De pequenas, convenhamos, as empresas listadas a seguir não têm nada. E várias delas – se não todas – poderiam figurar na lista das mais inovadoras desta edição.
Alguns detalhes justificaram o recorte diferenciado entre uma lista e outra: aqui, privilegiamos empresas que ainda têm um caminho a percorrer em termos de faturamento, alcance de marca e/ou base de usuários ou clientes.
Conheça a seguir as pequenas gigantes dos mais variados setores:
Baston
Tudo começou com um galpão de madeira de 1.200 metros quadrados em Palmeira, interior do Paraná. Agora, quase 20 anos depois, a empresa ocupa um parque fabril de 90 mil metros quadrados, vende para mais de 15 países e é uma das maiores fabricantes de antitranspirantes do país (só perde para multinacionais).
A Baston foi fundada em 2005 com foco inicial em terceirizações, isto é, transformava em realidade produtos pensados e comercializados por outros. “Mas não demorou muito para percebermos que tínhamos capacidade e potencial, aliados com a importantíssima comunhão dos nossos colaboradores e parceiros, para que começássemos a desenvolver nossas próprias brands”, explicou Gustavo Malucelli Bacila, de 52 anos, paranaense de Palmeira, CEO da Baston.
Com o passar dos anos, uma série de marcas próprias foram sendo criadas para os mais diversos segmentos, desde inseticidas a construção civil, passando pelo setor automotivo, produtos de limpeza e personal care. E assim a Baston foi crescendo discretamente, até que, em 2018, com a criação do antitranspirante Above, os negócios mudaram de patamar.
“A gente tinha percebido a necessidade de aprimorar produtos no mercado de aerossóis, tanto terceirizados quanto de patente própria, de maneira tal que eles pudessem ser adquiridos pelo melhor preço de compra pelo consumidor final e que ainda fosse interessante para o atacadista e para o varejo colocá-los para circular.”
Dois anos após a criação do Above, a Baston ousou no marketing e ocupou um dos spots publicitários mais caros e disputados da TV Globo, o do reality show Big Brother Brasil. O retorno da participação no BBB 20 foi tão grande que se estendeu por mais duas edições – naquele momento, a marca chegou a vender 4 milhões de unidades do desodorante ao mês, crescimento de 175%.
“O BBB nos deu oportunidade de conquistar uma impressionante abrangência no quesito visibilidade, além do inegável propulsor de engajamento nas nossas redes sociais. Hoje temos um público cativado, fiel e crescente. Esse evento foi uma declaração pública de que havíamos chegado ao mercado com consistência e propósito.”
Com capacidade produtiva de mais de 600 milhões de tubos/ano, a Baston entregou ao mercado, em 2024, mais de 230 milhões, contando com a força de trabalho de 1.800 colaboradores (cerca de 5% do município de Palmeira).
“Estamos acelerando o projeto de verticalização de grande parte da cadeia de suprimentos de embalagens, expandindo nosso parque fabril e investindo pesado em novas unidades, que entrarão em operação no primeiro trimestre de 2025, em uma nova região do Brasil.
CloudWalk
Em tempos cada vez mais instantâneos, as soluções financeiras precisam ter a mesma velocidade. Pensando em desatar nós tecnológicos do mercado financeiro, Luis Silva criou, em 2013, a CloudWalk, em São Paulo.
Na primeira fase da empresa, que durou até 2018, o objetivo foi desenvolver e fornecer tecnologia para a indústria de pagamentos, com uso pioneiro de blockchain e inteligência artificial.
Então, em 2019, veio o grande salto com o lançamento da InfinitePay, marca criada com o intuito de fornecer soluções financeiras acessíveis para micro, pequenos e médios empreendedores. “Começamos com uma maquininha que não só possuía taxas mais baixas como também oferecia pagamentos no dia seguinte, quando o padrão era para o lojista, por exemplo, receber em 30 dias na média”, relembra Luis, de 40 anos, paulista de Franca, que esperava cerca de 500 clientes em seis meses – mas foram 25 mil em quatro meses. “Alguns clientes relataram que, antes da nossa maquininha, precisavam recorrer a empréstimos ou agiotas para sustentar o fluxo de caixa.”
Hoje, após cinco anos, a InfinitePay da CloudWalk oferece uma conta digital gratuita com rendimentos, cartão de débito de pagamentos, linhas de crédito, links de pagamentos instantâneos, a tecnologia Tap to Pay, sistemas avançados de gestão de cobrança e uma plataforma de e-commerce completa. E a maquininha agora paga em segundos.
“Estamos comprometidos em democratizar o acesso a ferramentas financeiras, impulsionando o crescimento e a inovação no empreendedorismo brasileiro e global.”
Neste ano, a fintech triplicou sua base de clientes, alcançando uma receita anualizada de R$ 3 bilhões e lucro líquido de R$ 400 milhões (quase metade dessa receita é baseada em produtos com IA). Isso tudo com um time compacto, de pouco mais de 600 colaboradores.
“Impactamos mais de 3 milhões de micro e pequenas empresas, que conseguem pagar de forma mais flexível, baseado no volume de vendas. Se o negócio deles prospera mais rápido, nós também recebemos mais rápido. É uma relação em que crescemos juntos com nossos clientes.”
Tanto cresceram que seu valor de mercado é estimado em US$ 2,15 bilhões.
Com presença em 100% dos municípios brasileiros, a CloudWalk deu um novo salto e lançou nos Estados Unidos, este ano, o Jim.com, agente financeiro inteligente integrado a pagamentos instantâneos em formato de aplicativo.
“Nossa vantagem é que somos uma das líderes do mercado de serviços financeiros no Brasil, que está aproximadamente 10 anos à frente dos Estados Unidos em termos de tecnologias financeiras. Temos muito a oferecer a outros países em termos de experiência.”
Cosmos 3D
Construir paredes modulares com uma impressora 3D e com elas erguer casas e apartamentos, algo que parecia inicialmente um feito de ficção científica, finalmente “virou”.
Uma das empresas que produz paredes com essa tecnologia é a Cosmos 3D, joint-venture entre o empresário nascido em Belo Horizonte Daniel Katz, de 44 anos, dono da Katz Construções, e a espanhola IT3D, que já detinha o processo tecnológico. A Cosmos atua globalmente a partir de sua base espanhola e, no Brasil, Katz obteve o CNPJ há poucos meses. Há alguns projetos já efetivados que se tornaram cartão de visitas da empresa, um deles uma casa do próprio Daniel no litoral sul da Bahia.
Co-CEO da Cosmos, o empresário fala em uma previsão de receita global de US$ 4 milhões em 2025. Todo o time, aqui e na Espanha, reúne 17 pessoas – são apenas três para operar a máquina. Como comparação, sua construtora tem 900 colaboradores.
No Brasil, Daniel pretende ofertar seu produto para diversas construtoras, a dele mesmo incluída, já que possui o hardware (as impressoras), o software e ainda um concreto desenvolvido especialmente para suas edificações. A ideia é entrar nos projetos de habitação de média e baixa renda, e para ilustrar esse objetivo ele mobiliza um benchmark contemporâneo conhecido.
“Numa capacitação em Harvard, ouvi a história de como Elon Musk pretendia desenvolver a Tesla, primeiro fazendo carros de luxo e, com eles, financiando modelos cada vez mais baratos. Nosso objetivo é chegar ao Minha Casa, Minha Vida”, disse.
Os passos dados pela Cosmos 3D neste 2024 são animadores. Houve, segundo Daniel, evoluções tanto na velocidade de produção de seus módulos, que dobrou, como na economia de material. A espessura da parede, antes feita com 12 centímetros, caiu para pouco mais da metade disso, resultado que torna o produto final menos dispendioso e bastante mais sustentável.
As paredes feitas por impressão 3D dispensam a utilização de reboco e podem ser produzidas on-site (junto à obra) ou em ambientes remotos, controlados, imunes a problemas meteorológicos. Em comparação com uma construção convencional, há grande redução de desperdício e a obra não precisa ser paralisada por conta de intempéries. Outra vantagem é a possibilidade de realizar curvas nos módulos. “Brinco que, se Oscar Niemeyer fosse vivo, poderíamos executar seus projetos.”
Além da Cosmos, o mercado se mexe: um pool de construtoras, como MRV, Direcional e Cyrela, formou convênio com a USP, entidades do setor e empresas de material como Votorantim Cimentos e Saint-Gobain, para desenvolver um concreto específico para a impressão em 3D.
Group Link One
A internet das coisas (internet of things, ou IoT) é uma das maiores promessas tecnológicas. É exatamente o que o nome diz: uma maneira de conectar máquinas sem intervenção humana direta, de modo a fazer os sistemas funcionarem melhor. No entanto, até agora, as iniciativas têm sido tímidas. E é fácil entender o porquê.
“A IoT tem um custo elevado de implantação, porque cada equipamento, e são milhões, precisaria ter uma antena instalada para transmitir as informações à rede”, diz Marcelo Hayashi, paulistano de 49 anos, fundador da Group Link One, uma das Pequenas Gigantes desta edição.
Hayashi, advogado aficionado por tecnologia, resolveu o problema desenvolvendo uma maneira de transportar os dados usando apenas software. Como? Tomando emprestadas as conexões de telefones celulares – tudo dentro da lei, calma. O sistema transmite uma mensagem pequena para a rede usando qualquer aparelho de celular em um raio de 500 metros.
O “pequena” não é modo de dizer. “Nossas mensagens têm em média 31 bytes”, diz Hayashi. “Se você mandar um selfie para um amigo, a imagem terá 1 megabyte, ou 1 milhão de bytes.”
Porém, essa quantidade mirrada de zeros e uns é capaz de enviar informações importantes que reduzem desperdícios. Um exemplo é um projeto implantado na cidade paulista de Guararema, a 81 quilômetros de São Paulo. A iluminação pública funciona com base em sensores fotossensíveis. Quando a luz natural diminui, as lâmpadas de rua se acendem.
“Desenvolvemos um sistema que mede o consumo de energia de cada poste”, diz Hayashi. O resultado foi a redução de 30% na conta de luz da prefeitura. “Antes a conta era calculada pelo consumo médio, muito impreciso”, afirma o CEO.
A Group Link One não é a primeira empresa fundada por Hayashi. No início dos anos 2000, ele desenvolveu um sistema que rastreava cargas, vendido para uma empresa de transportes alguns anos após a fundação. “Vendi por US$ 80 milhões, e o comprador revendeu a companhia por US$ 880 milhões 11 meses depois”, diz ele. “Isso me mostrou que eu tinha de esperar a maturação dos projetos.”
A solução foi buscar investidores. Entre eles, Lourival Nery Júnior. Após vender a empresa de varejo da família, Nery estava buscando locais para investir o dinheiro e novos significados existenciais. O investidor aportou recursos na então startup e viu a expansão. “Quando comecei, eram quatro pessoas em 18 metros quadrados; hoje são 58 colaboradores em 900 metros quadrados”, diz ele.
Além do espaço, a receita também cresceu. “Faturamos R$ 2 milhões no ano da fundação, em 2022”, diz Hayashi. “Isso aumentou para R$ 8 milhões em 2023, R$ 180 milhões neste ano e devemos chegar a R$ 2 bilhões em 2025.”
Merama
Previsões otimistas estimam que as compras online no Brasil devem bater os US$ 500 bilhões em 2026. Surfando nessa onda virtual, a holding de marcas digitais Merama atua como silenciosa catalisadora. Seu modelo de negócios é simples – e poderoso: identificar marcas com bom desempenho e faturamento em marketplaces (como Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza), tornar-se sócia majoritária e impulsioná-las por meio de uma atenta consultoria em marketing, gestão e logística.
Os bons ventos acompanham a empresa desde a largada: ela foi um dos unicórnios mais rápidos do Brasil, estimada em US$ 1,2 bilhão apenas um ano após sua criação, em 2020. Hoje, já soma mais de US$ 700 milhões em vendas na América Latina e detém 30 marcas, como as mexicanas Bebesit (artigos para bebês), Avera (eletrodomésticos) e Mundo In (móveis para escritório), além das brasileiras Océane (produtos de beleza), Mimo Style (utilidades domésticas), Nautika (artigos para camping) e Pingoo (produtos de construção).
“Nós lançamos mais de mil produtos por ano, vários deles tornando-se best-sellers, com ótimos reviews e ratings. Nosso nível de inovação alto e constante é o que garante o sucesso do negócio a longo prazo”, diz Renato Andrade, de 54 anos, paulista de São Luiz do Paraitinga, um dos fundadores da Merama, ao lado de Guilherme Nosralla e dos mexicanos Felipe Delgado, Olivier Scialom e Sujay Tyle.
No Brasil, a empresa tem cerca de 1.500 funcionários diretos.
Segundo Renato, a rápida ascensão da startup se deve a uma combinação de três fatores: “Temos um time de ponta, com formação de primeira e capacidade de execução, mas humildade quando é preciso; respeitamos o legado das marcas, mantendo os antigos donos dos negócios que compramos; e somos a empresa mais capitalizada do mercado, o que nos permite comprar e investir nas melhores marcas do setor” – assim, conseguem democratizar o consumo em diversas categorias.
Mesmo em um cenário complexo, com taxas de juros elevadas, custos crescentes e oscilações cambiais, a Merama mantém seu foco. Rentável desde o primeiro ano, prioriza movimentos de alto impacto financeiro, mantendo uma visão disciplinada sobre geração de caixa e crescimento sustentável.
“Nosso foco é as iniciativas relevantes. Claro que é legal fazer coisas diferentes, mas a maior parte do nosso tempo é direcionada àquilo que move o ponteiro. Somos ex-consultores e temos no nosso DNA uma forte mentalidade em elencar os problemas em partes menores, colocar um valor para a iniciativa e priorizar e executar com base nos tópicos que trazem o maior retorno financeiro”, conclui Andrade.
Mignow
Se só os profetas enxergam o óbvio – como dizia Nelson Rodrigues –, Paulo Secco, paulista de Santo André, de 48 anos, e Guilherme Joventino, mineiro de BH, de 45, os sócios à frente da Mignow Technology, são profetas.
Egressos ambos da Essence IT, consultoria paulista especializada em implantar em grandes empresas o ERP (Enterprise Resource Planning) da SAP, eles enxergaram o óbvio: fazer a migração para a nova versão do ERP da transnacional alemã, algo que será mandatório em mais alguns anos, não poderia continuar demandando o tempo de trabalho e a quantidade de profissionais dedicados a essa operação, algo entre 15 e 20 pessoas e até 18 meses, segundo os dois.
Parece – e é – um capricho demasiado caro, mas que é pago por se tratar da plataforma de gestão mais robusta e mais utilizada pelas grandes companhias globalmente. Apenas fazer atualizações periféricas já “machuca”, é “traumatizante”, segundo Guilherme.
Assim, ele e Paulo foram gestar no Vale do Silício a solução do problema: um software baseado em IA de machine learning que automatiza grande parte do trabalho – 97% dele, de acordo com Guilherme.
Isso já seria o suficiente para fazer da Mignow (de “migre agora”) uma empresa bem-sucedida, mas os sócios decidiram que o modelo de negócio não seria simplesmente vender software, mas trabalhar em parceria com diversos consultores SAP pelo mundo, eliminando uma possível primeira concorrência.
A própria Essence é uma das parceiras, mas em 2025 eles esperam que o mercado da América do Norte seja mais relevante que o brasileiro. Hoje a Mignow tem posições nos Estados Unidos (Miami), no México, na França e no Chile. Duas das “Big Four”, as superconsultorias EY e Deloitte, já são clientes Mignow.
“O céu é o limite”, conta Paulo, imaginando um faturamento na casa do bilhão de reais em, quem sabe, três anos. Em 2024, segundo ele, a empresa deve faturar R$ 120 milhões, 20% a mais do que o projetado, crescimento de três vezes em relação ao ano anterior. A Mignow hoje tem 200 colaboradores.
Eliminado o primeiro pelotão concorrencial, resta enfrentar quem decidir percorrer a mesma picada que eles abriram, mas uma possível desvantagem em relação aos novos entrantes no campo da IA não parece a eles um cenário verossímil.
“Temos um time grande de produto que se atualiza diariamente. Para a IA generativa funcionar, é preciso uma grande massa crítica, um grande histórico de aprendizados. Como executamos boa parte dos projetos [de atualização] SAP do mundo, creio que estamos um passo à frente da concorrência”, diz Paulo.
Myralis
Saúde e bem-estar estão juntos e misturados desde os primeiros passos da Myralis. Fundada por Olinto Mascarenhas Marques em 2009 em Aguaí, interior de São Paulo, a farmacêutica surgiu com o objetivo de suprir necessidades médicas não atendidas (que, segundo a agência norte-americana FDA, são “condições cujo tratamento ou diagnóstico não é tratado de forma adequada pela terapia disponível”).
Quinze anos depois, a Myralis ostenta um portfólio com mais de 50 marcas próprias cobrindo saúde feminina, infantil, respiratória, osteometabólica (ossos) e gástrica.
Seu primeiro grande lançamento, apenas quatro anos depois de sua fundação, foi o DPrev – que é, até hoje, o produto mais vendido da empresa e a segunda vitamina D mais comercializada no Brasil. Depois, vieram suplementos alimentares, como Urocran, Puravit e Mobi 2; vitaminas como a MecoBe (vitamina B12); medicamentos como Diost (endometriose) e Coltrieno (distúrbios da vulva e vagina). E o portfólio foi crescendo.
“Desenvolvemos parcerias ao longo desses anos e criamos uma rede de relacionamento com grandes e médias empresas. Trabalhamos muito próximos do Google e de muitas startups, e não é à toa que fomos premiados no Top 100 Open Startups deste ano como a terceira empresa da saúde que mais investe em tecnologia”, diz Renata Scalet, 41, diretora de marketing/comercial e integrante do conselho executivo da Myralis.
A farmacêutica deu mais um salto pouco antes da pandemia com o lançamento do Nasoar. “A lavagem nasal de alto volume já era uma prática comum fora do Brasil e conhecida pelos médicos brasileiros, que muitas vezes indicavam sua compra em viagens internacionais. Essa necessidade nos instigou e nosso time de pesquisa e desenvolvimento trabalhou com bastante afinco para desenvolver um dispositivo que entregasse a pressão correta e o conforto no uso.” A recepção do descongestionante foi tão boa que, em 2022, ele foi considerado o medicamento de maior faturamento no país.
A empresa mantém cerca de 1.100 colaboradores distribuídos em dois polos industriais no estado de São Paulo (Aguaí e Valinhos), um centro de distribuição em Poços de Caldas (MG) e um escritório de negócios na capital paulista, além de representantes e consultores pelo país. Tudo isso gerando um faturamento anual de R$ 700 milhões, de acordo com a IQVIA Brasil.
“Sabemos que temos duas formas de crescer: via expansão de prescrições com o nosso portfólio atual e via entrada em novos mercados, com inovações. Trabalhamos com foco nessas vias e nos preparamos para antever as necessidades dos médicos e pacientes do futuro”, conclui Scalet.
Omie
Em uma futura linha do tempo da Omie, empresa especializada em sistemas de gestão (ERP) para pequenas e médias empresas, 2024 não deverá ser lembrado como um ano marcante.
Não aconteceram, afinal, as aquisições que embalaram os tempos pós-pandemia, nem rounds de capitalização como aquele de 2021, quando o SoftBank injetou R$ 580 milhões na startup.
Mas 2024 serviu para dar liga a tudo o que a companhia trouxe para seu ecossistema de soluções – ecossistema, aliás, é a palavra que Marcelo Lombardo, paulistano de 53 anos, CEO e fundador, usa para definir a Omie.
Além do ERP, há as soluções financeiras de um banco digital adquirido faz três anos e que faculta a efetivação de transferências e pagamentos dentro da plataforma Omie; há o hub integrador de marketplaces e lojas digitais, o Omie.Hub; a plataforma de crédito, também egressa de uma M&A; há o índice de desempenho econômico das PMEs, que monitora a performance de empresas de mais de 700 setores que faturam até R$ 50 milhões/ano.
Há também a Omie Academy, escola virtual criada para capacitar clientes que têm dificuldade com as rotinas de administração – a aula mais assistida é a de comunicação e oratória.
O trabalho de integrar as várias funcionalidades e áreas de atuação, missão intramuros principal deste ano, é exatamente o que a Omie oferece a seus clientes. Os próximos anos deverão exigir aprimoramento ainda maior de uma das fortalezas da plataforma, as soluções contábeis, haja vista a transição para a implantação da reforma tributária.
“Cada vez mais, nos enxergamos como alguém que tem de educar o mercado. A ampla maioria dos novos 6 mil, 7 mil clientes mensais vêm do Excel, do papel e da caneta. Passar perrengue, ter pedido de compra parado no estoque, é normal para esse empresário”, diz Marcelo.
É difícil determinar qual é a grande sacada lá atrás da Omie, mas ter valorizado os contadores e pequenos escritórios de contabilidade entraria facilmente no pódio dos acertos.
“A gente criou um modelo de distribuição baseado em parcerias com contadores, que é o cara que dá o wake up call para o pequeno empresário.”
A Omie tem 900 funcionários, 130 vezes o número de 2013, quando a empresa surgiu como spin-off da New Age Software, também fundada por Marcelo.
Hoje são 160 mil clientes, mas a utopia é multiplicar isso por sete. O número mágico vem sendo postergado e agora está sinalizado para a próxima década.
“Nesta empresa, a gente não dá bom dia, a gente fala logo nesse 1 milhão”, brinca.
Sólides
No início de 2020, a pandemia obrigou as empresas a acelerarem o processo de digitalização. O departamento de recursos humanos foi afetado pela impossibilidade de executar tarefas cotidianas em meio à debandada de funcionários e empregadores. Enquanto alguns corriam atrás do tempo perdido, a Sólides estava pronta para decolar.
A HR tech, cofundada pelo casal Alessandro Garci e Mônica Hauck, oferece, desde 2010, soluções tecnológicas para o segmento.
“Em março, todos fecharam as portas e cortaram custos. Nós oferecemos três meses de carência aos nossos clientes. Terminamos 2020 com um volume de cancelamentos menor do que em 2019”, revela a CEO Mônica Hauck.
“Criamos um mercado que não existia. O RH não utilizava – e não gostava de tecnologia. Para complicar, optamos por atender pequenos negócios, onde poderíamos, de fato, gerar impacto”, relembra Mônica, formada em inovação e empreendedorismo pela Universidade de Stanford.
Os anos de experiência, aliados a ferramentas inovadoras, como o Profiler, algoritmo exclusivo de mapeamento comportamental – aprovado pela USP e pela UFMG com 97% de precisão –, foram fundamentais para o avanço da startup durante o período.
O crescimento e o enfoque em PMEs, parcela responsável por 30% do PIB nacional, chamaram a atenção de investidores globais. Em fevereiro de 2022, a Sólides recebeu o maior aporte já feito em uma HR Tech na América Latina: R$ 530 milhões, levantados pelo fundo de private equity da Warburg Pincus.
Com o combustível renovado, a empresa adquiriu três startups do setor e consolidou sua posição como a “one stop shop” de recursos humanos.
“Saímos de 2019 com 1.500 clientes. Hoje, são mais de 35 mil, com uma média de aquisição mensal de 1.300. O índice de rotatividade das organizações que utilizam nosso software é de 17,9%, enquanto, no Brasil, a taxa é de 56% [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados].”
Independentemente da ascensão, Mônica reforça o compromisso com as PMEs, que, para ela, representam a força do país.
“Nosso objetivo é fechar o gargalo causado pelas demissões, ajudar na retenção de talentos e oferecer mais benefícios. Dessa forma, fortalecemos a economia brasileira.”
De olho no futuro, a Sólides investiu em dois laboratórios de inteligência artificial, um em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
“Isso é pesquisa e desenvolvimento na veia”, celebra Alessandro Garci.
Com a tecnologia, a HR Tech construiu um preditor de rotatividade que chega a 83% de exatidão.
“Conseguimos dizer se um colaborador pretende sair antes de ele sequer consolidar a ideia.”
(Com Caroline De Tilia, Dafne Sampaio, Marília Kodic e Paulo Vieira)








