Sobre André Szapiro
Ao iniciar seu curso de administração na FGV em 2019, André Szapiro percebeu que havia pequenos empresários que não eram atendidos pelo sistema financeiro tradicional: os vendedores ambulantes da Avenida Paulista. Captou recursos de parentes e amigos e estruturou uma financeira. O modelo era o Grameen Bank, do bengali Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz de 2006. Deu certo: a demanda por empréstimos era elevada e a inadimplência, minúscula. O negócio, porém, foi atropelado pela pandemia no início de 2020. “As pessoas sumiram das ruas e os ambulantes também.” Szapiro tentou vender a operação, mas o comprador protelou até a empresa quebrar. “Tive de fechar o escritório e demitir toda a equipe”, diz ele. “A experiência valeu por um doutorado em negociação, fusões e aquisições e gestão de crises.” Durante as tratativas, Szapiro se aconselhou com os sócios Salim e Marcos Rafael Mansur, fundadores da gestora de recursos SRM Asset, que haviam investido no projeto. “Eles me ligaram dizendo que planejavam reproduzir o modelo do investimento que tinham feito na minha empresa em outras iniciativas e queriam minha ajuda para isso.” Negócio fechado. Eles aproveitaram a experiência de Szapiro para investir em startups e montar uma empresa de estruturação de crédito, a SRM Ventures, que já concedeu R$ 1 bilhão em empréstimos e investiu R$ 450 milhões em cerca de 20 startups. A maioria das investidas está no setor f inanceiro, em especial na concessão de crédito em nichos de mercado. O modelo ideal, diz Szapiro, é adquirir uma participação acionária e fornecer capital para a investida emprestar.