50 Over 50 2026
Seleção anual da Forbes exalta personagens com histórias de reinvenção e sucesso; veja os destaques em 10 categorias
50 Over 50 2026
Seleção anual da Forbes exalta personagens com histórias de reinvenção e sucesso; veja os destaques em 10 categorias
Há duas maneiras de enxergar esta lista. A primeira é que ela celebra a constância, o aprimoramento, a persistência de gente que se mantém ativa e produtiva, muitas vezes com um olhar mais maduro e refinado. A segunda é que ela exalta a renovação, a transformação, a vitalidade de um segundo ato na vida. Entre os nossos 51 exemplos (incluímos este ano uma dupla que habita o imaginário brasileiro como uma única entidade), há casos dos dois tipos.
Alcione está aí pelos seus 50 anos – de carreira! – brilhando com sua voz e seu humor; Alexandre Bettamio se mantém na mesma trilha do investment banking, com crescente sucesso; Fernando Maluf segue na missão de lutar contra o câncer. Eraí Maggi Scheffer continua produzindo no campo – só que mais.
No time da reviravolta, há exemplos como Tânia Maria, a artesã e costureira que, aos 78 anos, desfruta de uma recente carreira de atriz. Ou Márcia Fernandes, que faliu aos 48 e se reinventou como Márcia Sensitiva. Ou Dani Godoy, que se transformou fazendo conteúdo de beleza para mulheres mais velhas.
Há ainda um caminho que é, ao mesmo tempo, continuidade e transformação, como Patricia Medrado, que aos 69 ainda disputa torneios de tênis e também de pickleball, e outros esportistas que se mantêm na ativa com instituições de incentivo ao esporte.
Talvez o mais acertado, portanto, seja dizer que a nossa lista de pessoas de sucesso nascidas a partir de 1976, divididas em 10 categorias – do agro aos influenciadores, passando por arquitetura, ciências, esportes e cinema –, apresenta trajetórias ímpares que não se encaixam em um único molde. Mas que, com certeza, têm algo em comum (e incomum): um extraordinário talento, que se recusa a aceitar prazo de validade.
Veja os destaques das 10 categorias:
AGRO

Eraí Maggi Scheffer chegou ao norte de Mato Grosso em 1982 sem terra, sem máquinas e sem capital. Saiu do Paraná em cima de um caminhão, com os irmãos Fernando e Elusmar e um grupo de jovens da mesma cidade, carregando conhecimento de lavoura e disposição para arrendar terras.
Hoje, 43 anos depois, a Bom Futuro opera mais de 770 mil hectares cultivados, concentrados em soja, milho e algodão, mais a produção de sementes, 12 hidrelétricas para a produção de 1,9 milhão de MWh de energia e até um aeroporto executivo que ele construiu em Cuiabá, com investimento da ordem de R$ 100 milhões.
A Bom Futuro também tem o maior projeto de integração lavoura-pecuária do Brasil, com um rebanho de mais de 160 mil bovinos rastreados. São cerca de 40 fazendas e uma receita não divulgada, mas estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões anuais.
No dia 23 de setembro, Eraí completa 68 anos e não demonstra nenhuma intenção de parar.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
ARQUITETURA, DESIGN E MODA

Há designers que criam para a estação. Cris Barros cria para durar. Desde que fundou sua marca, em 2002, a estilista paulistana desenvolveu um vocabulário de sofisticação discreta, que o mercado só foi classificar duas décadas depois, com o termo quiet luxury. Não foi antecipação, e sim convicção.
“Nunca pensei a Cris Barros como uma marca que seguiria tendências. Ela nasceu de um olhar particular sobre a beleza que atravessa o tempo.”
Em 2016, vendeu a grife para o grupo Azzas 2154. Poderia ter se diluído no maior conglomerado de moda do país, mas Cris fez o caminho oposto: manteve a liderança criativa da marca e ganhou fôlego para novas apostas.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
ARTES PLÁSTICAS E LITERATURA

Artista visual e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Ayrson Heráclito desenvolve desde os anos 1980 uma pesquisa consistente sobre as matrizes africanas da cultura brasileira. Iniciou a carreira como pintor, mas expandiu sua produção para diferentes linguagens, consolidando-se sobretudo por meio de instalações, performances, fotografias e vídeos.
Ogã (um tipo de sacerdote) da nação Jeje-Mahi, ele vê a arte e o terreiro de candomblé como espaços para o exercício do sagrado. “Penso o fazer artístico como oferenda, e tento levar para os museus e outros espaços uma concepção de arte que não chegue apenas pela visualidade e pela racionalidade, mas que funcione como uma tecnologia de conexão das pessoas às divindades”, diz.
Tem obras em acervos de instituições como o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu Reina Sofía, em Madri, e o Museu Guggenheim, em Nova York, e é um dos poucos a ter performances incorporadas à coleção da Pinacoteca de São Paulo. Sua obra Bori (2008-2022) – inspirada no ritual homônimo realizado nos terreiros de candomblé, na qual realiza oferendas a 12 orixás – foi adquirida pela instituição em 2020.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
CIÊNCIAS, EDUCAÇÃO E TERCEIRO SETOR

Em tempos de muita desinformação sobre assuntos relacionados à saúde, a missão pessoal e profissional de Fernando Maluf é mais que ousada: é profundamente necessária.
O oncologista criou o Instituto Vencer o Câncer com o objetivo de ser o maior portal na América Latina sobre a doença e, com isso, “mostrar a importância e os reais benefícios da pesquisa clínica para desmontar o falso conceito de que o paciente é uma cobaia de algum remédio feito sem nenhuma base ou por outros interesses que não só o bem do paciente”.
Outra frente de ação do instituto é a inauguração de centros de pesquisa espalhados pelo Brasil – atualmente são 20 –, principalmente em regiões mais pobres, em hospitais do SUS, permitindo que pacientes antes com menos opções de tratamento oncológico agora tenham acesso ao que existe de mais moderno no mundo.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
CINEMA, TEATRO E TELEVISÃO

Lilia Cabral nunca quis ser outra coisa. “Desde sempre achei que seria atriz por causa das novelas de rádio. Elas despertaram em mim um lado sonhador e desenvolveram minha paixão por contar histórias. Mascarei esse desejo por muito tempo porque minha família era contra, mas quando percebi que poderia viver disso, eu fiz acontecer”, diz.
A carreira artística começou no teatro, depois migrou para a televisão. Formada pela Escola de Arte Dramática da USP, foi contratada pela TV Globo, emissora na qual permaneceu por quatro décadas. Ao longo da carreira, participou de novelas marcantes, como Corpo a Corpo, Vale Tudo, Tieta, Laços de Família e Fuzuê, entre outras.
Entre 2020 e 2023, esteve em cartaz com a peça A Lista e atualmente interpreta Rita Lee no espetáculo Rita Lee: Balada da Louca. Entre as principais premiações estão um Grande Otelo, quatro Troféus Imprensa, um Prêmio APCA, um Prêmio Shell e duas indicações ao Emmy Internacional de Melhor Atriz, pelas novelas Páginas da Vida e Viver a Vida.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
EMPREENDEDORES, EMPRESÁRIOS E EXECUTIVOS

O cliente da seguradora Porto que tiver um problema com seu veículo e solicitar um guincho pode encontrar um rosto conhecido ao volante: o do CEO Paulo Kakinoff.
Há cerca de dois anos liderando uma das maiores seguradoras do país – e a principal nos seguros automotivos, os mais relevantes do mercado –, a cada três meses o executivo sai pilotando um veículo para socorrer os clientes. “Ter esse contato com o dia a dia do negócio é fundamental para entender os desafios e as oportunidades”, diz ele.
Prestes a completar 52 anos, o executivo começou a trabalhar aos 18 anos como estagiário na Volkswagen. Em quase 20 anos no grupo, chegou a diretor-executivo para a América do Sul, trabalhando na Alemanha. Em 2008, ao voltar ao país, foi nomeado presidente da Audi no Brasil.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
ESPORTES

Magic Paula e Rainha Hortência transcendem o esporte. Aos 64 e 66 anos, respectivamente, seguem como duas das maiores referências da história do basquete brasileiro e símbolos da força feminina no esporte.
Da rivalidade que marcou o início de suas carreiras à parceria que levou o Brasil ao título inédito do Mundial de 1994, ao ouro no Pan-Americano de Havana, em 1991, e à medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta-96, suas trajetórias se confundem com a própria história do basquete feminino no país.
Em 2026, a série documental Hortência & Paula trouxe novamente aos holofotes a história da dupla e o impacto que tiveram para além das quadras.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
FINANÇAS

Se você tiver que citar apenas um nome de um brasileiro que tenha conquistado seu espaço em Wall Street, será o de Alexandre Bettamio.
Há dois anos ele se tornou o principal executivo de global corporate e investment banking do Bank of America, liderando essa divisão do banco americano, a segunda maior instituição financeira do mundo. A posição culmina uma trajetória de mais de 30 anos em bancos de investimento.
Filho de militar, o carioca contemplava uma carreira nas Forças Armadas, mas preferiu tentar o universo corporativo. Seu primeiro emprego em finanças foi na filial brasileira do Citi. Passou pelo antigo Salomon Brothers em Nova York e foi trabalhar no UBS. Passou 13 anos no banco, que foi muito importante na recuperação do mercado de capitais no Brasil. Organizou, por exemplo, as duas primeiras emissões do recém-lançado Novo Mercado, as da CCR e da Sabesp, em 2003.

Ela tem uma tarefa difícil: explicar, todos os dias, as vicissitudes da economia brasileira para investidores brasileiros e internacionais.
Economista graduada e com mestrado pela PUC do Rio de Janeiro, Solange Srour, diretora de macroeconomia para Brasil do UBS Global Wealth Management, se define como uma pessoa curiosa. “Essa curiosidade ampla acabou sendo decisiva para o tipo de profissional que me tornei: não consigo deixar de estar a par do que acontece no mundo em todas as áreas”, diz ela.
A disciplina lhe permitiu o que ela considera uma de suas principais realizações: ser reconhecida por análises que ultrapassam o universo do mercado financeiro. “Conseguir levar discussões técnicas, sobre política fiscal, inflação e juros, para um público mais amplo, e de alguma forma contribuir para o debate público no Brasil”, afirma.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
INFLUENCIADORES

A trajetória de Rita Lobo não tem o caráter de reinvenção, mas sim de constância, aperfeiçoamento e, sobretudo, propósito.
A gastronomia entrou na sua vida aos 18 anos, quando, durante uma temporada em Nova York, enquanto era modelo, matriculou-se em um curso de culinária – experiência que descreve como a mais transformadora de sua vida, principalmente por lhe trazer uma imensa sensação de autonomia.
Em 2000, fundou o portal Panelinha com o intuito de desmistificar o dia a dia da cozinha ensinando receitas práticas para pessoas comuns. Diferentemente dos chefs que buscam o requinte da alta gastronomia com estrelas e prêmios, o objetivo de Rita era repassar o que aprendeu, ensinando o básico bem-feito.
O sucesso foi exponencial, e a plataforma expandiu, hoje incluindo um estúdio próprio, uma editora de livros em parceria com o Senac e uma produtora de TV.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
MÚSICA

“A maturidade me trouxe a compreensão. Aprendi a ter mais paciência com algumas coisas e a tentar entender melhor as pessoas e certas atitudes.”
A revelação de Alcione Dias Nazareth, a Marrom, vale inclusive para as pequenas coisas: recentemente, imagens suas sambando animada em shows viralizaram, e alguns comentaristas de internet disseram ter sido geradas por inteligência artificial. “E eu sou lá mulher de IA?”, retrucou, bem-humorada.
Com mais de 50 anos de carreira e 40 álbuns recheados de sucessos memoráveis – “Vou Festejar”, “Não Deixe o Samba Morrer” e “Figa de Guiné”, entre tantos outros – e chegando aos 80 anos, Alcione nem pensa em se aposentar. Ao contrário. Na mais recente edição do Prêmio da Música Brasileira, sua obra foi indicada para melhor lançamento e ela, melhor artista.
Leia a reportagem completa no app da Forbes
Edição: David Cohen e Décio Galina
Fotos: Victor Affaro (assist. Fábio Del Neto), Fábio Setti e Rodolfo Sanches
Retouch: Freitag Agency
Beleza: Renan Tavar