Quando se fala em automóvel, poucos nomes estão tão ligados à origem e à própria históriada indústria automotivaquanto a Mercedes-Benz.. Não por acaso. Em 29 de janeiro de 1886, Carl Benz registrou a patente do primeiro automóvel do mundo, o Motorwagen, marco tratado como a certidão de nascimento da mobilidade individual moderna e integrante do Registro Memória do Mundo da UNESCO. É desse ponto fundador que parte a trajetória da marca, que chega aos 140 anos, em 2026, reforçando uma narrativa rara na indústria: a montadora que criou o automóvel lidera agora uma das maiores transformações do setor em décadas.
A efeméride ganha peso extra em um momento em que a Mercedes-Benz combina herança e resultado de mercado. No Brasil, a Mercedes-AMG registrou em 2025 o maior volume de vendas de sua história no país, com 1.157 unidades emplacadas, crescimento de 35% sobre as 852 de 2024. O desempenho ajuda a mostrar como o legado construído ao longo de mais de um século segue relevante em um mercado de luxo que valoriza performance, tecnologia, exclusividade e tradição. Nos últimos cinco anos, a marca acumulou 4.046 emplacamentos no Brasil. As motorizações 45 e 63, consideradas centrais na essência da marca, responderam por 567 unidades em 2025, ante 417 no ano anterior.
“O que faz uma marca se destacar por tanto tempo? Acredito que isso vem da confiança dos nossos clientes, da oferta constante de produtos de alta qualidade, de um portfólio moderno de automóveis em todos os segmentos, e de cumprir de forma contínua, e de até superar, a promessa da marca”, explica Ronald Koning, Presidente e CEO da Mercedes-Benz Cars & Vans Brasil.
Mas falar em Mercedes-Benz exige voltar à origem. Se Carl Benz registrou a patente do primeiro automóvel, Bertha Benz foi decisiva para provar que aquela invenção tinha futuro. Em 1888, ela realizou a primeira viagem de longa distância da história em um automóvel, de Mannheim a Pforzheim, demonstrando na prática o potencial da nova tecnologia. No trajeto, chegou a desobstruir um carburador com um alfinete de chapéu — um episódio que virou símbolo do espírito pioneiro associado à marca. O gesto não foi apenas técnico; foi uma demonstração de coragem e visão em um momento em que o automóvel ainda precisava convencer o mundo de que fazia sentido.
Esse impulso pioneiro atravessou décadas e se traduziu em marcos que ajudaram a redefinir o próprio conceito de automóvel. Em 1900, Wilhelm Maybach projetou o Mercedes 35 hp, modelo considerado o primeiro automóvel moderno ao romper com a lógica das carruagens puxadas por cavalos. Em 1959, a carroceria de segurança com zonas de deformação e célula rígida para os ocupantes estabeleceu uma base para a segurança passiva. Em 1978, o ABS estreou no Classe S. Em 1981, o airbag do motorista apareceu, também no Classe S. Em 2021, a Mercedes-Benz tornou-se a primeira fabricante a obter aprovação internacional para direção automatizada condicional em Nível 3.
Ao completar 140 anos, a marca deixa claro que a história não é tratada como peça de museu. Nos próximos dois anos, a marca vai viver o maior programa de lançamentos de produtos de sua história: mais de 40 novos modelos serão apresentados globalmente. A estratégia une tradição e inovação e mira todos os segmentos, da eletrificação ao software. Na frente elétrica, o histórico recente inclui o VISION EQXX, que percorreu 1.202 km com uma única carga em 2022, e o EQS com bateria de estado sólido, que percorreu 1.205 km entre Stuttgart e Malmö.
Classe S na estrada
Se existe um modelo capaz de condensar o significado da Mercedes-Benz ao longo dessas décadas, esse automóvel é o Classe S. Desde a estreia oficial do nome, em 1972, o sedã tornou-se vitrine de tecnologias que mais tarde se espalhariam pela indústria. Agora, ele volta ao centro do palco nas celebrações de aniversário da marca.
Como parte da iniciativa “140 Anos. 140 Lugares.”, três unidades do novo Classe S percorrem mais de 50 mil quilômetros em seis continentes. A caravana já passou pela Europa e também visitou ícones da América do Sul, como São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Santiago do Chile. A proposta é transformar cada parada em um capítulo simbólico da história da Mercedes-Benz, reunindo clientes, fãs, clubes da marca e comunidades locais. A jornada global será concluída em outubro de 2026, em Stuttgart, onde a história da marca começou.
Para o Brasil, o Classe S ganhará um peso adicional: o modelo chegará ao mercado brasileiro no segundo semestre deste ano. É um movimento que conversa diretamente com a tradição de um automóvel que, há décadas, funciona como laboratório de inovação e referência de luxo, conforto e segurança. Seja usada por grandes empresários ou por importantes autoridades, a linhagem do Classe S sustenta uma ideia de prestígio que extrapola o produto e ajuda a contar a história da própria indústria automotiva.
No fim, a força da Mercedes-Benz está justamente nessa combinação entre passado e futuro. A marca que registrou a primeira patente do automóvel segue usando o veículo como plataforma de reinvenção. Em um setor em transformação, essa talvez seja sua maior vantagem competitiva: não apenas ter inventado o automóvel, mas continuar, 140 anos depois, disputando o direito de definir o que ele será daqui para frente.
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