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Do Que É Feito o Punho da Vitória de Maria Sharapova?

Em entrevista exclusiva, atleta revela as regras que moldaram sua trajetória dentro e fora das quadras

5 min

“O esporte sempre dependeu do instinto. Quanto mais atento você é, melhores são seus instintos. Mas esses padrões estão mudando agora com o uso de inteligência artificial e dados.”

Foi assim que a mais nova integrante do Hall da Fama do Tênis, vencedora de cinco títulos de Grand Slam, a segunda tenista mais jovem a conquistar Wimbledon, aos 17 anos, e uma das atletas mais bem pagas do mundo por 11 anos consecutivos, segundo a Forbes, abriu sua palestra no Web Summit Lisboa 2025, uma das maiores conferências de tecnologia do mundo, que reuniu mais de 71 mil pessoas de 157 países.

Acordei no dia 10 de novembro com um e-mail que dizia: “Luciana Rodrigues, você foi a única selecionada para uma entrevista exclusiva com a Maria Sharapova.

Alguns vão dizer que foi sorte, mas a verdade é que o instinto apurado da Sharapova deve ter me escolhido para marcar esse match point com os meus leitores.

Luciana Rodrigues e Maria Sharapova no Websummit Lisboa
Luciana Rodrigues e Maria Sharapova no Websummit LisboaLuciana Rodrigues e Maria Sharapova no Web Summit Lisboa

Eu, que aprendi a valorizar e celebrar histórias pessoais (por mais duras ou tristes que sejam), entendi a dimensão de estar frente a frente com um ícone mundial. Não apenas para o esporte, mas principalmente para nós, mulheres. Decidi começar com uma pergunta mais genérica sobre o desafio do nosso tempo: “Se você estivesse começando sua carreira hoje, em uma era de julgamento nas redes sociais e hiperexposição, que parte da Maria Sharapova permaneceria intacta, e que parte seria completamente reinventada?”

Ela respondeu: “Ótima pergunta. Acho que é a honestidade. Sempre acreditei que é a única coisa acionável, aqui e agora. É o que nos mantém fiéis à nossa essência. A parte reinventada? Agora eu uso o punho da vitória para celebrar algo (geralmente muito simples) que o Theodore, meu filho de 3 anos, fez bem. Continuo celebrando do meu jeito, punho em riste, mas por conquistas diferentes.”

Foi ali que a entrevista mudou de rumo. Eu tinha apenas 15 minutos, mas, em vez de fazer um Q&A (perguntas e respostas), decidi seguir o mesmo caminho que ela sempre buscou em quadra: entender, ponto a ponto, as regras não escritas que guiaram sua vida.

Resumo aqui o que eu chamei de “5 Regras da Sharapova” que você não vai encontrar no livro oficial da ITF (Federação Internacional de Tênis), mas que podem nos ajudar a vencer algumas partidas fora das quadras.

As 5 regras de Sharapova para vencer dentro e fora de quadra

1. Diversidade é poder

“Não te deixem acreditar que você deve ser apenas uma coisa. Eu senti na pele a pressão para ser apenas ‘a atleta’. Nada além disso. Com o tempo, descobri que podia ser tudo: colorida, elegante, bonita, empresária, competitiva, mãe e sensível. Empoderamento feminino não cabe numa caixa, ele se expande.”

2. Honestidade não é virtude, é potência

“Assuma responsabilidade. Seja consistente. Olhe para dentro e reconheça suas fragilidades, limites, inseguranças e principalmente, trabalhe sobre eles. Honestidade será a força que te sustenta.”

3. Quem domina a si mesmo domina o sucesso

“Aprendi que sucesso não é apenas resultado: é processo e autoconhecimento. É entender que rivais, como Serena Williams, podem ser mestres involuntários. Separe ‘o que o mundo acha de mim’ de ‘quem eu sei que sou’. Isso muda decisões, performance e saúde mental.”

4. Desafio é crescimento disfarçado

“A pressão para sermos perfeitas, agradáveis e ‘comercializáveis’ é brutal, sobretudo para nós mulheres. Mas são essas questões que moldam quem nos tornamos. Por bem ou por mal. Após a minha suspensão em 2016, estudei administração e liderança em Harvard e transformei uma queda na minha reinvenção. A adversidade é matéria-prima de evolução.”

5. Sua intuição vai te levar longe

“Num mundo cheio de distrações, caminhos fáceis e imediatismo, seguir a própria bússola mantém você firme no que realmente importa. Atalhos podem encurtar distâncias, mas também roubam aprendizados que farão falta na história da sua vida.”

Foi quando o nosso tempo terminou e o seu agente a chamou.

Sharapova apertou minha mão com firmeza, sorriu com os dentes e disse com uma voz delicada, colocando o cabelo para trás da orelha: “Que não tenhamos medo de experimentar coisas novas.”

Ali, ela já demonstrou que podemos mesmo ser muitos. Antes, chamada pela imprensa de “ice-cold” por raramente sorrir, agora gargalhava sem moderação.

Ser fria era uma estratégia como atleta. A menina russa que chegou aos EUA aos 7 anos, sem a mãe, sem dinheiro, sem falar a língua e que sofreu bullying, hoje tem um patrimônio avaliado em R$ 1 bilhão. Não dá para dizer que ela estava errada.

P.S.: Dediquei mais de 20 anos da minha carreira à publicidade e nunca esquecerei o comercial da Nike de 2006, “I Feel Pretty”, que mostrou, de forma escancarada e cheia de ironia, como nós, seres humanos, adoramos julgar pela aparência. Aqueles 60 segundos não só apresentaram Maria Sharapova como uma atleta soberana, mas também a retrataram como uma força feminina que exigia o respeito que merecia e a liberdade de ser quem quisesse, dentro e fora das quadras de tênis.

Luciana Rodrigues é conselheira do board da Junior Achievement, membro do conselho da Iniciativa Empresarial pela Igualdade e do comitê estratégico de presidentes da Amcham. Também é aluna de pós-graduação em neurociências e comportamento.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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