Sobre Daniele de Mari
Implementar inteligência artificial na análise de eletroencefalogramas (EEG) seria como “estacionar uma Ferrari em uma casa abandonada”, conta Daniele de Mari ao relembrar o início da Neurogram, startup fundada em 2021 com o objetivo de parametrizar dados de exames neurológicos. A ideia para o empreendimento, que já captou R$ 23 milhões em investimentos privados – entre eles, de Romero Rodrigues, cofundador do Buscapé –, surgiu durante um estágio em neurofisiologia na pandemia, momento em que ela percebeu o atraso do setor. “Hoje, um médico não consegue abrir um exame simples de EEG porque não está na nuvem. Então, antes de criar ferramentas poderosas, era preciso construir a infraestrutura básica”, diz a neurocientista, formada pelo Georgia Institute of Technology. Entre os clientes da Neurogram estão o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e a Clínica Sinapse, no Rio de Janeiro. Grandes instituições estão na lista de espera. A empresa já processou mais de 10 mil exames. Apesar da proposta ousada, Daniele sofreu a dificuldade extra que as mulheres enfrentam na busca por aportes financeiros. “O responsável por um dos principais fundos de deeptechs no Brasil me disse: ‘Você é uma fundadora incrível, o mercado é gigantesco, a solução faz sentido, mas eu não acredito em uma menina do interior do Paraná para resolver o problema’.” A menina do interior do Paraná, no entanto, tem um propósito firme, nascido na infância, quando acompanhou a avó, vítima de um câncer ósseo diagnosticado tardiamente. “Eu vi o iPhone surgir enquanto a área da saúde continuava igual. Daí nasceu a minha motivação. Adoro o que faço.”