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Ser a Primeira É Só o Começo

Em artigo exclusivo, Helen Pedroso, do Grupo L’Oréal no Brasil, reflete sobre representatividade, síndrome da impostora e o papel transformador da diversidade nas empresas

3 min

Logo que assumi um cargo de liderança, percebi que não estava apenas representando a mim mesma. Minha presença simbolizava muitas mulheres negras que foram invisibilizadas ou subestimadas. Essa consciência é, ao mesmo tempo, força e fardo. Força porque nos conecta à potência das nossas ancestrais. Fardo porque o olhar sobre nós quase nunca é neutro: somos vistas como símbolos antes de sermos reconhecidas como profissionais.

Escrevo em primeira pessoa este artigo sobre lideranças femininas porque minha jornada é atravessada por um fio comum: as primeiras vezes. E cada uma delas carrega não só conquistas pessoais, mas também o poder de abrir portas.

Segundo o Instituto Ethos, apenas 3,4% dos cargos executivos no Brasil são ocupados por mulheres negras. Nos conselhos de administração, somos 1,8%. Diante de tamanha falta de representatividade, cada passo nosso em direção a espaços de decisão exige, além de competência, a desconstrução diária de estereótipos. O desafio não é só conquistar a cadeira, mas provar sempre que merecemos estar nela. E é nesse ponto que entra a síndrome da impostora – companheira persistente. Quantas vezes duvidei de minha própria capacidade, mesmo tendo entregado resultados concretos?

No Grupo L’Oréal, fui a primeira diretora de sustentabilidade negra a integrar o Comitê Executivo da empresa no Brasil. Essa conquista, mais do que um título, representa a possibilidade de transformar estruturas. Hoje, 56% dos cargos de liderança da companhia são ocupados por mulheres, e cerca de 24% se autodeclaram negras. Queremos ir além.

Projetos como as Escolas de Beleza, que já capacitaram mais de 3 mil pessoas, mostram isso. São iniciativas que oferecem oportunidade de entrar na base do funil e, quem sabe, alcançar o topo. Também são exemplos de como a responsabilidade social pode caminhar junto ao negócio. Globalmente, a L’Oréal destina 80 milhões de euros a iniciativas voltadas para o empoderamento feminino. Não se trata de caridade: é estratégia de futuro.

Ser uma mulher negra em liderança me deu lentes diferentes para enxergar o mundo corporativo. Meu compromisso é claro: não quero ser a única. Quero que as primeiras vezes se multipliquem em muitas mais. Quero que a síndrome da impostora dê lugar à confiança coletiva. Quero que as empresas compreendam que diversidade não é discurso, mas estratégia – afinal, organizações diversas são 36% mais rentáveis, segundo a McKinsey.

Mais do que tudo, quero que a próxima geração não carregue o peso de ser símbolo, mas apenas a alegria de ser.

*BrandVoice é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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