Negros e pobres sofrem com exclusão digital durante a pandemia

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Pequisa revela que 35% dos lares da região Nordeste não usam a web

Os efeitos da crise para a população pobre e negra tornaram-se ainda mais evidentes com os dados de uma nova pesquisa que apresenta a falta de acesso à internet como um dos grandes obstáculos no enfrentamento da situação.

Apesar do aumento nos últimos anos na proporção da população brasileira que usa a internet, que representa 134 milhões de pessoas, cerca de 47 milhões delas seguem desconectadas, segundo a nova pesquisa TIC Domicílios 2019, lançada ontem (26) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Além do aumento na conectividade de forma geral, outros milhões de brasileiros, principalmente os mais pobres e negros, têm acesso à web somente via smartphone, o que cria uma situação de precariedade para realizar tarefas como trabalho remoto, ensino à distância ou acesso a serviços como o auxílio emergencial do governo.

Segundo o estudo, 58% dos brasileiros acessam a rede exclusivamente por meio de seus telefones celulares, com esse percentual atingindo 85% na população mais pobre. O uso exclusivo de smartphones para acessar a internet também é predominante na população negra (65%), em comparação com 51% da população branca.

LEIA MAIS: A falta de acesso à internet aumenta a desigualdade social, diz Andrew Sullivan, da Internet Society

A questão da exclusão digital é particularmente perceptível nos domicílios das áreas mais pobres do país: 35% dos lares da região Nordeste não usam a web, o que também é uma realidade para 45% das famílias brasileiras com renda de até um salário mínimo.

Com as medidas de distanciamento social anunciadas durante a pandemia, milhões de brasileiros dependem ainda mais da internet e da tecnologia em geral para viver, e a falta de acesso evidencia um grande problema social, segundo Alexandre Barbosa, gerente no Cetic.br.

“A falta de acesso à internet e o uso exclusivamente por celular, especialmente nas classes D e E, evidenciam as desigualdades digitais presentes no país, e apresentam desafios relevantes para a efetividade das políticas públicas de enfrentamento da pandemia”, argumenta.

A exclusão digital presente no Brasil é particularmente danosa para as crianças, segundo Barbosa: “A população infantil em idade escolar nas famílias vulneráveis e sem acesso à internet também é muito afetada neste período de isolamento social. A pandemia revela de forma clara as desigualdades no Brasil”, pontua.

A pesquisa, em sua 15ª edição, tem notado um declínio consistente na presença de computadores nas residências brasileiras nos últimos quatro anos. Ela sugere que 95% dos domicílios mais ricos do Brasil possuem algum tipo de computador, enquanto o equipamento está presente em 44% dos domicílios da classe C e 14% das residências das classes D e E.

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