Sobre Karina Penha
Desde criança, Karina Penha compreendeu que natureza, sustento e cuidado eram uma coisa só. Talvez isso seja resultado da criação em uma família de pescadores e quebradeiras de coco-babaçu. Ou de como foi moldada pelos campos alagados da Baixada Maranhense e pela periferia de São José de Ribamar. Ou a soma disso tudo. O fato é que Karina foi a primeira pessoa da família a entrar na universidade. “Isso não foi apenas um marco educacional para mim e para minha família, mas um ato político: significou levar comigo os saberes do meu território para ambientes que historicamente não reconheciam essas vozes. E foi isso que me transformou em uma das principais vozes da juventude brasileira por justiça climática, alguém que fala de clima a partir do chão, da ancestralidade e da própria experiência.” Foi também do seu chão maranhense e amazônico que Karina viu poluições que vinham de fora e degradações provocadas por empresas. “Cuidar do território é cuidar da nossa própria existência. E esse compromisso se consolidou de forma definitiva quando fundamos a Amazônia de Pé, movimento que coloca a proteção da floresta e dos povos como centro da política climática brasileira.” Com programas pedagógicos, treinamentos, campanhas e eventos culturais, o Movimento Amazônia de Pé busca garantir, entre outras missões, a destinação de 50 milhões de hectares de florestas públicas para fortalecer os territórios tradicionais na Amazônia. “Concentro meu trabalho diário nisso: defender a floresta por meio da defesa das pessoas que a mantêm de pé. Os saberes tradicionais são a forma mais segura para enfrentar a crise climática e construir futuros de bem-viver.”