seu lugar. “A primeira década foi para mostrar ao brasileiro o que era moda. A segunda, para mostrar ao mundo que tínhamos criatividade. E a terceira, em que estamos agora, para rever todos os negócios.” Presidente do In Mode (Instituto Nacional de Moda, Design e Economia Criativa), ele é ainda cavaleiro da Ordem das Artes e Letras da França e detentor da Ordem do Mérito Cultural. Lança este ano pela editora Senac um livro sobre como empreender, estreia em outubro o documentário Paulo Borges – Muito Além da Moda e escreve a autobiografia que o documentário, por ora, atropelou.
Domingos Tótora, 65
Um dos designers brasileiros mais reconhecidos internacionalmente, Domingos Tótora compôs sua linguagem a partir do que o mundo descarta. De um ateliê na Serra da Mantiqueira, transformou papelão em arte: triturado, moldado à mão e tingido com pigmentos locais. Virou assinatura. Escolhido pelo Design Museum de Londres entre os melhores do ano e finalista do Loewe Craft Prize, em 2026 esteve na SP-Arte. Aos 65 anos, desenvolve uma série inédita de esculturas e mobiliário. Para ele, o lugar onde cria não é apenas cenário, mas parte do que produz. “Em cada peça existe a impressão digital de quem faz”, afirma. “O que não está em negociação é a autenticidade do processo. Quero continuar criando trabalhos que nasçam de uma relação verdadeira com a matéria, com o tempo e com a vida.”
Humberto Campana, 73
Humberto Campana tem um imenso legado em design, mas, em vez de desacelerar, sua obra tem ficado mais intensa. Em Brotas, onde cresceu, tudo era reaproveitado: latas de goiabada guardavam cereal, água e luz eram economizadas. A cultura de casa se tornou identidade. Em 1984, abriu o Estúdio Campana com o irmão Fernando e criou um universo de materiais descartados, transformados em peças de alto valor. O resultado chegou ao MoMA e ao Centre Pompidou. Quando Fernando morreu, em 2022, sua resposta foi mergulhar na produção. É assim que o honra. Segue à frente do Estúdio e do Instituto Campana e prepara a reabertura do Parque Campana, em Brotas, prevista para janeiro de 2027. “De certa forma, os pavilhões são um reflexo de experiências que vivi em Brotas”, diz. “Quero contaminar as pessoas com delicadeza e beleza.”
Paulo Jacobsen, 71
Cinco décadas de trajetória e um princípio: a natureza não decora, ela define. Foi essa visão que colocou Paulo Jacobsen como nome fundamental da arquitetura tropical brasileira. Fundador do Jacobsen Arquitetura, Paulo desenvolveu uma gramática que virou escola. O Museu de Arte do Rio é o símbolo desse caminho, premiado pelo Architizer A+ Awards na categoria Museus, certificado com o LEED Silver e selecionado para a Bienal de Buenos Aires. Atualmente, o foco é a expansão internacional. Diversos projetos pelo mundo consolidam o alcance da Jacobsen Arquitetura, fruto de uma obra que não conhece fronteiras. “As casas foram nascendo em países diferentes. Só em Miami, hoje, temos seis projetos.” Aos 71 anos e lápis ainda na mão, Jacobsen resume o que diria ao Paulo mais jovem: “Não para, continua.”
ARTES PLÁSTICAS E LITERATURA

Artista visual e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Ayrson Heráclito desenvolve desde os anos 1980 uma pesquisa consistente sobre as matrizes africanas da cultura brasileira. Iniciou a carreira como pintor, mas expandiu sua produção para diferentes linguagens, consolidando-se sobretudo por meio de instalações, performances, fotografias e vídeos.
Ogã (um tipo de sacerdote) da nação Jeje-Mahi, ele vê a arte e o terreiro de candomblé como espaços para o exercício do sagrado. “Penso o fazer artístico como oferenda, e tento levar para os museus e outros espaços uma concepção de arte que não chegue apenas pela visualidade e pela racionalidade, mas que funcione como uma tecnologia de conexão das pessoas às divindades”, diz.
Tem obras em acervos de instituições como o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu Reina Sofía, em Madri, e o Museu Guggenheim, em Nova York, e é um dos poucos a ter performances incorporadas à coleção da Pinacoteca de São Paulo. Sua obra Bori (2008-2022) – inspirada no ritual homônimo realizado nos terreiros de candomblé, na qual realiza oferendas a 12 orixás – foi adquirida pela instituição em 2020.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Ana Maria Gonçalves, 55
Em 2025, a escritora mineira foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na instituição em seus 128 anos de história. Após uma carreira de 15 anos na publicidade, estreou na literatura de forma independente com o romance Ao Lado e à Margem do Que Sentes por Mim (2002). Com Um Defeito de Cor (2006), publicado pela Record, Ana Maria Gonçalves se consolidou como uma das vozes mais relevantes da literatura brasileira. Em 2007, a obra recebeu o prestigioso Prêmio Casa de las Américas, concedido pela organização cubana de mesmo nome, e ganhou novo impulso ao inspirar o enredo da escola de samba Portela no Carnaval de 2024. O reconhecimento ampliou ainda mais o alcance do romance, que retornou às listas de mais vendidos do país mais de uma década após seu lançamento.
Regina Silveira, 87
Ao vencer a 32a edição do Prêmio Tomás Francisco Prieto, concedido pela Real Casa de la Moneda, em Madri, Regina Silveira foi reconhecida como uma das artistas mais influentes do cenário ibero-americano. A distinção também destacou sua contribuição para a formação artística em mais de duas décadas de atuação no Departamento de Artes Plásticas da ECA/USP. Como parte da premiação, a artista realizará uma retrospectiva até o início de 2027, embora afirme que fará essa revisão a seu modo: olhando menos para o passado do que para o futuro. “Desde a minha primeira exposição, aos 18 anos, já me transformei tantas vezes”, diz. Hoje, seu interesse está voltado à relação das obras com o espaço, tema que estará presente também na mostra que prepara para a reinauguração do Museu Vale, no Espírito Santo.
Lais Myrrha, 51
Acostumada a trabalhar com obras de grande escala – como as realizadas para a 32a Bienal de São Paulo, em 2016, e para a Pinacoteca de São Paulo, em 2021 –, a artista mineira inaugurou este ano, no Inhotim, seu projeto mais ambicioso. Situada em um dos pontos mais altos do instituto, a instalação Contraplano ocupa cerca de 250 m2 e estabelece um diálogo entre as formas de um edifício projetado por Oscar Niemeyer, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, e as cavas de mineração que marcam a paisagem do entorno. “Fazer um projeto dessa escala em Inhotim foi um marco para mim, não apenas por sua dimensão, mas também pela relação que tenho com aquele lugar desde a minha formação”, resume. Um livro sobre sua produção, ainda em fase de preparação, deverá ser lançado pela editora Cosac.
Socorro Acioli, 51
Jornalista de formação, nascida no Ceará, a escritora Socorro Acioli foi a única brasileira a participar da oficina “Como contar um conto”, ministrada por Gabriel García Márquez em 2006. Para conquistar sua vaga, enviou um parágrafo do que viria a ser A Cabeça do Santo (2014), romance que a ajudou a alcançar 500 mil exemplares vendidos – o número corresponde à soma dos três títulos publicados pela autora na Companhia das Letras. Mas seu alcance vai além das livrarias: tanto Oração para Desaparecer (2023) quanto A Cabeça do Santo estão sendo adaptados para o cinema, e este último ainda inspira o samba-enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval de 2027. “Escrevi uma história com os recursos que tinha – as palavras –, mas vejo que meu trabalho está ganhando uma dimensão cada vez mais coletiva, algo que sempre quis.”
CIÊNCIAS, EDUCAÇÃO E TERCEIRO SETOR

Em tempos de muita desinformação sobre assuntos relacionados à saúde, a missão pessoal e profissional de Fernando Maluf é mais que ousada: é profundamente necessária.
O oncologista criou o Instituto Vencer o Câncer com o objetivo de ser o maior portal na América Latina sobre a doença e, com isso, “mostrar a importância e os reais benefícios da pesquisa clínica para desmontar o falso conceito de que o paciente é uma cobaia de algum remédio feito sem nenhuma base ou por outros interesses que não só o bem do paciente”.
Outra frente de ação do instituto é a inauguração de centros de pesquisa espalhados pelo Brasil – atualmente são 20 –, principalmente em regiões mais pobres, em hospitais do SUS, permitindo que pacientes antes com menos opções de tratamento oncológico agora tenham acesso ao que existe de mais moderno no mundo.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Bel Santos Mayer, 59
Primeira da família a cursar o ensino superior, a pedagoga Bel Santos Mayer queria que sua trajetória inspirasse as crianças. Começou transformando o lugar onde vivia, no início dos anos 2000, com a Biblioteca Solano Trindade, em Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo. “Bibliotecas comunitárias são territórios vivos de encontros, leituras e trocas”, defende. Pouco depois veio a Biblioteca Caminhos da Leitura, em Parelheiros, extremo sul da cidade, e a seguir a Rede LiteraSampa, de bibliotecas comunitárias em São Paulo, Guarulhos, Mauá e Santo André. Coordena também o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário, que forma jovens mediadores de leitura, pesquisadores literários e gestores culturais. “O hábito da leitura é uma ferramenta de transformação comunitária e autonomia individual.”
Mariana Varella, 53
Ela nunca quis ser médica – mas acabou capturada pela área. Afinal, seu pai, Drauzio Varella, é uma referência inescapável (e sua irmã mais nova, Letícia, é oncologista como o pai). “Cresci nesse ambiente de conversar muito sobre saúde, tanto os tratamentos quanto do ponto de vista da saúde pública. E vivi acompanhando meu pai em visitas de hospital.” Formada em ciências sociais pela USP, Mariana enveredou pelo jornalismo e tomou a saúde como seu assunto principal. Há anos é editora-chefe premiada do Portal Drauzio Varella, que rapidamente se tornou modelo em jornalismo e educação em saúde na internet com videocasts, documentários, reportagens e eventos. “Nesses tempos de desinformação em saúde, muitas vezes ficamos meio perdidos. É preciso ter confiança em determinados profissionais e veículos; isso ajuda a qualificar o debate público.”
Cesar Victora, 74
Nascido em São Gabriel, Cesar Victora se formou em medicina em Pelotas, onde ainda vive. Mas, de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, é um dos cientistas brasileiros com maior impacto em políticas globais de saúde e nutrição infantis. Tudo começou nos anos 1980, ao demonstrar que o aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses de vida reduz a mortalidade infantil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) adotou a recomendação na década de 1990. Em 2009, foi um dos criadores do Centro Internacional de Equidade em Saúde, em Pelotas, que estuda como a saúde, a nutrição e o desenvolvimento de crianças são afetados pelas desigualdades sociais, com dados de 120 países. Recentemente, criou curvas de crescimento até 5 anos para crianças amamentadas, com dados de sete países – atualmente utilizadas em cerca de 150 nações.
Wellington Nogueira, 65
Ator “desde que se entende por gente”, Wellington Nogueira foi para Nova York estudar teatro musical. Mas uma palhaça cruzou seu caminho e o convidou para o Clown Care Unit, um programa de palhaços em hospitais. “Aí percebi a dimensão social do trabalho artístico”, diz. De volta ao Brasil, no início dos anos 1990, fundou o Doutores da Alegria. “A mudança nos corredores dos hospitais foi tão grande que em pouco tempo vi o surgimento do Programa Nacional de Humanização no atendimento à saúde.” Em 35 anos de existência, o Doutores da Alegria inspirou mais de mil iniciativas semelhantes em todo o país e atingiu milhões de crianças e profissionais de saúde. Wellington passou o bastão para novas gerações e agora leva o programa Play2Flow para empresas, escolas, ONGs e onde seja necessário repensar a relação entre vida e trabalho.
CINEMA, TEATRO E TELEVISÃO

Lilia Cabral nunca quis ser outra coisa. “Desde sempre achei que seria atriz por causa das novelas de rádio. Elas despertaram em mim um lado sonhador e desenvolveram minha paixão por contar histórias. Mascarei esse desejo por muito tempo porque minha família era contra, mas quando percebi que poderia viver disso, eu fiz acontecer”, diz.
A carreira artística começou no teatro, depois migrou para a televisão. Formada pela Escola de Arte Dramática da USP, foi contratada pela TV Globo, emissora na qual permaneceu por quatro décadas. Ao longo da carreira, participou de novelas marcantes, como Corpo a Corpo, Vale Tudo, Tieta, Laços de Família e Fuzuê, entre outras.
Entre 2020 e 2023, esteve em cartaz com a peça A Lista e atualmente interpreta Rita Lee no espetáculo Rita Lee: Balada da Louca. Entre as principais premiações estão um Grande Otelo, quatro Troféus Imprensa, um Prêmio APCA, um Prêmio Shell e duas indicações ao Emmy Internacional de Melhor Atriz, pelas novelas Páginas da Vida e Viver a Vida.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Antônio Fagundes, 77
Antônio Fagundes cita uma fala da peça Dois de Nós: “Envelhecer é a sensação do dever cumprido com o passado, mas sem perder a curiosidade pelo futuro”. Em 2026 o ator comemora 60 anos de carreira, iniciada na TV Tupi e no teatro antes de ir para a TV, em 1976, onde ganhou fama em novelas como Saramandaia, Dancin’ Days, O Rei do Gado, Terra Nostra e Renascer. No cinema, seus trabalhos incluem Eternamente Pagu (1988), Villa-Lobos: Uma Vida de Paixão (2000) e Deus é Brasileiro (2003). Nos palcos recebeu prêmios como APCA, Molière, Troféus Imprensa e Shell. De volta à Globo na novela Quem Ama Cuida, segue em cartaz com o espetáculo Dois de Nós – Uma Comédia no Espelho e dirige a nova montagem de Sete Minutos, obra da qual também é autor. “Goethe disse que a velhice nos pega de surpresa. Fora a alternativa, onde está a surpresa?”, diverte-se.
Tânia Maria, 79
Tânia Maria conta que percebeu a maturidade quando passou a confiar mais em si mesma e a ligar menos para o que os outros pensavam. Artesã e costureira, ela vive em Santo Antônio da Cobra, no interior do Rio Grande do Norte, e entrou no audiovisual por acaso. Fez uma participação como figurante no longa Bacurau, de 2019, o que lhe abriu caminho para uma nova profissão. Aos 78 anos, ela vive um dos momentos mais intensos de sua trajetória artística. Depois de atuar em Seu Cavalcanti (2024), ganhou destaque em O Agente Secreto (2025). Atualmente, integra o elenco da série policial Delegado, com estreia prevista para 2026, e protagoniza Yellow Cake, que estreou mundialmente no Festival de Roterdã e chega aos cinemas brasileiros no segundo semestre. Ela também está em Sábado Morto. “A vida sempre encontra um jeito de surpreender a gente.”
Luiz F. Guimarães, 76
Antes de virar referência no humor brasileiro, Luiz Fernando Guimarães já quis ser arquiteto e biólogo. Ele iniciou sua trajetória artística nos anos 1970 ao integrar o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone na peça O Inspetor Geral. Estreou no cinema em 1976 e consolidou sua carreira na TV Pirata (1988-1990). Seu maior sucesso veio com a série Os Normais (2001), ao lado de Fernanda Torres, trabalho que lhe rendeu três vitórias consecutivas no Prêmio Qualidade Brasil. Em 2026, retornou às novelas após oito anos de afastamento, com participação especial em Três Graças, na TV Globo, além de estrelar o filme Quem É Morto Sempre Aparece, no Globoplay. Em 2026, ele também retorna aos palcos com a comédia Baixa Sociedade. “Sempre tive uma boa relação com o tempo. Quando fiz 50 anos vi que tinha uma vida muito parecida com a que eu visualizei para mim.”
Tony Tornado, 96
Tony Tornado diz que nunca teve medo de envelhecer. “O tempo é um presente e procuro viver cada fase com gratidão. O importante é a vontade de continuar aprendendo, trabalhando e sonhando.” Nascido em 1930, em Mirante do Paranapanema, interior de São Paulo, Tony construiu uma trajetória marcante na cultura brasileira. Em 1970, venceu o Festival Internacional da Canção com “BR-3” e foi pioneiro ao incorporar a estética black power em sua imagem pública. Consolidou uma carreira de cinco décadas na música, na televisão e no cinema, com participações em produções como Roque Santeiro e dezenas de novelas e séries. Em 2025, recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural. Aos 96 anos, segue em atividade artística: atuou em Volta por Cima e Êta Mundo Melhor. “A idade não diminui ninguém; ela acrescenta história”, resume.
EMPREENDEDORES, EMPRESÁRIOS E EXECUTIVOS

O cliente da seguradora Porto que tiver um problema com seu veículo e solicitar um guincho pode encontrar um rosto conhecido ao volante: o do CEO Paulo Kakinoff.
Há cerca de dois anos liderando uma das maiores seguradoras do país – e a principal nos seguros automotivos, os mais relevantes do mercado –, a cada três meses o executivo sai pilotando um veículo para socorrer os clientes. “Ter esse contato com o dia a dia do negócio é fundamental para entender os desafios e as oportunidades”, diz ele.
Prestes a completar 52 anos, o executivo começou a trabalhar aos 18 anos como estagiário na Volkswagen. Em quase 20 anos no grupo, chegou a diretor-executivo para a América do Sul, trabalhando na Alemanha. Em 2008, ao voltar ao país, foi nomeado presidente da Audi no Brasil.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Chieko Aoki, 77
Em japonês, Aoki significa “árvore azul” e essa foi a inspiração de Chieko Aoki para o nome de sua rede hoteleira, a Blue Tree, que ela fundou em 1992. Uma das líderes do setor no país, ela segue expandindo e diversificando suas atividades, bastante focadas em São Paulo e no turismo de negócios. A Blue Tree está inaugurando um resort na cidade paranaense de Ribeirão Claro, na divisa com o estado de São Paulo. “São 50 quartos e o maior atrativo é o silêncio”, diz ela. Aoki segue à frente da empresa e não pensa em se aposentar. “Eu mudei minha forma de atuar, porque a empresa muda com o tempo”, diz. “Meu trabalho agora é ser criativa, eu gosto de incentivar a inovação e as pessoas.” Aoki sabe que as pessoas são a alma do negócio. “O cliente nota se quem trabalha está feliz e está sorrindo e isso é parte fundamental do serviço.”
Ionah Kochen, 59
A trajetória de mais de 35 anos de Ionah Kochen na Nestlé, onde é vice-presidente de marketing, comunicação corporativa & ESG, pode indicar que ela não gosta de grandes mudanças. Não é bem assim. “Cursei dois anos de medicina antes de migrar para administração e marketing”, diz. “Foi a primeira de muitas viradas da minha vida e me ensinou que mudar de caminho pode ser uma forma de crescer.” A influência veio da família, desde os avós, imigrantes judeus refugiados de guerra. “Meu pai pediatra me criou com a disciplina do trabalho duro e minha mãe me ensinou a ser incansável”, diz. Atualmente, ela afirma estar realizada por ter construído marcas relevantes na Nestlé e ter gerado reputação, inovação e impacto positivo para a sociedade. “E me orgulho de, ao mesmo tempo, ter desenvolvido pessoas nessa jornada.”
Fábio R. Zanfelice, 52
Quem começa em uma empresa frequentemente sonha em chegar à presidência. O engenheiro Fábio Rogério Zanfelice conseguiu. Nascido em Rio Claro (SP), ele começou a trabalhar na estatal energética Cesp aos 14 anos como menor aprendiz. Perdeu o pai cedo e precisava melhorar o salário para ajudar a família. A solução foi estudar em uma universidade pública onde houvesse uma unidade da Cesp. Transferiu-se para Ilha Solteira, a 500 quilômetros de Rio Claro. Trabalhando à noite e aos sábados, graduou-se em engenharia. Fez carreira no setor e tornou-se presidente da Votorantim Energia – que comprou a Cesp em 2018. Alguma recomendação para quem quer um caminho semelhante? “Use sua energia para aprender a raciocinar; com a inteligência artificial, é mais importante saber fazer as perguntas do que respondê-las.”
Mario Leão, 50
O engenheiro de produção Mario Leão presidiu o banco Santander Brasil por cinco anos e consolidou uma instituição financeira que havia crescido depressa. O cenário não foi dos mais fáceis. Assumiu na ressaca da pós-pandemia, o setor financeiro enfrentou duas guerras (Ucrânia e Irã), uma forte alta dos juros brasileiros e o acirramento da concorrência das fintechs. “Saio com a sensação do dever cumprido”, diz. “Recebi um banco espetacular, mas tive de reorientar esse desenvolvimento.” Tem 30 anos de mercado financeiro – começou no Citi e passou pela Goldman Sachs e pelo Morgan Stanley – e vai para um novo desafio no setor, um projeto ainda sigiloso. Sua recomendação a quem está começando: “Seja ético e técnico, evite atalhos e busque construir relações humanas com pares, chefes e subordinados.”
ESPORTES

Magic Paula e Rainha Hortência transcendem o esporte. Aos 64 e 66 anos, respectivamente, seguem como duas das maiores referências da história do basquete brasileiro e símbolos da força feminina no esporte.
Da rivalidade que marcou o início de suas carreiras à parceria que levou o Brasil ao título inédito do Mundial de 1994, ao ouro no Pan-Americano de Havana, em 1991, e à medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta-96, suas trajetórias se confundem com a própria história do basquete feminino no país.
Em 2026, a série documental Hortência & Paula trouxe novamente aos holofotes a história da dupla e o impacto que tiveram para além das quadras.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Flávio Canto, 51
Medalhista olímpico de bronze em Atenas-2004, campeão pan-americano e ex-líder do ranking mundial até 81kg, Flávio Canto transformou o sucesso nos tatames em uma missão de vida. Há 23 anos fundou o Instituto Reação, organização que utiliza o esporte e a educação como ferramentas de transformação social e que já impactou diretamente mais de 35 mil crianças e jovens.“O esporte ensina algo fundamental: você não controla tudo, mas controla como reage às quedas”, afirma. Atualmente presente em cinco estados e 10 polos, o instituto trabalha para desenvolver não apenas atletas, mas jovens capazes de acreditar que podem sonhar grande e transformar suas próprias realidades. “Se conseguimos fazer alguém acreditar que merece, pode e deve pensar grande, já estamos transformando vidas.”
Marcelo Negrão, 53
Autor do icônico ace que garantiu ao Brasil o primeiro ouro olímpico de uma modalidade coletiva, nos Jogos de Barcelona-92, Marcelo Negrão, 53 anos, segue construindo sua história no voleibol. Eleito o melhor atacante da Olimpíada e melhor jogador da Liga Mundial de 1993, o ex-atleta transformou a experiência das quadras em um projeto de desenvolvimento esportivo. Em 2026, como presidente e treinador, alcançou um novo marco ao conduzir o Norde, de Fortaleza, à Superliga A, recolocando o Nordeste na elite do voleibol masculino nacional. Para Negrão, a motivação continua sendo a mesma: retribuir ao esporte tudo o que recebeu ao longo da carreira. “Acredito que recebi um dom e sinto a responsabilidade de compartilhar esse conhecimento, ajudar pessoas e criar oportunidades”, afirma.
Hugo Hoyama, 57
Maior medalhista brasileiro da história dos Jogos Pan-Americanos, com 15 medalhas, e participação em seis edições dos Jogos Olímpicos, Hugo Hoyama teve papel fundamental na popularização da modalidade no país. E segue contribuindo para seu crescimento por meio do Instituto Hugo Hoyama. Hoyama se orgulha de ver a transformação do esporte que ajudou a construir: “Quando comecei, não havia estrutura, premiação ou transmissões. Hoje o tênis de mesa é profissional e muito mais visível”. Para ele, o maior patrimônio é o legado deixado para as novas gerações. O instituto, criado há 15 anos, permite que as crianças conheçam o esporte e desenvolvam valores como disciplina e resiliência. “Se eu consegui motivar uma criança a pegar uma raquete ou um jovem a não desistir, então joguei o melhor ponto da minha carreira fora da mesa.”
Patrícia Medrado, 69
Aos 69 anos, Patrícia Medrado desafia o tempo. Número 1 do Brasil por 11 anos consecutivos e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de 1975, ela até hoje acumula conquistas: é heptacampeã mundial sênior em simples e duplas, bicampeã nas mistas e soma 23 medalhas no circuito internacional. “Cada competição é uma provocação mental. Gosto da adrenalina, da superação e da sensação de ainda me sentir capaz.” Além das quadras de tênis, dedica-se há 28 anos ao Instituto Patrícia Medrado, que democratiza o acesso aos esportes de raquete para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa já impactou milhares de alunos e capacitou mais de 1.500 professores de educação física. Sobre idade e disposição, seu recado é simples: “Não espere o tempo passar. Faça seu tempo. A vida é um sopro. Transforme-o em um furacão”.
FINANÇAS

Se você tiver que citar apenas um nome de um brasileiro que tenha conquistado seu espaço em Wall Street, será o de Alexandre Bettamio.
Há dois anos ele se tornou o principal executivo de global corporate e investment banking do Bank of America, liderando essa divisão do banco americano, a segunda maior instituição financeira do mundo. A posição culmina uma trajetória de mais de 30 anos em bancos de investimento.
Filho de militar, o carioca contemplava uma carreira nas Forças Armadas, mas preferiu tentar o universo corporativo. Seu primeiro emprego em finanças foi na filial brasileira do Citi. Passou pelo antigo Salomon Brothers em Nova York e foi trabalhar no UBS. Passou 13 anos no banco, que foi muito importante na recuperação do mercado de capitais no Brasil. Organizou, por exemplo, as duas primeiras emissões do recém-lançado Novo Mercado, as da CCR e da Sabesp, em 2003.

Ela tem uma tarefa difícil: explicar, todos os dias, as vicissitudes da economia brasileira para investidores brasileiros e internacionais.
Economista graduada e com mestrado pela PUC do Rio de Janeiro, Solange Srour, diretora de macroeconomia para Brasil do UBS Global Wealth Management, se define como uma pessoa curiosa. “Essa curiosidade ampla acabou sendo decisiva para o tipo de profissional que me tornei: não consigo deixar de estar a par do que acontece no mundo em todas as áreas”, diz ela.
A disciplina lhe permitiu o que ela considera uma de suas principais realizações: ser reconhecida por análises que ultrapassam o universo do mercado financeiro. “Conseguir levar discussões técnicas, sobre política fiscal, inflação e juros, para um público mais amplo, e de alguma forma contribuir para o debate público no Brasil”, afirma.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
André Freitas, 61
O nome do gestor de recursos André Freitas se confunde com a história dos investimentos de base imobiliária no Brasil. Um dos fundadores da corretora Hedging, que na década de 1990 uniu-se à Griffo e se tornou a Hedging Griffo, Freitas desenvolveu o primeiro Fundo de Investimento em Participações (FIP) dedicado a ativos imobiliários, lançado em 2003. Após a conclusão da venda da Hedging Griffo para o Credit Suisse em 2011, Freitas permaneceu como diretor-executivo até 2015, quando saiu com sua equipe para fundar a Hedge Investments (da qual é hoje CEO e CIO, chefe de investimentos). Atualmente, a gestora tem R$ 11 bilhões sob gestão, distribuídos em 48 fundos. A maioria é de carteiras imobiliárias, com investimentos em shopping centers e lajes corporativas de alto padrão.
Gustavo Franco, 70
Um dos responsáveis pelo Plano Real, lançado em 1994 e que conseguiu debelar a inflação, o economista carioca Gustavo Franco tem uma trajetória incomum. Foi um acadêmico reconhecido. Atuou com sucesso no setor público, chegando à presidência do Banco Central, onde antes havia sido diretor da área de Assuntos Internacionais. E, ao sair do governo, realizou algo raro: conseguiu fazer uma transição bem-sucedida para o setor privado. Ao lado de Paulo Bilyk, que foi 50 over 50 na edição de 2025, Franco fundou a gestora de recursos Rio Bravo, inovadora na estruturação de produtos financeiros de base imobiliária e que encerrou 2025 com R$ 12,5 bilhões em ativos sob gestão. Fundador, sócio e sênior advisor da Rio Bravo, ele permanece uma das vozes mais respeitadas do debate econômico brasileiro.
Ivan Gontijo, 67
O carioca Ivan Gontijo é graduado em direito pela Universidade Católica de Petrópolis, onde também foi professor de direito comercial e de direito dos seguros. Ingressou no Grupo Bradesco Seguros em 1985, onde fez carreira. Foi eleito diretor jurídico do grupo em 1998 e assumiu a presidência em 2020, cargo que deixou em 2026 ao ser nomeado membro do conselho de administração do Bradesco. “Vejo minha carreira como uma construção de longo prazo”, diz ele. “O seguro lida com proteção, confiança e futuro. Liderar nesse mercado é entender o impacto que a nossa atividade tem na vida das pessoas, das famílias, das empresas e da sociedade.” Para ele, uma carreira nunca é obra individual, mas resultado das equipes, dos líderes que inspiram e da capacidade de continuar aprendendo.
INFLUENCIADORES

A trajetória de Rita Lobo não tem o caráter de reinvenção, mas sim de constância, aperfeiçoamento e, sobretudo, propósito.
A gastronomia entrou na sua vida aos 18 anos, quando, durante uma temporada em Nova York, enquanto era modelo, matriculou-se em um curso de culinária – experiência que descreve como a mais transformadora de sua vida, principalmente por lhe trazer uma imensa sensação de autonomia.
Em 2000, fundou o portal Panelinha com o intuito de desmistificar o dia a dia da cozinha ensinando receitas práticas para pessoas comuns. Diferentemente dos chefs que buscam o requinte da alta gastronomia com estrelas e prêmios, o objetivo de Rita era repassar o que aprendeu, ensinando o básico bem-feito.
O sucesso foi exponencial, e a plataforma expandiu, hoje incluindo um estúdio próprio, uma editora de livros em parceria com o Senac e uma produtora de TV.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
André Freitas, 61
O nome do gestor de recursos André Freitas se confunde com a história dos investimentos de base imobiliária no Brasil. Um dos fundadores da corretora Hedging, que na década de 1990 uniu-se à Griffo e se tornou a Hedging Griffo, Freitas desenvolveu o primeiro Fundo de Investimento em Participações (FIP) dedicado a ativos imobiliários, lançado em 2003. Após a conclusão da venda da Hedging Griffo para o Credit Suisse em 2011, Freitas permaneceu como diretor-executivo até 2015, quando saiu com sua equipe para fundar a Hedge Investments (da qual é hoje CEO e CIO, chefe de investimentos). Atualmente, a gestora tem R$ 11 bilhões sob gestão, distribuídos em 48 fundos. A maioria é de carteiras imobiliárias, com investimentos em shopping centers e lajes corporativas de alto padrão.
Gustavo Franco, 70
Um dos responsáveis pelo Plano Real, lançado em 1994 e que conseguiu debelar a inflação, o economista carioca Gustavo Franco tem uma trajetória incomum. Foi um acadêmico reconhecido. Atuou com sucesso no setor público, chegando à presidência do Banco Central, onde antes havia sido diretor da área de Assuntos Internacionais. E, ao sair do governo, realizou algo raro: conseguiu fazer uma transição bem-sucedida para o setor privado. Ao lado de Paulo Bilyk, que foi 50 over 50 na edição de 2025, Franco fundou a gestora de recursos Rio Bravo, inovadora na estruturação de produtos financeiros de base imobiliária e que encerrou 2025 com R$ 12,5 bilhões em ativos sob gestão. Fundador, sócio e sênior advisor da Rio Bravo, ele permanece uma das vozes mais respeitadas do debate econômico brasileiro.
Ivan Gontijo, 67
O carioca Ivan Gontijo é graduado em direito pela Universidade Católica de Petrópolis, onde também foi professor de direito comercial e de direito dos seguros. Ingressou no Grupo Bradesco Seguros em 1985, onde fez carreira. Foi eleito diretor jurídico do grupo em 1998 e assumiu a presidência em 2020, cargo que deixou em 2026 ao ser nomeado membro do conselho de administração do Bradesco. “Vejo minha carreira como uma construção de longo prazo”, diz ele. “O seguro lida com proteção, confiança e futuro. Liderar nesse mercado é entender o impacto que a nossa atividade tem na vida das pessoas, das famílias, das empresas e da sociedade.” Para ele, uma carreira nunca é obra individual, mas resultado das equipes, dos líderes que inspiram e da capacidade de continuar aprendendo.
MÚSICA

“A maturidade me trouxe a compreensão. Aprendi a ter mais paciência com algumas coisas e a tentar entender melhor as pessoas e certas atitudes.”
A revelação de Alcione Dias Nazareth, a Marrom, vale inclusive para as pequenas coisas: recentemente, imagens suas sambando animada em shows viralizaram, e alguns comentaristas de internet disseram ter sido geradas por inteligência artificial. “E eu sou lá mulher de IA?”, retrucou, bem-humorada.
Com mais de 50 anos de carreira e 40 álbuns recheados de sucessos memoráveis – “Vou Festejar”, “Não Deixe o Samba Morrer” e “Figa de Guiné”, entre tantos outros – e chegando aos 80 anos, Alcione nem pensa em se aposentar. Ao contrário. Na mais recente edição do Prêmio da Música Brasileira, sua obra foi indicada para melhor lançamento e ela, melhor artista.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
BID, 59
“Na vida acontecem vários turn around, você de repente muda seu caminho.” O produtor BID encarna sua própria frase. À frente de uma gravadora de vinis e em estúdio finalizando dois discos, o artista opera em várias frentes. O documentário Alma Negra – Do Quilombo ao Baile, com sua direção musical, acaba de chegar ao streaming, onde já estão os vários longas que musicou, como O Bicho de Sete Cabeças. “Sempre misturei o novo ao velho, e aí minha quilometragem ajuda muito.” Aos 17 anos, o guitarrista fundou o Tokyo. Após seis anos em Los Angeles na Capitol Records, começou a trabalhar como produtor com “Afrociberdelia”, de Chico Science & Nação Zumbi. E nas últimas décadas trabalhou com medalhões como Djavan e Milton Nascimento. Seu segredo? “Faz anos que não espero o telefone tocar; eu mesmo levanto meus projetos.”
Lenine, 67
“Desde cedo percebi que, para atender minhas escolhas artísticas e de vida, teria que fazer do meu jeito. Foi um caminho mais lento, mas fiel ao meu fazer artesanal. E um dos privilégios desta fase da vida é justamente poder criar com menos urgência e mais verdade.” A declaração do artista tem a ver com seu atual momento: Lenine acaba de lançar um álbum de músicas inéditas após 10 anos. O nome é o mesmo de sua nova turnê nacional: “Eita”. “Olhando para a estrada percorrida, comemoro minha autonomia e liberdade.” Vencedor de seis prêmios Grammy Latino e autor de mais de 500 composições para nomes como Maria Bethânia, Elba Ramalho, Milton Nascimento e Gilberto Gil, Lenine conclui: “Maturidade artística, para mim, é permanecer em movimento, atento às transformações do mundo e de mim mesmo”.
Guilherme Arantes, 72
“Enquanto você não se sentir completo, você é jovem. Será jovem eternamente por não se sentir completo. Eu jamais trocaria esse tempo de vida pela incompletude total que foi a juventude. A juventude não é o apogeu da vida, porque a vida não tem apogeu. A vida é contínua e tudo se abraça. Me sinto uma pessoa mais harmoniosa hoje do que fui ao longo da vida.” A resposta, poética, reflete a carreira de 50 anos do artista, que, por conta deste marco, vem sendo continuamente homenageado em eventos, premiações e programas de TV. Com dezenas de hits que tanta gente sabe cantar de cor, Guilherme segue criando. “Continuo ativo no sentido de ainda buscar. Eu acho que essa é a chave de uma felicidade harmoniosa que conecte a ambição com a realização, com o tempo passando.”
Marisa Monte, 58
As décadas passam, Marisa segue no auge. Tão reservada quanto talentosa, a cantora, compositora e musicista retomou a parceria com Nando Reis em “Pra Você Guardei o Amor”, bem recebida por público e crítica. Sucesso, aliás, que vem desde seu primeiro álbum, “MM”, do hit “Bem Que Se Quis” e dos singles seguintes, “Beija Eu” e “Dança da Solidão”. A partir daí, ganhou um prêmio atrás do outro – como cinco Grammys Latinos. Entre tantos projetos, destaque para os Tribalistas, de 2002, com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, que vendeu 3 milhões de cópias, com as memoráveis “Já Sei Namorar” e “Velha Infância”. Este ano Marisa estruturou o espetáculo “Phônica”, que passa por seis parques ou arenas brasileiras e no qual canta com uma orquestra de 50 músicos. Coroando o ano, shows em Roma, Lisboa e no Porto.
Edição: David Cohen e Décio Galina
Fotos: Victor Affaro (assist. Fábio Del Neto), Fábio Setti e Rodolfo Sanches
Retouch: Freitag Agency
Beleza: Renan Tavares (Assist. Marisa Rocha e Rodrigo Frois)
Produção executiva: Guilherme Saboya e Júlia Padovani
Agradecimento: Tivoli Mofarrej